sexta-feira, 10 de abril de 2015

Prós e contras do agave orgânico

Eu nunca comprei agave, achava caríssimo aquele frasquinho plástico e por preferir comprar localmente, nunca me animei. Aos que buscam alternativas orgânicas caríssimas e do outro lado do mundo, um lembrete: não existe sustentabilidade na dieta além dos 150km. Se o que você come, vem de muito longe, deixa de ser sustentável pela pegada de carbono no impacto da logística de transporte.

Pior, a partir do momento em que determinado alimento é encarado como a panaceia, criam-se indústrias acerca e o que era um produto natural da agricultura familiar vira um substrato industrial que devastou áreas nativas e movimenta cartéis e lobistas com viés verde e engajado.

Aqui no blog, você encontra muitas receitas, de cheesecake a mousse de chocolate, sorvetes de todos os sabores e tortas Floresta Negra totalmente sem sacarose do açúcar branco, todas feitas em melado de cana, rapadura e, às vezes, geleias cruas de frutas secas (a pasta de frutas secas hidratada, mais comum em tâmaras) ou pûres de frutas assadas (mais comum em banana e maçã). E só, nada de mel de abelhas, frutose, adoçantes sintéticos e produtos tidos como milagrosos.
Eu adoro maple syrup, o xarope de bordo, mas não costumo usar para cozinhar porque é caríssimo, como o açúcar de coco também é. Ambos são deliciosos e muito recomendados em substituição, mas impraticáveis do ponto de vista financeiro na hora de bater um bolo que pediria 2 xícaras de qualquer um dos dois.

Faz-se açúcar de tudo, até da beterraba, o que era muito comum na Europa até o século XIX, quando o advento da plantação de cana de açúcar nas colônias da América substituiu a cultura. Muitos pesquisadores e historiadores dão à cana, que foi ciclo econômico como a borracha e o ouro no Brasil, uma importância tão grande quanto qualquer outra commoditie, inclusive a mão de obra escrava, que também exportamos para o resto do mundo. A cultura da cana no Brasil é tão entranhada em nossa economia que, dela fizemos combustível como o álcool e mantivemos toda uma estrutura fundiária baseada na figura do usineiro. Nosso primeiro Presidente da República democraticamente eleito após 21 anos de Ditadura Militar era filho, neto e bisneto de coronéis de engenho, que transformaram nosso sertão e agreste num curral eleitoral, sinônimo de atraso e subdesenvolvimento dessa cultura agrícola que escraviza crianças..

Existem ainda fontes de malte de cerais, como a cevada e o arroz, muito tradicionais principalmente no Oriente e até agora, sem críticas. Mas não são produtos exatamente fáceis de serem encontrados no Brasil. E daí, nós voltamos ao ponto inicial, comprar localmente o que é sazonal e da agricultura familiar. Se você mora em estado com forte colonização japonesa, onde o Amazake (mel de arroz integral com consistência de pudim) é facílimo de ser encontrado na feirinha da agricultura familiar, receita trazida de navio e passada de geração em geração, ótimo! Eu não tive essa sorte, infelizmente. Então, sigo comprando melado orgânico e ralando minhas rapaduras nordestinas compradas na Feira de São Cristóvão, atração turística imperdível do Rio de Janeiro. 







O artigo mais completo que encontrei até agora foi o do site "Comece a emagrecer" de autoria do Dr. Mauricio Garcia, Médico (CRM-RJ 52.69397-9), que transcrevo na íntegra abaixo. Se estiver com tempo, dê uma olhada também nos outros links, há muitos sites médicos oficiais chancelando o artigo.

Xarope de agave: pior do que você pensa.


Durante muito tempo, as pessoas acreditaram que o xarope de agave fosse ​​um tipo de adoçante super saudável.
No entanto, hoje em dia já se sabe que ele pode ser ainda pior do que açúcar! Isso lembrando que os efeitos nocivos do açúcar estão entre as poucas coisas que a maioria dos especialistas em saúde concordam.

Então imagine…
Ao tomar conhecimento dessa informação, muitas pessoas buscam alternativas mais saudáveis para incluir o gosto doce em seus alimentos e ainda assim afinar a cintura.
Por isso, todos os tipos de outros adoçantes tornaram-se populares, tanto os naturais quanto os artificiais, alguns mais e outros menos saudáveis.
Um desses substitutos muito usados em algumas comunidades é o néctar do agave, que também serve como adoçante em produtos industrializados, inclusive, naqueles tidos como saudáveis.
Era até mesmo considerada uma opção aos diabéticos, mas a “indústria do xarope de agave” esconde os seus reais malefícios.
Para entender melhor, vale dizer que o agave é uma planta de origem mexicana, a mesma que serve para produzir a tequila, que é fabricada através da fermentação dos seus açúcares.
Naquele país também se usa esse adoçante como mel, ou seja, mel de agave.
No entanto, o problema está quando a planta é processada e refinada, momento em que perde praticamente todos os seus nutrientes. Esse é o caso do xarope de agave. 

Como é feito o xarope de agave.

Além de xarope de agave, o produto recebe ainda o nome de adoçante, mel ou mesmo néctar, sendo que essa última denominação é a mais precisa.
Além disso, a sua forma de fabricação é bem distinta daquela empregada tradicionalmente pelo povo mexicano.
A única semelhança é o processo de arranque.
Depois de arrancada, a planta é levada ao local de produção do xarope de agave, onde ela é cortada e espremida para extrair o seu líquido açucarado.
Além de açúcar, a agave é fonte de compostos saudáveis, ​​como frutanos, que são benéficos ao metabolismo.
No entanto, quando ao ser processada, a planta perde essas substâncias benéficas, já que ela recebe altas temperaturas.
O processo de fabricação do xarope de agave é similar aos métodos empregados na fabricação de outros adoçantes não saudáveis.
Portanto, o adoçante vendido como néctar de agave não é verdadeiramente “néctar”, mas sim, um adoçante altamente refinado e concentrado, processado feito a partir do néctar do agave.
Para ter ideia de quão problemático é o xarope de agave, vale dizer que ele engana, pois o seu índice glicêmico é baixo.
Essa medida de refere à quão rapidamente o açúcar em um alimento entra na corrente sanguínea.
De modo geral, quanto maior o índice glicêmico de um alimento, maior o pico de açúcar no sangue e, por consequência, pior será para a saúde.
Além disso, ao contrário da glicose, a frutose, que está em altos níveis no xarope de agave, não vai diretamente para a corrente sanguínea e, portanto, não eleva o açúcar no sangue ou os níveis de insulina no curto prazo.
É por isso que os adoçantes feitos à base de frutose são muitas vezes comercializados como “saudáveis” ou “para diabéticos”.
Quase todo o açúcar do xarope de agave é frutose, assim, o seu índice glicêmico é baixo.
No entanto, o índice glicêmico é somente um dos fatores a considerar quando se olha para os efeitos na saúde de adoçantes.
Os níveis de frutose são ainda mais relevantes, sendo que no xarope de agave é de 85%, o que é muito maior do que o açúcar comum.
Vale dizer que o açúcar e o xarope de milho são outros produtos ricos em frutose, sendo que contêm dois açúcares simples: metade glicose e metade frutose.
Embora esses dois tipos de açúcares sejam muito semelhantes, eles têm efeitos completamente diferentes no corpo.
A glicose é uma molécula extremamente importante.
Ela é encontrada em muitos alimentos saudáveis ​​(como cenouras e batatas) e o corpo também a produz, para nunca faltar.
Na verdade, cada célula viva no planeta tem glicose, porque essa molécula é absolutamente vital para a vida.
No entanto, enquanto todas as células do corpo humano podem metabolizar a glicose, o fígado é o único órgão que consegue metabolizar a frutose em quantidades significativas.
Assim, ingerir uma grande quantidade de frutose pode causar estragos na saúde metabólica.
O fígado fica sobrecarregado e começa transformar a frutose em gordura.
Grosseiramente comparando, é mais ou menos o que acontece com o fígado de gansos alimentados à força para produzir o foie gras, ou seja, um fígado gorduroso.
Tudo isso quer dizer que, embora a frutose não eleve os níveis de açúcar no sangue, em curto prazo pode contribuir para a resistência à insulina quando consumido em grandes quantidades.
O resultado disso é um significativo crescimento nos níveis de açúcar no sangue e insulina a longo prazo, elevando fortemente o risco de síndrome metabólica e diabetes.
Algo importante a ressaltar é que nada disso se aplica às frutas, que também possuem frutose.
O organismo está bem equipado para lidar com as pequenas quantidades dessa substância encontrada nas frutas.
Mas como vimos, o consumo em excesso de frutose, que pode acabar acontecendo ao abusarmos do xarope de agave, pode trazer sérias consequências.
Assim sendo, é complicado referir-se ao xarope de agave como algo “saudável”.
Melhor pensar duas vezes antes de consumir.


Outros links:
http://www.healthline.com/nutrition/agave-nectar-is-even-worse-than-sugar
http://renegadehealth.com/blog/2008/11/25/is-there-corn-syrup-in-agave-nectar/ 
http://ecopypaste.blogspot.com/2010/02/agave-nectar-worse-than-we-thought.html 
https://www.alimentatubienestar.es/sirope-de-agave-un-endulzante-peor-que-el-azucar/
http://www.answers.com/topic/saponin http://www.westonaprice.org/Agave-Ne...e-Thought.html 
http://renegadehealth.com/blog/2009/08/14/agave-re-revisited-more-on-raw-agave-high-fructose-corn-syrup-and-how-fructose-effects-the-liver/



Sites médicos, recomendo mais:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25965509
http://www.webmd.com/diet/the-truth-about-agave
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2991323/
http://www.foodrenegade.com/agave-nectar-good-or-bad/
http://blog.doctoroz.com/dr-oz-blog/agave-why-we-were-wrong
http://www.globalhealingcenter.com/natural-health/is-agave-nectar-safe/
http://www.drweil.com/drw/u/QAA401166/Whats-Wrong-with-Agave-Nectar.html
http://www.huffingtonpost.com/dr-jonny-bowden/debunking-the-blue-agave_b_450144.html
http://articles.mercola.com/sites/articles/archive/2010/03/30/beware-of-the-agave-nectar-health-food.aspx




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