domingo, 20 de novembro de 2011

Para entender o vazamento da Chevron no Rio de Janeiro

Aqui no blog, não é segredo que eu trabalhei embarcada. Nunca escrevi especificamente sobre isso, o que é uma falha, mas tampouco escondi. Agradeço muito por esse período da minha vida, moldou meu caráter e me ensinou lições que eu espero nunca esquecer, especialmente sobre sustentabilidade.
Mas essa vai ter que ficar para outro dia. Hoje, eu vou descer a lenha em termos bem técnicos. Vamos logo ao que interessa:

Só no Brasil, a maior empresa de Petróleo do país é referência ambiental e sustentável. Eu assisto aos comerciais na tv e tenho vontade de rir, mais parecem documentários da Fundação Cousteau ou da NatGeo, não se mostra nem óleo de soja fritando batata, quanto mais óleo mineral em estado bruto.

De uma vez por todas: não existe prospecção de petróleo "verde".

Aliás, não existe razão para continuar investindo em perfurar em alto mar, quando o combustível fóssil é emissor de CO2 e o próprio processo é altamente arriscado. As reservas não vão durar mais 100 anos e faz-se mais do que necessário partir para alternativas mais viáveis, por viáveis entende-se "limpas" e acessíveis a população. Se o barril de petróleo não está em alta e, em volume por litros, 1 litro de água mineral no supermercado é mais caro do que o litro individual do mesmo barril de petróleo negociado em bolsa, não seria mais inteligente tratar logo de implantar sistemas de captação de águas pluviais e reúso de águas cinzas em todo país ao invés de lavar calçadas com mangueiras em dia de chuva?

Todas as pessoas que conheci enquanto embarcava me perguntavam "Mas e aí, você já viu algum vazamento? Pode contar que a gente não espalha."
Eu sempre devolvi essa pergunta inocente com outra "Você já viu alguma praia onde tem marina ou porto ser limpa?" Onde tem barco, tem óleo e onde tem plataforma, tem muito óleo - é mais fácil me perguntar se algum dia não vazou pelo menos 1 filete de diesel.

Quem melhor descreveu minha indignação foi o pessoal do Ecodebate no artigo "Vazou petróleo? E qual a surpresa?"


Vamos aproveitar o ensejo para desmistificar outros pontos críticos:
1. O petróleo não é nosso. Nem meu, nem seu e menos ainda do governo estadual do RJ, ES, etc.
Se os tais royalties tivessem sido realmente usados para obras de benfeitoria ou pelo menos manutenção dos municípios outrora contemplados, Campos do Goytacazes e Macaé deveriam estar parecendo Dubai e Abu Dabi. Não estão, aliás mais parecem o Acre e o Piauí (com todo respeito aos acreanos e piauienses).
Macaé mal tem calçamento, o aeroporto consegue ser pior do que o de Cabo Frio (cidade de veraneio e balneário da classe B e C do R.J.) e a única rodoviária da cidade não tem sequer uma marquise, além de medir 50m2 e ser abrigo de mendigos e cercada por um camelódromo de muamba. 
Pior, a cidade alaga em qualquer chuvinha e o esgoto sobe, navegando livremente pelas ruas.
Essa que vos escreve já morou temporariamente por exatos 22 dias em Macaé, para fazer cursos de reciclagem na área, a cidade não tem sequer um cinema. Se sobram empregos em Macaé, é porque ninguém quer se mudar para lá, por dinheiro nenhum.
Atente que o município vizinho de Rio da Ostras, que não recebeu 1 centavo desses propalados royalties, se desenvolveu mais e de forma mais inteligente do que a favelizada Macaé. Rio das Ostras, que era outro balneário de segunda divisão, aproveitou que muita gente da área de petróleo não gostava de morar em Macaé e ofereceu loteamentos a preços baixos. A cidade cresceu a partir desses primeiros "petroleiros" que foram morar lá, perto da praia boa (e longe de Macaé). Hoje, acontece até Festival Anual de Jazz em Rio das Ostras. Sim, de jazz, não é micareta.

2. Segundo Rockfeller, fundador da Standard Oil e que entendia muito mais de capital e gestão do que essa blogueira modesta, que abandonou uma faculdade de Economia pela metade: “O melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada; o segundo melhor é uma empresa de petróleo mal administrada".
Quando uma empresa de petróleo (pública ou privada) polui, quem limpa sua sujeira é o governo e quem administra o prejuízo a longo prazo é a população local. Numa empresa de petróleo, só quem sai ganhando são os acionistas. E se o governo é o principal acionista dessa empresa, como acontece no Brasil, não é contribuinte que recebe participação nos lucros e rendimentos aos final do exercício anual.



  

Obrigado pelo vazamento, Chevron 

O título é apenas uma versão mais radical do comportamento da imprensa brasileira, até agora, em relação ao vazamento de petróleo junto à plataforma de perfuração da Chevron-Texaco no Campo de frade, ao largo de campos, no Rio de Janeiro. Mesmo com a determinação da presidenta Dilma Rousseff para que fosse investigado, na sexta-feira, o assunto, quando não é ignorado pela mídia, é abordado em matérias que se parecem press-releases de um empresa que, além de demorar mais de 24 horas para tornar público o problema, chegou a dizer que o fenômeno era “natural e que, até agora, não deu infomações básicas sobre as circunstâncias do acidente.

Não deu, reconheça-se, porque aparentemente nenhum jornal o pediu.
Ao contrário, reproduzem assim os releases da companhia:
“Chevron mobiliza equipe global para conter vazamento”.Este é o título da matéria do Estadão, reproduzida pela Exame (Abril), enquanto o G1, do grupo Globo, destaca: Frota de 17 navios tenta controlar mancha após vazamento no RJ.
Para colaborar, este Tijolaço ajuda com uma lista de perguntas à empresa, que não foram feitas desde quarta feira passada.
1- A que profundidade (na lâmina d´água e no solo marinho)estava sendo feita a perfuração próxima ao vazamento?
2-Esta perfuração já tinha registrado depósitos  de óleo? A que profundidade?Em caso positivo, houve injeção de fluidos pressurizados para testes de vazão?
3- Até que profundidade o poço seria perfurado?
4- A perfuração era revestida e cimentada, como prevê o estudo de impacto ambiental apresentado pela companhia em seu plano de exploração?
5- O mesmo estudo, elaborado pela consultoria Ecologus, refere-se à presença de muitas falhas geológicas no campo de Frade, inclusive ao fato de três poços perfurados pela Chevron-Texaco terem sofrido desvios por conta de existência de fraturas no subsolo. Havia falhas geológicas detectadas junto a este poço nos estudos sísmicos efetuados?
6- Considerando que a empresa prevê a a perfuração em “batelada”,  onde os poços são perfurados até um determinado ponto, tampados e abandonados para perfuração de outro, próximo, para que todos estejam em etapas semelhantes e os custos sejam reduzidos, havia outras perfurações próxima, revestidas e tampadas, como prevê o estudo apresentado pela empresa ao Ibama?
7- Em que condições a plataforma Sedco 706, construída em 1976 e que já foi chamada pelo Wall Street Journal de obsoleta e aproveitável apenas como “motel marinho” foi reaproveitada no campo de Frade? Qual a razão de seu aluguel ser de US$ 315 mil dólares dia, cerca de 50% menor que o cobrado pelo aluguel de sondas ultraprofundas no mercado internacional? Porque a contratação de uma sonda capaz de perfurar até 7.600 metros, quando as ocorrências de óleo no Campo estão todas à metade desta profundidade?
8- Porque a empresa, que afirma ter detectado no fundo oceânico a “exsudação” de petróleo não libera as imagens do vazamento ou da mancha por ele provocada? Como foi estimada a quantidade de petróleo vazada?
9- A frota alegadamente enviada para deter o vazamento é composta de que embarcações? Qual a sua finalidade, apenas espalhar bóias de retenção? Aspergir diluidores sobre a mancha? Alguma delas tem equipamento para selar a fenda de onde brotaria o óleo? Em caso negativo, como a empresa espera que o vazamento cesse? Se ele pode parar naturalmente, isso tem relação com a paralisação dos trabalhos de perfuração?

Certamente estas e outras perguntas não foram feitas à Chevron por incompetência dos jornalistas, que as teriam feito – e muitas outras – se o poço fosse da Petrobras.

Mas, como é da Chevron, só falta nossos jornais, além de louvarem o esforço da empresa em parar um “desastre natural”. como chegou a dizer a empresa, agradecerem pelo acidente que mostra como a petroleira americana ainda nos faz o favor de tampar, embora não possamos apressá-la, não é?


A posição do Greenpeace:

Foi registrado na Bacia de Campos, um vazamento de cerca de 60 barris de petróleo da empresa Chevron Brasil, a 120 km da costa do Espírito Santo. Suspeita-se que o acidente, ocorrido no campo de Frade (próximo ao campo de Roncador, operado pela Petrobras), tenha sido causado por uma falha geológica. A petrolífera suspendeu temporariamente as atividades de perfuração e diz estar trabalhando na contenção do material. Ela afirma não acreditar que o óleo chegará à costa. Mas quem garante?

Segundo nota emitida pela empresa, a produção no campo não está relacionada com a mancha de óleo. Por isso, as atividades foram mantidas. Segundo uma fonte do setor, que teve acesso à notificação do acidente para a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o volume vazado foi pequeno. Mas isso não quer dizer que seja menos danoso ao meio ambiente. A ANP está investigando o acidente.

A Chevron começou a produção no campo Frade em 2009. A companhia lidera a operação na área, que contém uma reserva estimada em 200 milhões a 300 milhões de barris de petróleo. A Petrobras tem uma fatia de 30% do campo. A porta-voz da Chevron Brasil, Heloisa Marcondes, afirmou que "O vazamento se deve a uma rachadura no solo do oceano. É um fenômeno natural". O que não é natural é o mal que esse tipo de vazamento causa à biodiversidade marinha e à população.


O vazamento poderia ser maior:

Vazamento da Chevron no Rio pode ser dez vezes maior do que o declarado
O Greenpeace lembra que a plataforma SEDOC 706 que perfura três poços da Chevron é da mesma empresa que estava a serviço da BP no Golfo do México, no pior vazamento de petróleo da história da exploração em alto mar. Leandra Gonçalves, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace, questiona:“A causa ainda é desconhecida. A Chevron declara que o vazamento é resultado de uma falha natural na superfície do fundo do mar, e não no poço de produção no campo de Frade. Mas essa falha natural não aparecia no Estudo de Impacto Ambiental (EIA). O que aconteceu em Frade para a ‘falha natural’ começar a jorrar petróleo? Onde está o EIA de Frade, para que a população possa acessá-lo?”



O Brasil não está preparado para acidentes ambientais

O Brasil não está preparado para evitar ou conter vazamentos de petróleo: o investimento em tecnologia preventiva é exíguo e o Plano Nacional de Contingência, embora previsto em lei, nunca saiu do papel. Para especialistas, o derrame de óleo da americana Chevron deve servir como alerta para corrigir o despreparo, tanto de empresas como dos órgãos de controle, visando aos desafios do pré-sal.

— Governo e empresas têm dado ênfase na pesquisa de prospecção de petróleo e pouco se tem avançado no desenvolvimento de tecnologia preventiva. Precisamos de robôs, sensores e outros equipamentos que consigam identificar vazamentos com precisão, de modo a permitir uma rápida reposta — diz o historiador ambiental Aristides Soffiati, do núcleo de estudos socioambientais da UFF de Campos.
É preciso criar um comitê independente de diagnóstico

O vazamento da Chevron no campo do Frade, na Bacia de Campos, é um exemplo desse despreparo. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO que acompanham a investigação, o robô da empresa tinha capacidade limitada de atuação a uma profundidade de 1.200 metros. Por isso, ela teve de recorrer à Petrobras, sócia minoritária do Frade e operadora de um campo vizinho, para identificar a fonte do vazamento com precisão. Foi a estatal que emprestou à petrolífera americana equipamentos mais modernos para que ela pudesse pôr em prática seu plano de contenção.

O desencontro de informações sobre a extensão do vazamento — a Agência Nacional do Petróleo chegou a estimar que o derrame era cinco vezes maior que o divulgado pela Chevron — é outro indício de despreparo. Para Segen Estefen, diretor de tecnologia e inovação da Coppe/UFRJ, os órgãos reguladores devem ter um comitê independente de diagnóstico, para não depender dos números fornecidos pela empresa responsável pelo acidente.

— Não é preciso que a ANP ou o Ibama tenham os equipamentos de monitoramento. Mas eles devem eleger previamente uma empresa independente capaz de fazer o diagnóstico e acioná-la nesses casos — afirma Estefen.

Os especialistas esperam que o acidente da Chevron seja um divisor de águas para se avançar na regulação, num momento em que, com o pré-sal, o país caminha para a exploração em águas cada vez mais profundas. Eles lembram que a legislação brasileira de controle de poluição por óleo existente só foi desenhada a partir de um dos piores acidentes já registrados no Rio: o derrame de mais de um milhão de litros de petróleo na Baía de Guanabara, após o rompimento de um oleoduto da Petrobras, em 2000.

Desde então, houve alguns avanços, reconhece a procuradora federal Telma Malheiros, que implementou e chefiou por quatro anos a coordenação de óleo e gás do Ibama, responsável pelo licenciamento ambiental no setor. Um deles é a exigência de um Plano Emergencial Individual (PEI) — desenvolvido pela concessionária para cada unidade ou instalação — entre os pré-requisitos para obtenção da licença. O Plano Nacional de Contingência e a avaliação ambiental estratégica, no entanto, ficaram apenas no papel.

Pressão de empresas emperra fiscalização
O plano nacional, explica Telma, é um planejamento detalhado da atuação de cada um dos órgãos que devem ser envolvidos em caso de vazamento de óleo. Cabe à Marinha, por exemplo, interditar o tráfego de embarcações nos arredores do local do acidente. À ANP cabe o acompanhamento operacional da contenção. Os ministérios da Pesca e do Turismo, bem como o Ibama, também devem ter suas atuações detalhadas, pois o derrame pode comprometer a atividade pesqueira e turística. Um grupo de trabalho chegou a ser montado em 2010, após o mega-acidente da BP no Golfo do México, mas a inércia das autoridades impediu que ele fosse à frente.

Já a avaliação ambiental estratégica é o mapeamento das áreas segundo sua vulnerabilidade. Por meio dela, definem-se as áreas de exclusão e aquelas onde o controle deve ser mais rígido, devido à sensibilidade dos ecossistemas. Telma recorda que, recentemente, o Ibama indeferiu o licenciamento para exploração de petróleo em Abrolhos, requisitado pela Fairfield, e para exploração na Bacia de Camamu-Almada (BA), pedido pela americana El Paso. No primeiro caso por causa da importância ambiental do ecossistema. No segundo caso, por causa da relevância turística da região.

— Essas áreas não deveriam sequer terem sido licitadas pela ANP — diz Telma.

O biofísico José Luiz Bacelar Leão, que era consultor do Ibama na época em que a instituição estava desenhando o atual marco regulatório, frisa que as leis e decretos não saíram do papel "por falta de vontade política" e por pressão das empresas.

Investir em emergência é sempre uma despesa a mais. É tradição no nosso país evitar esse tipo de desembolso, e a ANP acaba trabalhando em prol das empresas.



Como o problema está sendo resolvido:

Chevron nega usar método ilegal para limpar vazamento no Rio
Acusada pelo secretário do Ambiente do Rio, Carlos Minc, de estar usando jatos de areia para limpar a mancha de óleo vazado na bacia de Campos (RJ), o que seria ilegal, segundo a Polícia Federal, a petroleira americana Chevron negou que seus navios utilizem esta técnica.

Ela consiste em jogar areia sobre o óleo para que ela se misture a ele e, com o peso, o leve ao fundo do mar. "É como empurrar a sujeira para debaixo do tapete", disse o delegado da PF Fábio Scliar, responsável pelo caso. "É mais um crime ambiental."
A denúncia do secretário foi feita ontem, após ele sobrevoar a área para observar o vazamento e os trabalhos de contenção e limpeza.

Texto oficial da secretaria do Ambiente afirmou que "Minc pôde observar que seis navios realizavam jateamento de areia sobre a mancha de óleo para acelerar a sua dispersão mecânica".
Procurada pela Folha, a Chevron afirmou que os navios que estão fazendo a limpeza "não usam areia nem dispersantes para controlar a mancha".

"As embarcações empregam métodos aprovados pelo governo brasileiro, que incluem barreiras de contenção, 'skimming' [técnica para retirar o óleo da água] e técnicas de lavagem, para controlar, recolher e reduzir a mancha", disse a Chevron em comunicado oficial, no qual afirma também que já foram recolhidos "mais de 250 metros cúbicos de água oleosa".

De acordo com a multinacional, 18 navios estão tentando conter a mancha de óleo e não permitir que ela se espalhe. Oito seriam são da própria Chevron e outros 10 cedidos pela Petrobras, Statoil, BP, Repsol e Shell.



O Histórico do quadro:

O caso não é o primeiro incidente do gênero no Brasil. A história da indústria petroleira no Brasil guarda em sua história tragédias como a explosão da plataforma P-36, da Petrobras, em março de 2001, que deixou 11 mortos, e um duto que se rompeu na Baía da Guanabara e despejou 1,3 milhão de litros de petróleo em janeiro de 2000.
Se comparado ao vazamento ocorrido em uma plataforma da BP no Golfo do México, no ano passado, o caso do Campo de Frade é de pequenas proporções. "Mesmo assim é preocupante. Acidentes na cadeia de petróleo sempre causam impacto”, diz o ambientalista Carlos Bocuhy. Um detalhe que une os dois casos, porém, é que tanto BP quanto Chevron contrataram a mesma empresa terceirizada para a perfuração de poços, a Transocean.



Chevron assume a responsabilidade: Vazamento na Bacia de Campos ainda não cessou e Minc quer descredenciar a Transocean

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou neste domingo (20) que ainda continua o vazamento de óleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos, no Norte Fluminense. A petroleira americana Chevron já assumiu a responsabilidade pelo acidente e declarou que o vazamento foi provocado por um erro de cálculo.

A Chevron diz que o vazamento está em fase residual, e que até a noite deste domingo já havia sido retirado 385 metros cúbicos de água com óleo.

A ANP afirmou que, “com base na análise de hoje [domingo] dos filmes do ROV do dia 19/11 e informações do Comandante da Marinha embarcado no Skandi Salvador, que monitorou 400 m de fissura hoje pela manhã, pode-se afirmar que a vazamento ainda não cessou em alguns pontos. A mancha de óleo continua se afastando da costa”.

O Secretário de Meio Ambiente do estado do Rio, Carlos Minc, relembrou que a Transocean também foi a empresa contratada pela British Petroleum, quando houve o derramamento de óleo no Golfo do México, em 2010. O G1 não conseguiu um contato com a empresa Transocean para ouvi-la a respeito das declarações do secretário Minc.

A Chevron também é investigada sobre as técnicas utilizadas para a remoção da mancha, que segundo denúncias, não seriam adequadas. Por meio de nota, a companhia informou que “as embarcações empregam métodos aprovados pelo governo brasileiro, que incluem barreiras de contenção, skimming e técnicas de lavagem, para controlar, recolher e reduzir a mancha. As embarcações já recolheram mais de 250 metros cúbicos de água oleosa proveniente da mancha. Os barcos não usam areia nem dispersantes para controlar a mancha”

A Polícia Federal já instaurou um inquérito para apurar as responsabilidades da Chevron no vazamento e na retirada do óleo na Bacia de Campos. Na segunda-feira (21), Carlos Minc vai se encontrar com o delegado Fábio Scliar, da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente e o Patrimônio Histórico (Delemaph), responsável pelas investigações do caso.

A empresa pode ser indiciada por crime ambiental duas vezes, caso fiquem comprovados a responsabilidade no vazamento de óleo e o uso de técnicas que agridem o meio ambiente, na remoção da mancha. Fábio Scliar detalhou que a pena para este tipo de crime pode ser a proibição da empresa de participar de licitações de áreas do pré-sal nos próximos cinco anos, além de reclusão de 1 a 4 anos.




Mais informação:
Vazamento de óleo no Golfo do México  
O lado B da energia eólica em larga escala  
Como funciona uma corporação e como o que você consome, implica nisso 
O mito da autossuficiência em petróleo: No país do Pré-sal, a gasolina mais cara do mundo
Lataria e um caminho sem volta: Projeto do pré-sal brasileiro está entre os dez mais 'sujos' do mundo
Petrobras anuncia descoberta de Petróleo na Amazônia e Greenpeace lança Atlas "A geografia do conflito". 
A Transocean, empresa proprietária da plataforma petrolífera que explodiu e originou uma maré negra no Golfo do México no ano passado, decidiu recompensar os seus dirigentes com aumentos salariais e prêmios, depois de considerar 2010 o seu “melhor ano” em questões de segurança.

10 comentários:

CaCo disse...

A imprensa só investiga quando lhe interessa. Quando não, ela só informa... de forma imparcial, 'claro'.
E aí, fica difícil, porque as pessoas vêem o desastre acontecer, mas nem ao menos refletem sobre o óbvio.
Como me ensinaram na minha 5ª série em geografia, a partir do momento que sofreu intervenção humana, não é 'natural'. Não há nada de natural em um acidente ocorrido em uma estrutura que sofre exploração humana.
A situação está realmente insustentável, só essa palavra realmente se encaixa ao contexto. Agora, é díficil visualizar uma mudança sem que haja incetivo à educação.
As pessoas estão inertes a isso, porque é díficil entender e sensibilizar a população num todo para esses assuntos, por falta de incentivo ao uso dos neurônios mesmo.
Por mais que ajam campanhas como esta de Belo Monte, com artistas falando sobre o impacto ambiental e tudo mais, isso é muito pouco. Aliás, não gosto dessa abordagem, porque é um tipo de conscientização meio por modinha, e não porque o cara entendeu que aquilo é importante para a sua vida e para a vida de toda a humanidade.
Somos reféns da imprensa, somos reféns do poder público, que não toma providências devidamente enérgicas, somos reféns de multinacionais que destroem a nossa biodiversidade, o que está acontecendo? Quem somos nós realmente?

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Caco, é o mito do desenvolvimento sustentável. Não existe desenvolvimento sustentável. Se desenvolve, impacta. O que pode ser feito é diminuir o tamanho desse imapcto ambiental ao máximo.

E como disse o Denis Russo "apaixonados por carro como todo brasileiro é propaganda de posto de gasolina".

Bjs

Anônimo disse...

A principal pergunta é: Pq precisamos de uma empresa americana, que não tem condições de retirar óleo em águas profundas (p/ não dizer que, não tem condições nem de pesquisar), só quer saber dos lucros e não tem conhecimento p/ tal empreitada e quandoestá em apuros, pede ajuda à..Petrobrás!!?!,se temos a empresa que sabe fazer isso como ninguém no planeta?? Isso é um trabalho p/ quem tem compatência, isso é um trabalho p/ Petrobrás! Agora, outra coisa que noto é que, a imprensa não procura o PSDB e DEM que fizeram a besteira de abrir o setor aos estrangeiros.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

É um horror quando alguém escreve dessa maneira, aos berros e anonimamente, como um paladino da loucura humana...

Vou responder a essa postagem infeliz com 3 perguntas:
1. Por que durante 8 anos de governo Lula, a Petro não primeirizou toda a sua mão de obra e continuou mantendo 3\4 de empregados terceirizados, segundo o próprio balanço social da empresa (não invento nada)?
2. Se a Petro desenvolveu uma tecnologia tão avançada assim de prospecção sustentável, por que não a patenteou, fazendo disso uma fonte de lucro e até de prospecção limpa para outras empresas que arrendam os blocos que ela (Petro) leiloa em território nacional?
3. Para que continuar insistindo em prospecção (limpa ou não) e em partidos políticos (de esquerda, centro ou seja lá o que for), esse modelo está realmente dando certo?

Você poderia (e deveria) ter dito tudo que colocou acima, mas de outra forma.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Olha a sociedade especificada em contrato:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19034

Não tem santo nessa história, de lado nenhum.

Andrea Cavalcanti disse...

Muito bom texto, bem informativo. Obrigada por compartilhar as suas impressões, Carol, como alguém que já esteve bem perto da produção de petróleo.

E aí, depois de ler isso tudo, eu ainda tenho que ler no Globo: Presidente da Chevron diz que está ‘magoado’ com a ANP (por causa da decisão de suspender temporariamente as perfurações da empresa no país). Ah, tadinho...

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Ele já sabia que ia ser bode expiatório quando assinou esse contrato.
Vai ver que até por isso é mais interessante deixar o abacaxi na mão dos gringos...

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Ao petista anônimo, as estatísticas:

http://oglobo.globo.com/economia/vazamentos-da-petrobras-dobro-do-oleo-derramado-pela-chevron-3332275

Não existe prospecção sustentável, estatal ou privatizada.

Anônimo disse...

‘Governo brasileiro abriu mão do controle da política econômica do petróleo’


ESCRITO POR GABRIEL BRITO, DA REDAÇÃO
QUARTA, 07 DE DEZEMBRO DE 2011

O Correio da Cidadania entrevistou o economista e estudioso da área petrolífera Wladmir Coelho. Dono de blog que publica artigos sobre o assunto, Wladmir denuncia o caráter depredador e imediatista da exploração do ouro negro, dentro de um bizarro quadro de duas legislações para o setor: uma para o Pré-Sal, e outra para o petróleo que já se havia descoberto. A despeito da ninharia dos royalties, ambas as leis têm em comum o entreguismo e o objetivo de manter intactas as reservas e lucros de multinacionais cada vez mais desesperadas por novos pólos de exploração petrolífera.
http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6596:manchete071211&catid=34:manchete

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Viu como é mais jogo deixar na mão dos gringos?
Dá mais grana e, se vazar (em todos os sentidos), o bode espiatório já tem carapuça.

E o óleo ainda vaza:
http://portalmaritimo.com/2011/12/13/chevron-ainda-vaza-oleo-em-frade/