domingo, 24 de julho de 2011

O mito das emissões de carbono neutralizadas



Carbono Zero e outras Balelas
No rastro dos debates das grandes questões ambientais, como sempre acontece, logo surgem os oportunistas surfando a onda com criativos produtos e belas campanhas de marketing. Como a bola da vez é o Aquecimento Global e as Mudanças Climáticas, a onda agora é prometer compensar (ou neutralizar) as emissões de carbono e gases do efeito estufa com o "mágico" plantio de árvores.
 
Como Slogan, é muito bonito e reconfortante dizer que o plantio de árvores neutralizará totalmente as emissões de carbono de um evento ao público ou as emissões dos gases de efeito estufa do carro ou do avião que o transporta. Mas será que é verdade? Ainda que essas promessas possam ter-lhe convencido, e trazido algum alívio para a consciência pesada, pare por alguns instantes e pense. Resgate seu bom-senso.
 
Em primeiro lugar, tenha a exata noção da seguinte premissa: se todos nós quisermos seguir esse mesmo caminho "preservacionista", não haverá área suficiente para plantar todas as árvores necessárias. O que significa dizer que essa não é uma solução viável para o Planeta. Mas tudo bem, vamos admitir que somente um parte seguirá esse caminho. Nesse caso, qual é a garantia que você tem de que a empresa responsável irá plantar as mudas das árvores? Quais espécies serão plantadas e em que áreas? Quem delas irá cuidar durante os longos 20 ou 30 anos que levarão para tornar-se adultas? Ou você não sabia que no cálculo que aponta o número de árvores necessárias para neutralizar suas emissões gasosas, ou seja, para concretizar a prometida compensação, utiliza-se o coeficiente de captura de CO2 da árvore adulta?
 
E mais; dependendo da espécie, esse coeficiente será bem diverso. Quem lhe garante também que suas árvores chegarão à vida adulta? Aliás, quem lhe garante que a empresa responsável (contratada) pelo plantio estará viva e cuidando das suas árvores daqui há 20 ou 30 anos? Infelizmente, você não obterá respostas satisfatórias a todas essas dúvidas. Não está-se falando aqui, e é bom que fique bem claro, de empresas e projetos sérios nessa área e dos programas de recomposição da mata nativa e de reflorestamento.
 
A recuperação das áreas degradadas, especialmente nas encostas dos morros e entornos de rios e mananciais, e o replantio feito pela indústria de papel e celulose são ações que devem sempre ser incentivadas e apoiadas.
 
 
Entretanto, se até o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) critica o forte apelo de marketing das campanhas de Carbono Zero, o caminho não pode ser o insidioso discurso: "continue consumindo e gerando emissões de carbono sem preocupações; nós limparemos sua barra plantando árvores". Seria ótimo para todos nós se pudesse ser assim. Mas não é. Não há outro caminho sustentável de longo prazo senão o consumo consciente, a preservação dos recursos naturais e a reciclagem dos materiais e resíduos. Pense nisso! Não se deixe levar por soluções oportunistas e milagrosas.
 
Associe-se, contribua e participe de ações, entidades e projetos atuantes e respeitados por seu longo e verdadeiro trabalho em favor da Natureza.
 
 
Por Marcelo Szpillman, Instituto Aqualung
 
 
 
"Alguns ambientalistas duvidam da validade e eficácia do mercado de compensação e, por ser um mercado crescente, é difícil julgar a qualidade dos fornecedores e projetos. As árvores nem sempre vivem uma vida inteira, projetos de compensação (para a contenção a longo prazo de emissões) às vezes falham e empresas de consultoria, às vezes, enganam seus clientes. Além disso, atividades voluntárias podem facilmente se tornar uma desculpa para se comportar mal sem se sentir culpado por isso."
 
Fonte: How stuff works


"Mas atenção: sempre existiu gás carbônico na atmosfera. O problema é o excesso, que começou a aparecer com a revolução industrial e só tem piorado à medida que o mundo se moderniza."

Fonte: Planeta Sustentável




Mais informação:
O SNUC
Como funciona uma termoelétrica
O mito do óleo de palma sustentável
O mito do reflorestamento de eucalipto
Como funciona um programa de compensação ambiental
O fim da polêmica: O Aquecimento Global existe de fato
Greenwashing, a mentira verde da publicidade sustentável
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem
Antropoceno, a era geológica em que o homem desregulou a Terra
Biblioteca online básica sobre Permacultura, bioconstrução e agroecologia
Agronegócio perde em eficácia para a agricultura familiar: o mito do agrobusiness


 
Mais Marcelo Szpillman:
Incidentes com Tubarões em Recife
Águas vivas - Como agir em caso de acidente
Tubalhau, um contrassenso em fernando de Noronha
Alerta de tubarões em Cabo Frio: necessário ou excesso de zelo?

4 comentários:

Flávia Amaro disse...

Ok. Carol, confirmo a compra de 1 exemplar. Deixe me confirmar, o valor do livro com o frete é r$15,00? Amanhã pela manhã farei a transferência para a conta:
Ag: 3187
Conta Corrente: 2953-4
"Carolina Daemon Oliveira Pereira".
Mas aqui, você não tem nenhuma conta do banco do Brasil não, né? Ficaria mais fácil para mim, porque eu só transferiria. Nesse caso, como eu procedo, devo ir a uma agência da Caixa e fazer o depósito pessoalmente? Desculpa mais sou uma negação nessas burocracias. Abraços. Att, Flávia

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Flavia, vc tb pode depositar nas lotéricas, a Caixa tem convênio.
Bjs

Anônimo disse...

Os exemplos deveriam vir do poder público que não tem o menor problema em autorizar desmatamentos em áreas imensas pra instalação de novas fábricas que gerarão novos empregos, áreas onde se assentarão novas famílias, ou áreas de cultivo, pasto etc e tal. Nada contra o progresso, mas face à situação de risco ambiental, necessário estudo a fim de minimizar os efeitos desastrosos à natureza. A prática é instala-se e depois se vê. Fora que não conheço empresa reflorestando sem alguma ordem jurdicial atrás.
Difícil ser otimista.
Abs.
Ana Maria

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

E Belo Monte, que desmata mais a área nativa do que a pecuária toda sozinha? É brincadeira... só falta os programas de reflorestamento serem feitos em eucalipto sugador de lençol freático, aí é o fim.