quarta-feira, 2 de agosto de 2017

CADEG


CADEG é a sigla do Mercado Municipal Carioca, que por sua vez surgiu antes dos cariocas em questão, quando do antigo Estado da Guanabara, daí Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara. Localizado em Benfica e com uma arquitetura modernista que lembra o Pavilhão da Feira de São Cristóvão.
Eu amo, é claro. Pena que tão poucos cariocas tenham o hábito de frequentar, talvez pela distância.
Confesso que conheci o Mercado Municipal de SP antes de conhecer o da minha cidade natal, mas mesmo assim, enquanto morei no Rio, fui sempre que podia. Os preços são muito mais em conta e a variedade de opções torna a CADEG um dos meu lugares favoritos no Rio.















As flores começam a ser vendidas às 02 da manhã, o que torna muito romântico presentear alguém no fim de uma noite boêmia de acertos ou desacertos. Os bares, restaurantes e lojas funcionam em horário comercial, alguns abrem para happy hour, mas a função acaba cedo. E muitos abrem logo cedo para o café, o que é quase um ritual para o pessoal que trabalha descarregando - eles funcionam em outro fuso horário.
Eu nunca havia sentado para comer em nenhum estabelecimento. Como quase todos vendem bolinhos de bacalhau, feijoada, aipim, bobó e afins pelos corredores, além das provinhas de queijos, pães, hortifrutis e doces das lojas, estava há anos programando uma refeição convencional e nunca conseguia, quando me via, já estava empanturrada.

No Festival de Inverno de 2017, junho e julho, me programei para conseguir almoçar lá: Não jantei na véspera e fui, além de acompanhada, em jejum sem café da manhã. Funcionou!






O cabrito lusitano do Brasas Show, acompanhado de batatas ao murro, couve à mineira, agrião ao alho e óleo e um arroz cozido no próprio caldo do cabrito, que estava excepcional.
Observe que a garrafa de vinho inteira é cortesia e meu pratinho muito bem servido não chega nem a 25% da travessa. É para ir em jejum, acompanhado e ainda sair com uma quentinha imensa e pesada. O tipo de prato onde quatro pessoas comem tranquilamente.
A mesa e a divisória interna do restaurante são em pallet, como muito da arquitetura local, que é toda em barris, caixotes e bobinas.







Alguns pratos dos festivais, apesar de muito bem servidos e em alta qualidade, realmente podem ser caros para a maioria das pessoas, mas encontram-se opções para todos os bolsos. Esse sanduíche de febras (pernil marinado no vinho) com queijo gouda e acompanhado de taça de vinho saiu mais barato do que uma promoção combo de fast food. De comer no balcão, na lanchonete Prato Cheio Buffet e Restaurante. Estava ótimo.


Outro que estava com um prato bom e abaixo da média de preços foi o Mexido GastrôPicanha Underground: picanha na cerveja preta com arroz de fungui e batatas ao murro no sal de alecrim - tudo soberbo e pelo menor preço entre os pratos mais sofisticados para dividir - a minha parte foi o que eu gasto individualmente todos os dias no quilo perto do trabalho e ainda davam uma garrafinha de vinho de brinde.



Alguns restaurantes traziam pratos muito interessantes e também são considerados ótimos: Costelão (costela recheada de legumes), Corujão (bagunça do mar), Gruta São Sebastião (parrillada do mar e camarão espiritual) e Empório Gourmet Steakhouse (arroz de pato à moda portuguesa). Em outros, o prato do festival não me falou a alma, mas por outro lado, pareciam bons pelo cardápio em geral e o clima aconchegante, como o Bacalhau e Cia, o Barsa (com sua adega imensa) e La Parrilla del Mercado.
Quem quiser conferir, os sites de compras coletivas as vezes fazem promoções.



Duas compras do Festival de Inverno em visitas distintas. 

Pão de sacadura, brioche de farinha de amendoim e croissant de frango da Padaria Santo Gostinho . Cerveja bock da única cervejaria artesanal, a Donna Cerveja Artesanal. Linguiça Blumenau da única linguiçaria caseira Confraria da Carne RJ


Brioche de laranja com gotas de chocolate da Padaria Santo Gostinho (R$10,00 o pacote com uns vinte pãezinhos). Linguiça apimentada, queijo da Serra da Estrela e doce de leite Coimbra, eleito o segundo melhor do país, tudo da loja específica para artigos nordestinos e mineiros Empório Mandacaru. Uma coxinha tradicional, a coxa do frango inteira envolta em massa com o osso para fora, à venda no balcão de um restaurante simples, um pé limpo muito simpático, a Adega Cesari, sempre lotada na hora do almoço.








Compra boa de outubro, no Festival do Bacalhau de 2016: pão italiano de fermentação natural com semente de girassol e alho seco da Padaria Santo Gostinho (maravilhoso até dormido). Manteiga de búfala, queijo de cabra e casca de limão siciliano glaceada a granel da melhor loja de laticínios local a Laticínios Brasil Tropical. Melado de cana e panhonha salgada da Empório Mandacaru. Banana orgânica da única loja que vende orgânicos no entreposto Solo Vivo Orgânicos
Do bacalhau do Festival, só fiquei nos bolinhos, em pé de barriga no balcão. Deliciosos, baratos e sem frescura.











Outras compras, tudo delicioso e barato.
Batata cenoura (tem gosto de batata doce com cenoura, linda e deliciosa, rende um pûre laranja), maracujás frescos do Tarzan Distribuidora de frutas exóticas e especiariasazeite extra virgem do Cerealista Carlos Lelaazeite extra virgem aromatizado com raspas da casca da laranjameladobanha de porco da roçanata de creme de leitegoma de tapioca e uma empada de palmito aberta que aparece mais abaixo.

Pão de sacadura, briochinho doce de coco recheado de doce de leite, quiche de alho poró e pastel de forno de frango integral, tudo da Padaria Santo Gostinho. E queijo brie a metade do preço do supermercado, da Empório Gourmet Show.





















Lojas que chamaram minha atenção, mas onde não comprei: Boutique Ex-Touro cortes finos e hamburguers artesanais, Rota Carioca Delicatessen e Arte dos Vinhos (com piso antigo em mosaico)


Uma das coisas que eu mais gosto por lá é justamente a informalidade e despretensão mesmo nos restaurantes e delicatessens mais sofisticados, sem esquecer das origens.





O bolinho de bacalhau, quase a religião oficial, estampa até papel de parede. E os pastéis de nata, o doce mais vendido do mundo, em profusão por todas as vitrines. Porque o Rio é uma cidade portuguesa com certeza.




Outras delícias de inspiração portuga, empadas abertas finas, quase uma tartelette salgada, em palmito, camarão e claro, bacalhau. Dois senhores sérios e bem vestidos, ao ver minha curiosidade nelas, deram a dica dessa empada, garantiram ir toda sexta só por causa delas, estavam sentados num desses barris com um prato cheio e uma garrafa de cerveja já pela metade. Na Cucina Penna.



Presente fofo do Empório Mandacaru, doce de banana ou goiaba em mini marmitas embrulhadas em trouxinha de chita.



Outras delícias que encontramos por lá








A CADEG é um entreposto de distribuição de insumos e vende tudo no atacado. Programa imperdível, chegar lá pelas quatro da manhã e ficar observando os caminhões serem carregados para os restaurantes e hotéis da cidade toda. O pessoal que trabalhou durante a madrugada, senta para lanchar ou mesmo comer comida pesada por volta das seis, sete horas da manhã, quando os outros estabelecimentos comerciais começam a abrir nesse lugar incrível que nunca fecha.





Aqui em casa ainda na Tijuca depois das compras:
O vinho que ganhei de brinde no almoço do Mexido Gastrô (Picanha Underground: picanha na cerveja preta com arroz de fungui e batatas ao murro no sal de alecrim) virou vinho quente para que mais gente pudesse beber. Usei uma receita básica, 1 parte de vinho para outra de água, melado de cana no lugar do açúcar, cravo e canela em pau comprados a granel. Para aromatizar, inventei de juntar a casca de uma tangerina, ficou lindo e bom. Quem quiser fazer igual, retire a casca de tangerina se sobrar vinho para não amargar no dia seguinte. Gengibre na fervura também fica delicioso, mas só se for consumir no mesmo dia. No dia seguinte, parece remédio.




O azeite de laranja, minha compra favorita, rendeu muitas receitas boas.
Por cima do dip de cebola dourada e iogurte (receita simples do Vigilantes do Peso, basta refogar 1 cebola grande em 1 colher de sopa rasa de manteiga e quando esfriar, juntar um copo de 200gr de iogurte natural e temperar com sal e pimenta do reino). Na foto, as cebolas orgânicas da Taeq, a venda em quase todos os supermercados cariocas e  o dip com o azeite e muita cebola desidratada comprada a granel por cima.

No lugar da manteiga na tapioca de coco, recheada de banana com canela e um pouco de melado de cana por cima.




No pic-nic, por cima de outro dip de iogurte que já apareceu por aqui, o borani esfanaaj em espinafre e iogurte, acompanhando empanadas. E no lugar do azeite convencional na salada de cuscuz de semolina com pepino e cenoura.










Mais informação:
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