quarta-feira, 8 de abril de 2015

Quando o telhado verde vira lei



Recentemente a França, a cidade dinamarquesa de Copenhagen e a canadense Toronto aprovaram leis que tornam os telhados verdes obrigatórios. Há alguns anos, eu já havia compartilhado artigos sobre a obrigatoriedade de telhados verdes na capital do Líbano e os telhados verdes que vinham surgindo espontaneamente na Suíça, ambas estão fora do ar num processo natural de enxugamento que venho fazendo no blog. Antes do Facebook, era necessário fazer postagens sobre qualquer novo assunto, os blogs eram atualizados todos os dias, algumas vezes mais de uma vez ao dia. Hoje, não é mais necessário e é preferível acumular os mesmos artigos em uma única postagem e deixar novidades avulsas para as redes sociais.

Telhados verdes, seja em hortas urbanas ou em área de painéis fotovoltaicos são estratégicos e substituem de forma muito mais produtiva uma laje do que a prática que andou em voga há alguns anos de pintar as mesmas de branco com a intenção de refletir o calor ao invés de absorver, o que reduziria a temperatura da edificação em até 2 graus.

Abaixo, seguem muitos artigos de sites e portais sérios abordando o assunto na visão dos especialistas e como a prática só traz benefícios:


5 motivos para você deixar seu telhado vivo!

O telhado verde é sem dúvida o tema mais comentado quando falamos em arquitetura sustentável e vem interessando muita gente nesses últimos tempos em que a consciência ambiental se torna cada vez mais comum. Esse conceito, que causa em muitos a sensação de novidade, já foi pensado há bastante tempo, mais precisamente no Egito antigo, porém, definido como conceito arquitetônico apenas em 1920, pelo arquiteto francês, Le Corbusier.
O arquiteto modernista Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido como Le Corbusier, foi quem desenvolveu a ideia de terraços jardins, com a intenção de compensar a pegada ambiental causada pela construção no terreno e proporcionar uma maior qualidade de vida as pessoas através de áreas de lazer verdes.

O conceito era tão importante que passou a ser considerado um dos 5 pontos fundamentais da nova arquitetura e com sua grande difusão, o terraço jardim serviu de influencia para vários outros arquitetos. No Brasil, foi utilizado por Lucio Costa no projeto do Palácio Gustavo Capanema, no Rio de janeiro, atual sede do MEC (Ministério da Educação).

Para Le Corbusier, as cidades modernas encontravam-se asfixiadas, sem áreas verdes suficientes, não contribuindo para uma boa qualidade de vida dos cidadãos. Então, propôs que todas as construções tivessem seu próprio terraço-jardim. Com quase um século de existência, o conceito de telhado verde desenvolvido por Le Corbusier é mais atual do que nunca. Em tempos de crise ambiental, cada um pode fazer sua parte colaborando para sua comunidade e o planeta.

Para te incentivar a deixar sua casa mais verde, selecionamos 5 motivos que vão fazer você querer transformar o seu telhado em um “organismo” vivo.

Motivo 1: Os telhados verdes purificam o ar
Com uma cobertura coberta por vegetação, sua casa, além ter sua pegada ambiental reduzida, contribui para a limpeza do ar absorvendo gás carbônico e liberando oxigênio.


Motivo 2: Sua casa mais fresca
Os telhados verdes funcionam como um controlador térmico fazendo com que o calor gerado pela insolação seja reduzido consideravelmente. Ou seja, um telhado verde funciona como um ar condicionado natural.


Motivo 3: Captação de água da chuva
Por ser coberto por vegetação e uma camada de terra, o telhado verde possui uma grande capacidade de retenção de água da chuva. Com a ajuda de um coletor (aprenda a fazer aqui), essa água pode ser reaproveitada de várias maneiras.


Motivo 4: Isolamento acústico
Além de ser um purificador de ar, o telhado verde ainda contribui para o conforto interno da residência reduzindo a poluição sonora gerada pelo ruído de carros e outros veículos.


Motivo 5: A biodiversidade no telhado da sua casa
Além dos motivos listados à cima, os telhados verdes contribuem para a manutenção da biodiversidade. Segundo estudos realizados pelas universidades Barnard College, Columbia University, Fordham e Universidade do Colorado, as coberturas com vegetação abrigam centenas de espécies de fungos além de aves, esquilos e outros animais.


Uso de telhado verde pode reduzir impactos de ilhas de calor

Pesquisador comparou dois edifícios em São Paulo

São Paulo – O uso do telhado verde pode ser um instrumento importante para reduzir os impactos de ilhas das calor formadas especialmente em grandes centros urbanos, indica estudo da Universidade de São Paulo (USP). Ao comparar dois prédios da capital paulista, um com área verde e outro com laje de concreto, o geógrafo Humberto Catuzzo verificou que a temperatura no topo do edifício com jardim ficou até 5,3 graus Celsius (°C) mais baixa. Também houve ganho de 15,7% em relação à umidade relativa do ar.

“Se imaginarmos que está fazendo 25°C no prédio com telhado verde e, no de concreto, 30°C, isso faz uma grande diferença dentro daquele microclima”, disse o pesquisador e autor da tese de doutorado com esse tema. Catuzzo destacou que não é possível definir exatamente o impacto que a iniciativa teria, se fosse expandida, mas observou que as diferenças de temperatura e umidade constatadas na experiência foram muito significativas. “Poderia melhorar a questão climática ou ambiental daquela região central”, ressaltou.

Os edifícios analisados foram o Conde Matarazzo, sede da prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, e o Mercantil/Finasa, na Rua Líbero Badaró, cuja laje é de concreto. Os dois prédios, localizados na margem direita do Vale do Anhangabaú, foram escolhidos por estarem sujeitos a condições atmosféricas e de insolação semelhantes. No topo dos edifícios foram instalados sensores a 1,5 metro do chão (padrão internacional), que, durante um ano e 11 dias, mediram a temperatura e a umidade relativa do ar na área dos dois telhados.

De acordo com Catuzzo, a ilha de calor existente no centro de São Paulo eleva em até 10°C a temperatura na região durante o verão. “O concreto, o pavimento, a grande circulação de veículos fazem com que essa área tenha um aquecimento maior em relação a outras”, disse. O uso de telhados ecológicos solucionaria também o problema da falta de espaços no centro que pudessem abrigar áreas verdes.

No estudo, Catuzzo comparou os dados do prédio da prefeitura com as informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Nesse caso, o telhado verde, mesmo estando em área central, apresentou menor aquecimento e maior umidade relativa do ar. A variação mais significativa foi 3,2°C mais frio e 21,7% mais úmido.

Segundo o pesquisador, essas áreas absorvem cerca de 30% da luz irradiada pelo sol. “Parte [da energia] é retida pelas plantas, até pela questão da fotossíntese, e uma menor quantidade de calor é emitida de novo para a atmosfera”, disse Catuzzo à Agência Brasil. Sem a vegetação, o concreto recebe a energia solar, fica aquecido e emite novamente calor, ou seja, está aquecendo ainda mais.

Além do ganho em termos climáticos, o telhado verde pode contribuir para a redução do uso de energia. “Aumenta-se o conforto térmico no interior dos edifícios e, consequentemente, reduz-se o uso do ar-condicionado”, exemplificou Catuzzo. Também melhora o escoamento pluvial, que é fundamental especialmente para uma cidade que sofre com enchentes. “A água da chuva escoa mais lentamente para as galerias.”

Para o geógrafo, a expansão do uso desse tipo de telhado pode ajudar na formação de corredores ecológicos nas grandes cidades, interligando várias coberturas às áreas preservadas, como praças e parques. “No 14° andar de um prédio, existe vida. São pássaros, como sabiás e bem-te-vis. Há todo um ecossistema, mesmo que reduzido, funcionando perfeitamente. Ver a cidade mais verde significaria ganho de qualidade ambiental para a comunidade como um todo.”

A instalação de um telhado verde, no entanto, não pode ser feita sem cálculos para verificação de qual o modelo mais adequado de acordo com as condições estruturais do prédio. “O da prefeitura, por exemplo, é um telhado verde intensivo, que tem um peso maior, com árvores de porte médio a alto”, explicou Catuzzo. Existem outros tipos de cobertura vegetal, como a extensiva, com o uso de grama; e a semi-intensiva, com plantas de porte arbustivo, além da grama.



Telhados ecológicos

Os telhados ecológicos e os jardins nos telhados existem há milhares de anos, lembra dos jardins suspensos da Babilônia (uma das sete maravilhas do mundo)? Usavam um elaborado sistema de irrigação para criar um jardim paradisíaco com terraço ao lado de fora da atual Bagdá. Europeus do norte já escolheram telhados tradicionais de grama para isolar as casas. Hoje em dia, os telhados ecológicos são predominantes ou obrigatórios em algumas partes da Europa. Na Alemanha, 14% de todos os telhados são ecológicos. Uma vista aérea da maioria das áreas urbanas apresenta uma variedade de coberturas de asfalto, alcatrão preto e cascalho. O calor irradia de telhados escuros e a água passa pelas superfícies duras e, de preferência, impermeáveis. Existe uma nova tendência que quebra a monotonia dos telhados comuns: as coberturas ecológicas. Há muito tempo populares na Europa, elas começaram a atrair a atenção de proprietários de imóveis, comércios e, até mesmo, de cidades como uma maneira interessante de promover o ambientalismo enquanto resolvem os problemas dos telhados convencionais.

Por que usar telhados ecológicos?
1.Por que eles substituem uma infra-estrutura pesada por uma que não só é mais eficiente como também é mais bonita e útil;
2. As coberturas ecológicas servem de refúgio para as pessoas que trabalham em escritórios, e são lugares para plantar jardins ou para que as pessoas que moram em prédios possam relaxar;
3. Mesmo onde eles não são acessíveis, criam belas vistas aéreas para os vizinhos ao redor e são lugares isolados e seguros para animais selvagens;
4. Reduzem os custos de energia com isolamento natural;
5. Absorvem a água da chuva, diminuindo a necessidade de sistemas de drenagem complexos e caros;
6. Aumentam a qualidade do ar (numa escala mais alta) e ajudam a reduzir o efeito da Ilha de Calor Urbana (um fenômeno em que o crescimento das cidades e dos subúrbios faz que o calor seja absorvido e armazenado);
7. Esses telhados duram mais do que os convencionais.

As camadas de um telhado ecológico precisam, como as de qualquer outro telhado, favorecer a drenagem e proteger a construção dos elementos da natureza por meio de uma membrana à prova d’água. Elas também precisam, no entanto, criar uma área de crescimento e oferecer apoio, irrigação e barreiras para a proteção das raízes, ao mesmo tempo que se mantêm o mais leve possível.

Existem dois tipos de telhados ecológicos:

1. Intensivos são basicamente parques elevados. Conseguem sustentar arbustos, árvores, passagens e bancos com suas camadas para suporte estrutural complexo, irrigação, drenagem e proteção das raízes. Existem apenas por seus benefícios ambientais e não funcionam como jardins de cobertura acessíveis. A média de crescimento de 0,31 m, ou mais, é necessária para um telhado ecológico intensivo cria um peso de 36 a 68 kg por 0,09 m²;

2. Extensivos são relativamente leves, com o peso de 7 a 23 kg por 0,09 m². Sustentam uma cobertura de solo nativo forte que exige pouca manutenção.

Não é novidade, cada dia as cidades ficam mais quentes, o planeta passa por um aquecimento, as mudanças climáticas, arquitetura e impermeabilização do solo causam a ICU (Ilha de Calor Urbana). O fenômeno cria uma ilha térmica onde a temperatura pode variar até +10 graus Celsius, nas cidade de clima frio esse fenômeno se torna benéfico, pois as ilhas de calor se formam a noite, reduzindo a necessidade de sistemas de aquecimento. Entretanto em regiões tropicais a ICU se forma durante o dia, o que não é bom, pois aumenta e muito a necessidade de ar-condicionado nas casas ou prédios.

A instalação de um telhado ecológico começa em U$ 88,00/m², infelizmente bem superior aos U$ 13,00/m² do telhado convencional, mas deixando de lado os fatores econômicos os benefícios são enormes.
Os telhados ecológicos, são uma ótima solução para reduzir a temperatura interna, um telhado convencional pode ter em sua superfície 32 graus Celsius ACIMA da temperatura do ar, ao passo que os telhados ecológicos podem ficar até mais frios. Depois de preparar o telhado ou laje, são fixados os módulos que necessitam de irrigação manual ou as lâminas que garantem um suprimento de água ao telhado.

Os benefícios dos telhados ecológicos estão encorajando proprietários de imóveis, comércios e cidades preocupadas com o meio ambiente a construírem coberturas ecológicas. Esses telhados evitam que a água escoe e que o esgoto transborde. A vegetação e o solo agem como esponjas, absorvendo e filtrando a água que normalmente formaria goteiras e encheria ruas poluídas e sistemas de esgoto sobrecarregados. As plantas do telhado ecológico removem as partículas do ar, produzem oxigênio e oferecem sombra. Usam energia calorífica durante a evapotranspiração, processo natural que resfria o ar à medida que a água evapora das folhas da planta. A evapotranspiração e a sombra produzidas pelas plantas ajudam a eliminar o efeito da Ilha de Calor Urbana criado pelo excesso de superfícies reflexivas e impermeáveis nas cidades e nos subúrbios. Se os telhados ecológicos se tornarem uma iniciativa comum nas construções, as cidades podem reduzir os efeitos incômodos das Ilhas de Calor Urbanas.



Há mais de mil anos, vikings já faziam casas com "telhado verde"

Vilas inteiras eram construídas com pedras e madeira, recobertas por vegetação

Quando pensamos em vikings, a primeira imagem que nos vem a cabeça é a de um exército de guerreiros ferozes usando armas e capacetes com chifres. Mas você sabia que esses famosos escandinavos também foram grandes construtores de telhados verdes?

As fotos que vemos são reconstituições do que seria a arquitetura sustentável viking praticada muitos séculos antes da utilização de terraços jardins na arquitetura moderna ou dos parâmetros de sustentabilidade do certificado Leed. As edificações tradicionais ficam localizadas em L’Anse aux Meadows ("Caverna das águas vivas", em tradução livre), no extremo norte da ilha de Terra Nova, no Canadá. O vilarejo é um sítio arqueológico declarado como patrimônio mundial pela Unesco em 1978, que reúne alguns exemplos de como as cidades do povo nórdico eram formadas.

L’Anse aux Meadows, que quase pode passar despercebida aos olhos de um observador (devido à camuflagem natural), já foi uma pequena cidadela movimentada com oito edificações construídas pelos vikings cerca de cinco séculos antes da chegada de Cristóvão Colombo ao continente americano. Como as construções originais datam um período muito antigo, foram erguidas reconstruções a partir de estudos históricos e arqueológicos, e vestígios encontrados no local. Segundo essas pesquisas, as casas eram feitas com pedras e madeiras locais e seus telhados eram cobertos por vegetação gramínea, que servia como um isolante natural.

Atualmente, o sítio é aberto a visitação e, dentro das casas, são expostos objetos utilizados pelos vikings.





Pelo mundo:
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Aqui pelo Brasil:
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Para quem vai começar:
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Mais informação aqui no blog:
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A casa sustentável é mais barata - parte 06 (captação de águas pluviais)
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A primeira imagem da postagem é do telhado verde da Universidade de Cingapura, que já foi considerado o mais bonito do mundo, mas me deixa pensando em como fazer o mesmo no Pavilhão de São Cristóvão e a segunda é de uma singela casinha hobbit nas Faroe Island.

2 comentários:

Catarina H. disse...

Muito boa a sua informação, muito completa como sempre :) Basta olhar para o passado e ver que os telhados ecológicos são o mais correcto. Devia ser obrigatório em todas as cidades. Ajudava nalguns problemas que têm as cidades (nomeadamente poluição, recursos, alimentos, térmico...). É uma questão de divulgação e acho que as pessoas podem aceitar a ideia.
Eu estou tentando desmistificar o conceito de horta na varanda, mas nem todos os meus leitores têm a mente tão aberta, uma pena, não é tão difícil assim.
Beijos e um resto de boa semana!

adriano junior' disse...

Muito bom Carol! É indiscutível a necessidade de estarmos desenvolvendo projetos que auxiliam na preservação ambiental. O Teto Jardim tem um grande papel nessa história. Eu, como estudante de arquitetura, espero que todos os que entram para o mercado de trabalho, tenham essa consciência e sempre façam parte desse desenvolvimento. Ótima matéria, bem detalhada e muito importante. Citei sua matéria em meu blog, parabéns!!

http://archpratica.blogspot.com.br/2016/02/teto-jardim.html