sábado, 2 de janeiro de 2016

Mais delícias geladas

Uma postagem antiga e muito popular é a "Delícias geladas" com bebidas caseiras para essa época do ano em que morremos de sede o dia todo, cheia de chás gelados, suco da folha do capim limão, refrescos com inhame cru e invenções minhas em kefir e carambola, delícias para todos os gostos.

Toda bebida pronta é crime de hidropirataria, um único litro de cerveja-refrigerante consome no mínimo 30 de água para ser fabricado. Onde hoje existe uma fábrica de bebidas, amanhã haverá solos desertificados, fontes de água secas, instalações industriais abandonadas, economia local sucateada e um quadro de abandono social devastador. Não exagero, já existem documentários premiados acerca, leia e assista a partir de links nas postagens "Flow, por amor à água", "Nestlé mata fontes de São Lourenço, a PureLife é uma água química", "Por Deus, pela pátria e pela Coca-Cola", "Hidropirataria nas águas de São Lourenço", "Cachaçaria certificada como orgânica seca lagoa de reserva indígena", "Empresa japonesa instalada no Aquífero Guarani exporta água mineral engarrafada", "A história da água engarrafada", "Ouro Azul: A guerra mundial pela água".
A hidropirataria, na minha opinião, é o grande crime ambiental do século XXI, ninguém rastreia e seus resultados, além de levar décadas para aparecer, muitas vezes são irreversíveis.

Convém lembrar que todo processo industrial polui e demanda transporte para entrega ao consumidor, transporte feito emitindo CO2, já que nossa rede ferroviária é praticamente nula. O Brasil é o único país do mundo que transporta minério de ferro em caçamba de caminhão, não vistoriado com um motorista exausto numa estrada toda esburacada.

O processo industrial por detrás do consumo de bebidas prontas está matando a gente e o planeta. Alguns supermercados vendem sucos de frutas naturais feitos no mesmo dia e até água de coco a litro. As garrafas são plásticas, mas podem estimular um programa de retorno de engradados, como as fábricas de refrigerante faziam antigamente.

A prateleira da minha cozinha é forrada de potes cheios de ervas secas para chá, compradas a granel por 1/3 do valor da erva empacotada do supermercado. Mate, camomila, lavanda (para colocar nos bolos e panquecas integrais), erva cidreira (ou capim limão)...

Aqui no Rio, bebe-se muito mate gelado batido com alguma fruta, à moda das vitaminas, em morango e abacaxi com hortelã são as versões mais populares
Você pode fazer muitos chás gelados ou não em substituição às bebidas prontas, além de sair muito mais em conta, basta ferver água (da torneira), apagar o fogo e juntar a erva escolhida deixando tampado para fazer a infusão. O próprio hábito de beber chá já é uma justificativa para manter uma horta caseira.

Para quem prefere fruta e seus refrescos: Polpa de maracujá congelada, da própria fruta, basta retirar as sementes e congelar, você faz suco, chá com sucolassi e até mousse em qualquer época do ano. Normalmente, o feirante vende sacos de 1kg a preço simbólico no finalzinho da feira, antes de encerrar, ele aproveita os maracujás "feinhos" que não tiveram saída. Polpas de fruta em geral, congeladas, não são a melhor opção, mas pelo menos demandaram muito menos energia, água e embalagem do que uma garrafa de suco. Algumas marcas, já vendem polpas de frutas orgânicas
Casca de abacaxi congelada, a que sobrou e ia para o lixo, basta congelar picada em pedaços. Rende suco, chás (em canela ou hortelã-poejo) e até uma calda de sorvete, se fervido o suco coado com rapadura. 

O grande apelo da alimentação natural, na minha opinião, é a capacidade de adaptação, a partir de uma fruta-vegetal, você pode preparar bebidas e pratos com as consistências e texturas as mais variadas. Como todo mundo, tenho as minhas manias, então abaixo, trago o que tenho curtido fazer aqui em casa. 










A obsessão do chá de hibisco. Flores secas compradas a granel, feito na infusão para ficar nessa cor linda de vinho tinto. Não adoço nem junto gengibre, bebo puro e gelado, bem forte. Bebo não, me encharco porque adoro de paixão.



A leveza da água aromatizada de abacaxi com hortelã ou de melancia com melão e gengibre, para aqueles dias em que dá vontade de tomar jarras do suco, mas ninguém quer ficar empanzinado depois de comer arroz com feijão. Para todas as receitas dessas águas chiques, levinhas e sustentáveis, vá na postagem "Águas aromatizadas".
A casca do abacaxi vira o incrível chá de casca de abacaxi com canela (e gengibre, opcional).












Refresco de compota. Esse já apareceu em goiaba aqui no blog, está na postagem "2 anos sem forno e fogão", mas o feitio vem agora. Basta fazer uma compota-geleia simples de qualquer fruta seca ou fresca das polpudas, cozinhando a mesma em água sem qualquer adoçante-açúcar até amolecer. Vira uma compota-geleia, há quem bata no liquidificador e quem deixe os frutos inteiros. Eu sou da turma que deixa inteiro e mastiga os pedacinhos. Então, para fazer o refresco, basta juntar uma colher de sopa dessa compota a um copo de água fria. Na foto abaixo, está em ameixa seca, a versão mais esquisita. Para bebidas mais populares, use: damasco e abacaxi secos, goiaba, manga, maçã e caqui frescos...
Não estranhe, rrefrigerante é feito a base de água, gás e um xarope-extrato. A geleia caseira sem açúcar funciona como esse xarope. Para gaseificar, use kefir.
E os cães também gostam, porque é bem docinho!

Nessa postagem, "2 anos sem forno e fogão"você encontra mais bebidas caseiras, como os refrescos de uva fresca, refrigerante de cajuína orgânica, smoothie de frutas vermelhas em água de coco, limonadas de xepa com limão galego orgânico e as folhas verdes que normalmente vão para o lixo (como a da beterraba), refresco de mamão vermelho com maracujá, de cenoura com beterraba e gengibre...












Refresco de gelatina de caqui em água de coco. Essa história começa em uma das primeiras postagens do blog, sobre gelatinas caseiras. A gelatina industrial é uma porcaria, então eu faço caseira com agar agar, uma alga marinha em pó bem barata nos empórios japoneses ou lojinhas de produtos naturais. No link das gelatinas caseiras, você encontra muitas receitas, a partir de sucos e dessas compotas de frutas sem açúcar. Então eu faço um jarrão de refresco de caqui batido na água de coco e levo a ferver com as algas em pó na metade da proporção indicada, para ficar mais mole mesmo. Junto umas raspinhas de casca de laranja e deixo na geladeira como um refresco de gelatina. Bom demais. Essa foto é dos caquis orgânicos da feira daqui do bairro, mais baratos do que os convencionais. Em gelatina de manga com maracujá também fica muito gostoso.













Vitamina de abacate em leite de coco com arroz orgânico. Eu gosto tanto de abacate que tenho uma postagem só para ele, "Abacate". Comecei fazendo a vitamina com leite de coco caseiro e não curti muito, um dia resolvi tentar com o orgânico e ficou uma coisa de bom. Para de vez em quando, porque é meio carinho e porque tetrapack não recicla. Uma opção mais sustentável e barata é a vitamina de abacate em suco de laranja, que vira mousse, se bem grossinha, e sorvete, se congelada - mas, tem que espremer as laranjas antes.













Suco de maçã, cenoura e gengibre na centrífuga, geladinho. Pode ser feito sem maçã também, só o sumo da cenoura com gengibre, delícia muito saudável. Centrífugas não são exatamente muito úteis, nem devem ser usadas para sucos, pois isolam muito açúcar e retém toda a fibra, que deve ser ingerida justamente para dar a sensação de saciedade, mas se tiver que fazer algo na centrífuga, que seja esse sumo de cenoura com gengibre, diluído em maçã, é o suco base da dieta vegana anticâncer do Gerson´s Institute, leia mais e assista ao documentário na postagem "Dying to Have Known (Morrendo por não saber)". Eu prefiro sem a maçã e, se pudesse, beberia um copão todo dia em jejum.



Os cães comem os bagaços, que eu não gostei quando tentei incorporar à massa de pão e refogando no feijão.








Suco verde orgânico com todos os vegetais possíveis das barracas ao lado na Feira de Orgânicos da Praça Afonso Pena, Tijuca. E uma bênção carioca, nossos carrinhos de água de coco fresca, onde vende-se meio litro a R$5,00.







O mate de torneirinha com ou sem limão feito a partir da erva-mate orgânica, vendido sem embalagens em copo de papelão que pode virar refil e ser reciclado, pelo mesmo preço dos concorrentes convencionais.



































Laranjada Americana, uma tradição carioca de torneirinha servida em copinhos antigos (foto deles).














Outras sugestões:


Mate gelado, mate gelado com limão ou batido com frutas mais aguadas como abacaxi e morango.

Chá de camomila geladochá de camomila gelado com limão ou suco da polpa do maracujá ou da casca do abacaxi (batido no liquidificador).

Hortelã fresca ou seca, também rendem chás refrescantes e simples.

Chá preto com laranja, quente ou frio. Com ou sem leite.

Chá de maçã gelado feito com maçã desidrata comprada a granel (e até aproveitando a casca da maçã que iria para o lixo), feito na panela com rapadura, gengibre, canela em pau e um cravinho. Colocar a rapadura no chá enquanto ele fica na infusão, garante uma consistência aliquorada que funciona para os chás de inverno.

Chá de morango com canela gelado
1 xícara de folhas frescas de morango
1 dedinho de gengibre
1 pau de canela
500ml de água

Chá de laranja, limão e tangerina, feito a partir das folhas, que normalmente acabam no lixo.
Seria a xepa da feira, não fosse Marisa, que há tantos anos trabalha na casa da Sueli, dar um destino. Ela faz assim:
As folhas do limão, que iriam para o lixo e normalmente são descartadas no chão do supermercado (ou da feira), ela lava bem, deixa secar à sombra e faz um chá com elas.
O chá é feito da mesma forma que qualquer chá, fervendo a água e colocando as folhas para fazer a infusão depois do fogo apagado.
Fica delicioso e pode ser feito igualmente com as folhas da laranja, tangerina e limão galego.

Há muitos anos, assisti a um dos programas da Nigela e ela fazia uma sopa de frutos do mar cujo caldo era aromatizado com folhas de limão, compradas congeladas e a quilo na Inglaterra. Ao logo do programa, ela cheirava a folha feliz da vida, dizendo que valia a pena o que se pagava por elas. Aqui é lixo, mas poderia ser um anti-gripal 100% natural e acessível a população carente.



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Um comentário:

Nikolas rs disse...

Bom Dia! Boas dicas. Gostei!
Mas o Tetrapak é reciclável sim. Pode ser usado como revestimento térmico em residências de madeira.