quinta-feira, 11 de julho de 2013

Leites Vegetais x Leite animal





Minha opinião pessoal sobre consumo de leite:

Todo bebê deve mamar até os 6 meses e a amamentação pode e deve continuar até os 2 anos. 
O homem é o único animal que mama a vida toda, que mama após ter dentes para fazer a alimentação sólida e pior, que mama de outras espécies.

O mais ridículo, leite humano tem gosto fraco e aguado, a criança para de achar graça conforme vai crescendo, o que mostra que está sentindo necessidade de comida de verdade. 

Hoje, os rebanhos são criados confinados com hormônios de crescimento, antibióticos e alimentados com ração de grãos transgênicos e capim plantado com agrotóxico. A era do pastoril acabou na década de 50.


Observe que só as folhas e flores da abóbora contém 4 vezes mais cálcio do que a mesma quantidade de leite de vaca. E o país com a menor taxa de osteoporose do mundo é o Japão, onde não há vacas e cultura de consumo de lácteos. 


A cultura do queijo e da manteiga é européia e foi desenvolvida como alternativa alimentar para os meses de frio intenso e neve, onde a terra não produzia alimento necessário e as vacas ficavam confinadas na mesma casa da família. Não existia uma vaca no Brasil até os portugueses chegarem de caravela nessa terra cuja primeira descrição oficial foi "uma terra em que se plantando, tudo dá."


Eu sou contra consumo de leite, até porque já se come muito queijo, e para beber leite convencional, cheio de hormônios e antibióticos, além do pus das tetas de vacas que sofrem oficialmente de mastite, acho mais jogo beber leites vegetais. Mais jogo para o meu organismo e para o bem estar das pobres coitadas das vaquinhas, que não têm nada com isso.


Então, fiquei muito feliz quando li a notícia abaixo:

Harvard retira laticínios do Prato de Dieta Saudável


Os especialistas de nutrição e investigadores de Harvard que o guia alimentar da universidade está baseado numa nutrição sã investigada ao pormenor e mais importante ainda, livre da pressão de lobbies e grupos industriais. A maior evidência disso é a total ausência de lacticínios no seu novo guia para uma dieta saudável devido ao facto de "um consumo alto destes alimentos [lacticínios] aumentar significativamente o cancro da próstata e dos ovários".
Os investigadores da Harvard referiram ainda que os altos níveis de gordura saturada na maioria dos lacticínios e os componentes químicos da sua produção os tornam um alimento a evitar devendo ser substituídos por  legumes verdes (nomeadamente couve, repolho, bróculos, etc), soja enriquecida e grãos de várias espécies para se obter o cálcio necessário e de qualidade. 
Os nossos parabéns pela coragem de Harvard em provar que se deve aumentar o consumo de vegetais e frutas em detrimento de alimentos manipulados pelas grandes corporações que nos querem fazer acreditar que são essenciais à vida. Não se trata de propaganda vegan até porque o mesmo estudo guia de nutrição salientam a necessidade de ingestão de proteínas da carne branca e de peixe, feijão e nozes.
Trata-se de vencer a pressão dos lobbies das grandes empresas que controlam há demasiados anos o destino da saúde american e mundial através de instituições alegadamente isentas como a USDA, mostrando-lhes o que de facto é a saúde.

Outras fontes confiáveis:
No mínimo, você nunca mais vai consumir laticínios do mesmo jeito.
Em um excelente trabalho, a ONG chilena “Elige Veganismo” conseguiu reunir um material polêmico e inédito na América do Sul sobre a indústria do leite e seus derivados. Os ativistas chilenos se infiltraram como trabalhadores em mais de uma dúzia de pequenas, médias e grandes empresas de leite em seu país. O resultado de meses de gravação já era esperado mas, ainda assim, surpreende e choca.
O vídeo documentário que resume o trabalho da “Elige Veganismo” tem 30 minutos e pode ser assistido no Youtube. Nele, os ativistas contam as etapas da vida de vacas e seus filhotes nessa indústria.

Inseminação
Para ter leite, assim como uma mulher, uma vaca precisa estar “grávida” (ou prenha, como dizem). Para manter as vacas em um ciclo em que possam ser ordenhadas e exploradas, os criadores inseminam artificialmente estes animais. O processo é, obviamente, invasivo e estressante.

Mastites
Por serem constantemente ordenhadas por máquinas e consumirem rações que fazem com que a produção de leite cresça acima do normal da espécie, as vacas sofrem de doenças relacionadas a inflamações e inchaços dolorosos.

O nascimento das crias e a separação
Antes do nascimento das crias, as vacas são diariamente ordenhadas por máquinas para fornecer leite ao produtor. Quando nascem os bebês, os fazendeiros separam imediatamente os filhotes de suas mães. Os que não são mortos, choram pela presença de suas mães por até 20 dias. Estes são os órfãos do leite. As mães, por sua vez, continuam berrando por suas crias por dias.

Filhotes macho: morte. Filhote fêmea: exploração e morte
Se o filhote for macho, está fadado a receber uma injeção que o mata, pois simplesmente não tem valor comercial no ciclo da indústria do leite. Alguns deles são destinados à produção de vitela (tipo de carne branca apreciada como iguaria). A vitela, embora seja uma carne bovina, é considerada branca por ser deficiente em ferro. Os bezerros machos são criados amarrados e em uma dieta com zero de ferro para que sua carne se torne macia, com músculos pouco desenvolvidos. Este processo dura alguns meses e o bebê macho é morto enquanto ainda é um bebê. Portanto, a carne de vitela é branca e macia porque vem de um animal anêmico e que é forçado a ficar parado por toda sua pequena vida.
Se a filhote for fêmea, é encaminhada para outra área da fazenda onde vai crescer em espaços minúsculos para logo começar a ser inseminada e explorada como sua mãe foi e recomeçar o ciclo. Ainda bebês, têm seus chifres brutalmente impedidos de crescer: os fazendeiros passam uma espécie de pasta cáustica que faz com que as filhotes se contorçam de dor por horas. Nos chifres, estes animais têm milhares de terminações nervosas. Depois, um empregado esfrega um ferro quente na área para “matar” o chifre.

No final, o destino é o mesmo dos animais considerados “de corte”: o matadouro
Nas fazendas investigadas no Chile, a vida média das vacas leiteiras é de 5 anos. São 5 anos de dor, exploração e angústia. No final, elas simplesmente são descartadas como carne barata.

Padrão na indústria, inclusive no Brasil
Infelizmente, as cenas conseguidas nas mais de 12 fazendas visitadas no Chile não são casos isolados. Estes fatos apenas reforçam tudo que já havíamos visto em países europeus e norte-americanos. No Brasil, onde foram produzidos apenas em 2010 mais de 20 bilhões de litros de leite, os processos são parecidos. Muda o jeito de “descartar” o bezerro macho de uma fazenda para a outra, muda o tratamento para melhor ou para a pior aqui ou ali, mas a exploração é o foco do negócio e a crueldade é parte do manejo.

Infelizmente, nosso país é disparado o maior produtor de leite de vaca do mundo. O Brasil, sozinho, explora mais do que o dobro de vacas que toda a União Europeia somada, que vem em segundo lugar.

A investigação chilena deu origem a este site: www.huerfanosdelaleche.com


Na embalagens, uma fazendinha feliz. Na rotina da empresa, exploração e assassinatos.
A fazenda São José, que produz a marca de leite Fazenda Bela Vista, é a propriedade que tem a maior produção de leite do Brasil e tem os mais modernos equipamentos do setor. Em uma matéria publicada no site do programa Globo Rural em 2011, o já falecido fundador do negócio explica, ao lado de seu neto e sucessor, alguns processos que levaram seu negócio ao êxito financeiro. Ao explicar como consegue retirar, em média, 26 litros por dia de cada uma das 2.430 vacas em lactação, ele revelou, entrelinhas, algumas práticas monstruosas que passam desapercebidas pela maioria das pessoas. Sem a intervenção humana, uma vaca não produziria mais que 3 litros de leite por dia, o suficiente para seu filhote.

Assim como uma mulher ou qualquer outra fêmea de um animal mamífero, a vaca só produz leite quando tem um filhote. Ao todo, a fazenda São José tem 6 mil vacas que são inseminadas artificialmente e exploradas até o momento do descarte (morte). Cerca de ⅓ das vacas sempre estão em lactação. Além das quantidades astronômicas de grãos e outros alimentos que estes animais consomem (135 toneladas de comida por dia), chama a atenção o manejo dos filhotes.

Em algumas propriedades leiteiras, os filhotes que nascem machos simplesmente são descartados, mortos para virar algum tipo de gordura ou triturados para virar ração. Na fazenda São José, ao que parece, eles acharam mais rentável criar os bezerros machos e as novilhas (filhotes fêmeas) até os 180 dias. Nessa idade, ainda bebês, os machos são assassinados e as fêmeas vão para a primeira inseminação artificial, para começar o ciclo de cria e exploração de seu leite. Os filhotes passam apenas 12 horas com a mãe, para que seja liberado o colostro, que é congelado e pasteurizado. Depois, os filhotes são separados da mãe e enviados para baias individuais. O colostro é um alimento especial preparado pela natureza para as primeiras horas de vida de um bebê mamífero, porém, na indústria leiteira ele é congelado e pasteurizado.

A reportagem do Globo Rural não revelou, no entanto, qual o destino dos corpos dos filhotes machos e do colostro roubado das mães. Provavelmente, os bezerros machos são vendidos como vitela, uma carne branca e com pouco desenvolvimento muscular (de filhote).
Todos estes dados são de uma propriedade que é modelo no setor leiteiro. Ainda assim, a exploração e morte dos animais é parte do negócio. Na maioria dos casos, é muito pior.

Conheça os números da fazenda São José
Produção de leite: 65 mil litros/dia
Vacas em lactação: 2.430 cabeças
Média de produção/vaca/dia: 26 litros
Consumo de silagem (milho, soja e outros alimentos) e feno: 135 toneladas/dia
Consumo de água: 900 mil litros/dia
Rebanho total: 6 mil animais
Mão de obra: 56 funcionários


















Mas eu vou beber o que? Ades?
Não, Ades não. Nada de soja por sinal.

Primeiro, entenda porque soja é um dos muitos mitos da alimentação natural: Soja é desnecessário

Lembre então que o Ades é um produto industrializado, cheio de conservantes, aromatizantes e ainda por cima açucarado e embalado em tetrapack. Nada se salva nele, nem o fabricante, afinal a Unilever é uma empresa que testa seus produtos de limpeza e higiene pessoal em animais.


Para entender a bronca com açúcar refinado: Mamãe não passou açúcar em mim!

E porque tetrapack deveria ser crime ambiental: Lata d´água na cabeça




Receitas de leites vegetais caseiros saudáveis e baratas:
Leite de pinhão
Leite de coco caseiro
Leite de castanha do Pará


Leite de Aveia
2 xícaras de aveia em flocos
3 xícaras de água filtrada
Deixe de molho por meia hora, bata no liquidificador e coe. Junte passas claras ao molho se quiser adoçar sem escurecer. 
Eu faço creme de espinafre usando poucos ingredientes: espinafre picado refogado em alho-cebola no azeite, leite de aveia e temperos simples como sal, pimenta e noz moscada



Leite-creme de Arroz
Cozinhe 1 xícara de arroz integral para 4 de água. Bata no liquidificador. Se quiser mais ralo, dilua em água. Mais grosso, leve a evaporar. Com rapadura, canela, castanhas e passas é pudim dos mais gostosos.


Leite-creme de Inhame
Cozinhe 1 inhame descascado em 1 litro de água, espere esfriar e bata tudo no liquidificador. Pode ser servido quente ou frio com canela e melado, bata uma banana para dar sabor se gostar. Usando 2 inhames por litro de água, vira molho branco se refogado em cebola e temperado com sal e pimenta.


Leite de Gergelim ou Semente de Girassol
2 xícaras de água
4 colheres de sopa de sementes de gergelim
Deixe as sementes de molho na água por mais ou menos 3 horas. No liquidificador, bata por 3 minutos. Coe. Dá para usar também sementes de girassol sem as cascas.


Uma maneira simples de adoçar leites vegetais é deixar frutas secas no molho e depois bater tudo junto, passas claras não alteram a cor, e esse bagaço é ótimo de ser incorporado às massas de bolos e pães.



Queijos e manteigas: 
Queijo de Pinhão 
Peanut Butter de tahine com melado de cana
Maioneses de inhame, cenoura, abacate e ovos
Manteiga de Castanha do Pará com Huile de Noix
Manteigas de legumes caseiras: alho, cebola, berinjela, cogumelo Paris
Pestos e Olivitas italianas, Tapenades francesas e o Salmorejo madrileño
Cheesecake em 12 versões: ricota, coalhada, macadâmia, amêndoas, pecans, castanhas, abacate e cacau




O blog Clube do Cabelo e Cia ensina a fazer manteiga e óleo de coco com um tutorial simples a partir do filme abaixo:



Uma das autoras do site, Adriana Volpi, foi quem me enviou o link e deixou o seguinte comentário:
"Estamos corrigindo a receita do blog, porque eu não gosto daquela fritura final, prefiro assim:
depois de batido tudo, coloco para esfriar, formar aquela capa branca, retiro a capa, coloco EM BANHO MARIA, deixo ferver um pouco somente para derreter e poder coar. Logicamente ficam restos de materia grossa do coco, mas mantenho os ativos intactos. Faça e vai gostar mais ainda."




Para substituir o creme de leite nas receitas em creme, o portal Terra deixou as 5 sugestões abaixo:

5 substitutos mais saudáveis para o creme de leite
1. Abacate
2. Feijão
3. Banana
4. Coco
5. Raízes

Não estranhe, antes do século 20, pouquíssimas receitas levavam leite ou queijo, eram produtos caros e de acesso difícil. Para que se encontre creme de leite enlatado nas prateleiras dos supermercados ao custo de um cacho de bananas, foi preciso montar a agroindústria descrita no início da postagem. Os crimes ambientais acontecem quando a demanda popular os permite. O mundo é o que você come e compra.
As comidas em creme tradicionais brasileiras não levam 1 lata de creme de leite e sim, cremes obtidos a partir de inhame, aipim, batata cozida ou mingaus de grãos como fubá, arroz e féculas.


Seguem então as minhas receitas que já andaram por aqui justamente fazendo essa substituições:
Smoothies
Delícias quentinhas
Mousses de fruta sem açúcar
Pão de queijo em batata baroa
Abacate: as receitas mais faceis
Patês de grão de bico e feijão branco
Bolinhos de feijão: kibe, falafel e abará
Rabanada vegana de banana ou em ovos com leite de coco
Caldos em raízes e cereais: a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso 
Cheesecake em 12 versões: ricota, coalhada, macadâmia, amêndoas, pecans, castanhas, abacate e cacau





Para comprar no supermercado como último recurso, lembre que é em tetrapack e que todo produto industrializado-importado deixa uma pegada muito maior pelo CO2 emitido com combustível fóssil na logística de transporte:
São todos deliciosos e orgânicos, o de milho nem adoçado com agave da agricultura biológica é, mas os de amêndoas, castanhas e avelãs são. Lembram aquele chocolate Ferrero Rocher inclusive, é preciso se controlar para não virar de um gole só. O de coco é com arroz, que dá uma textura grossinha, outra delícia.









Para quem mora no exterior:  How To Make Your Own Organic Hemp Milk



Mais um filme (com caderno de receitas): Forks over Knives (Troque a faca pelo garfo)


A primeira imagem é do Coletivo Verde, as duas seguintes estão presentes em dezenas de sites pelo google images. Aparecendo seus autores, damos os créditos imediatamente.



Mais informação:
Kefir e Iogurte
O mito da proteíina
Refrigerante caseiro
O mundo é o que você come
O mundo é o que você compra
Mel de abelhas x Melado de cana
Os prós e contras do agave orgânico
Imagem do ano na RIO+20: Dra Vandana Shiva bebendo Ades inocentemente


Um comentário:

Cleufe disse...

Carol, te sigo há algum tempo. Estou sem plavras... Só posso agradecer e esperar que mais e mais pessoas tomem consciência. Da minha parte, estou caminhando, mas ainda tenho muito a mudar. Mas cada dia fica mais forte o sentimento de que não temos o direito de "satisfazer" nossos sentidos, apetites e vaidades à custa de vidas, seja de um mamífero ou um inseto.