quinta-feira, 10 de março de 2011

Entre Rios: Os projetos de transporte urbano coletivo e fluvial em Florianópolis e São Paulo



Após notificar que Porto Alegre é a primeira cidade do país a desenhar um projeto de transporte urbano fluvial, chega a vez de uma escolha óbvia desafogar seus engarrafamentos na ponte Hercílio Luz, Florianópolis:

A chegada de uma embarcação catamarã, em março, à Palhoça é o primeiro passo para a tentativa de se implantar o transporte marítimo na região da Grande Florianópolis. A iniciativa do Prefeito do Município, Ronério Heiderschedit, ganhou o apoio de Biguaçu e da Câmara de Vereadores de Florianópolis.

Segundo Heiderschedit, a embarcação tem condições ideais para operar na região das baías sul e norte e representa uma economia de tempo e dinheiro. A catamarã será implantada também entre as cidades de Porto Alegre e Guaíba, no Rio Grande do Sul, onde o trajeto que de carro demora 50 quilômetros, cai para 20 minutos de barco.

A embarcação deve chegar a Palhoça entre os dias 20 e 25 de março, quando a população, representantes dos municípios vizinhos, Marinha e Superintendência do Patrimônio da União terão uma amostra de como ela poderá operar na Região Metropolitana de Florianópolis. A meta, segundo Heiderschedit, é de que o transporte marítimo esteja funcionando em seis meses.
— O usuário é quem vai ganhar com o transporte marítimo — defende o prefeito de Palhoça.

Heiderschedit usa o exemplo gaúcho para falar da viabilidade financeira da embarcação. No Estado vizinho, a viagem de cerca de 40 quilômetros custa R$ 6,50 de ônibus e R$ 7 de barco. O catamarã percorre 45 quilômetros por hora e tem 18 metros de comprimento por 6 metros de largura.


Comentário do Colunista Portal Marítimo – Espero sinceramente que o Prefeito de Florianópolis não coloque água nesse chopp vindo novamente dizendo que ferry boat em Floripa vai ligar o nada ao lugar nenhum. Declarações como esta só demonstram despreparo para a função e falta de visão. Vamos acordar. A bela Floripa merece isso. Chega de brincar de ser cidade grande. Está na hora de levar isso mais a sério. A não ser que tenha algo mais em jogo que o Excelentíssimo senhor Prefeito Dário Berger não queira revelar à Sociedade. Depois de uma declaração infeliz como essa, desperdício de espaço público, como é o caso da Passarela Nego Quirido, no Centro de Florianópolis e da árvore de Natal que não acendeu, podemos esperar de tudo.


Fonte: Portal Marítimo



Se pensou em outra escolha óbvia, São Paulo, margeada pelo Tietê e rodeada de represas, leia abaixo como as atuais marginais foram equivocadamente aterradas e que um projeto de transporte urbano coletivo e fluvial só será possível em 20 anos:

Os moradores de São Paulo não imaginam, mas poderiam cruzar a cidade em barcos em vez de ficarem presos nos engarrafamentos das marginais.

O arquiteto e urbanista Alexandre Delijaicov, professor da USP, pesquisou a origem das propostas de transporte fluvial, que datam do fim do século, e chegou a um projeto para o setor.

Segundo o plano, a capital paulista contaria com 600 quilômetros de canais navegáveis, ligando os rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí e as represas Billings, Guarapiranga e Taiaçupeba. Para Delijaicov, isso seria apenas resgatar uma vocação local. “Onde hoje fica São Paulo, os portugueses encontraram aldeias indígenas interligadas pelos rios”, diz.

A mudança veio em 1930, época em que tanto o Tietê quanto o Tamanduateí eram navegáveis. O urbanista culpa o prefeito Prestes Maia, que governou de 1938 a 1945, pela mudança de paradigma que transformou canais em avenidas como a 9 de Julho e 23 de maio e eliminou 4 mil quilômetros de riachos e córregos e o dobro de margens para o lazer.

Se o caminho escolhido tivesse sido outro, o município teria hoje parques fluviais, assim como os existentes em metrópoles como Paris, Londres e Amsterdã. Para o arquiteto, só o transporte fluvial de carga como entulho e lixo das estações de tratamento de esgoto já viabilizaria financeiramente o projeto, que teria um custo de 1 bilhão reais e levaria cerca de 20 anos para ser concluído.

Fonte: Portal Marítimo


Assista também ao filme Entre Rios, que conta de modo rápido como a cidade encontra-se recortada por tantos rios completamente desconhecidos e subutilizados pela população:


ENTRE RIOS from Caio Ferraz on Vimeo.




As fotos retratam engarrafamentos em ambas as cidades respectivamente: Florianópolis e São Paulo


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