sábado, 12 de março de 2011

Como sobreviver a um Tsunami e como a ação humana aumenta a incidência de terremotos



Eu não leio o jornal Extra, nem me identifico com a publicação, mas hoje foi a melhor manchete sobre o desastre ambiental no Japão: tsunami, terremoto e vazamento nuclear.


O El País está notificando o pior acidente nuclear desde Chernobil:
Fukushima vive el peor accidente nuclear desde Chernóbil

Las autoridades dan al incidente una categoría 4 en la escala internacional de 7.- Las autoridades evacúan a 45.000 personas y despliegan al Ejército en la zona.- El Ejecutivo reconoce pequeñas fugas radiactivas y se prepara para repartir yodo, un elemento eficaz contra el cáncer de tiroides.- La OMS dice que el riesgo para la salud es por el momento "bastante bajo"


Leia também COMO SOBREVIVER A UM TSUNAMI:

Um tsunami é uma série de ondas destruidoras e poderosas que resultam de um terremoto ou outra atividade subaquática (deslizamento, meteorito, atividade vulcânica, etc.). Eles algumas vezes são confundidos com marés, mas na verdade são ondas sísmicas. Em anos recentes, os tsunamis causaram danos incríveis. Para sobreviver a um tsunami, você deve estar preparado, vigilante e calmo. Este artigo lhe mostrará como fazê-lo, aprender e agir com presteza.

Passos:

1. Aprenda sobre o perigo em potencial. É importante saber se você vive ou não em um local que potencialmente pode ser afetado por tsunamis. Você corre algum risco se:

1.1. Sua casa, escola ou local de trabalho for em uma região costal, próxima ao mar.
1.2. A elevação de sua casa, escola ou local de trabalho for ao nível do mar ou relativamente baixa e com terreno levemente ondulado ou plano. Se não souber a elevação do local, tente descobrir. Algumas autoridades usam a elevação como indicador de aviso.
1.3. Existem sinais que indiquem que sua área é propensa a tsunamis
1.4. Suas autoridades locais têm informações sobre o potencial de tsunamis.
1.5. Barreiras naturais como os mangues foram removidos para o desenvolvimento.
1.6. A região já foi atingida por tsunamis no passado (pesquise na biblioteca ou no arquivo público). A FEMA tem um sítio que permite pesquisa online sobre inundações costais: Mapping Information Platform.
1.7. Sua casa, escola ou local de trabaho não são a prova de tsunamis.

2. Prepare-se antes. Se sua pesquisa indicar risco, prepare um plano de evacuação e um kit de segurança.

2.1. Prepare seu kit de segurança: Veja nos Materiais Necessários. Comida, água e um kit de primeiros socorros formam o básico. Mantenha o kit de segurança em um local óbvio, conhecido a todos do edifício, e fácil de acessar durante uma emergência. Pode ajudar deixar uma capa de chuva para cada pessoa perto do kit.
2.2. Prepare o plano de evacuação: um plano de evacuação deve estar pronto para ser usado. Ao criar um, pense em sua família, local de trabalho, escola e a comunidade em geral. Se nada estiver sendo feito, tome a iniciativa para fazer o plano de evacuação e insista que as autoridades locais participem. A falta de um plano de evacuação e os avisos locais aumentam as vulnerabilidades de sua comunidade. Estas coisas fazem parte de um bom plano de evacuação:

2.2.1.Discuta com su afamília, vizinhos e colegas de trabalho sobre como fazer a evacuação.

· Pratique para ver se todos os membros da comunidade entendem o que fazer durante uma evacuação.
· Faça um plano que garanta uma contagem de todos os membros da comunidade. Prepare para assistir as pessoas com necessidades especiais.
· Veja se os sinais de aviso e de evacuação são compreendidos pela comunidade - distribua panfletos ou faça palestras para que todos estejam alerta.
· Lembre-se de preparar rotas de fuga seguras no caso de um terremoto destruir a infraestrutura de trânsito, bloqueando algumas saídas.
· Veja que tipos de abrigos podem existir nas zonas de evacuação; será que é necessário construir estes abrigos?

3. Preste atenção aos avisos da natureza: eles podem indicar a aproximação de um tsunami. Em alguns casos, podem ser os únicos avisos que vai conseguir, pois as autoridades podem não ter a chance de preparar os procedimentos de aviso e evacuação. Seja responsável e mantenha sua família, amigos e colegas seguros. Os avisos naturais que prenunciam a possibilidade de um tsunami incluem:

3.1. Terremoto. Se viver em uma região costal, um terremoto deve iniciar alarme imediato com evacuação.
3.2. Pequenos tremores de terra. Mesmo se não houver um terremoto de verdade, tremores de terra fracos podem indicar um terremoto em alto mar.
3.3. O Ocenano Índico se afasta da costa do Sri Lanka antes de um tsunami
3.4. Uma flutuação rápida em águas costeiras. Se o mar voltar repentinamente (se afastar da costa), este é um aviso de primeira magnitude de que a água vai invadir a terra.
3.5. Comportamento dos animais. Esteja atento para animais fugindo anormalmente da área, procurando abrigo ou se agrupando quando normalmente não o fazem.

4. Avisos da comunidade e do governo. Se as autoridades locais tiverem tempo para dar o aviso, escute. Informe-se antes de como as autoridades irão avisar para que não o ignore ou confunda. Divulgue a informação para sua família, amigos, vizinhos e a comunidade. Se as autoridades tiverem panfletos ou brochuras, peça cópias para distribuir.

5. Aja. Se um tsunami bater em sua região, reaja imediatamente.

5.1. Fuja imediatamente da costa, lagos ou outros corpos de água próximos a costa.
5.2. Vá para dentro. Vá para solo mais alto ou até colinas e montanhas. Sempre mova-se para longe da costa.
5.3. Suba. Se não puder ir para longe da costa, vá para cima. Apesar de não ser ideal, você pode subir em um edifício alto e resistente. Suba o máximo possível, até o telhado se for o caso.
5.4. Suba em uma árvore forte. Como último recurso, se estiver impossibilitado de fugir, encontre uma árvore grande e forte e suba nela. Existe o risco das árvores serem arrastadas pela água, mas esta é uma alternativa somente para quando todas as outras acabarem. Quanto mais forte for a árvore, mais alto pode subir, e mais fortes serão os galhos e grandes suas chances de sobrevivência.

6. Reaja rapidamente se estiver na água. Se não conseguiu evacuar e estiver na água por alguma razão, estas coisas podem lhe ajudar a sobreviver:

6.1. Agarre algo que flutue. Usar um objeto flutuante como uma canoa para lhe manter acima da água. Objetos que flutuam podem estar na água com você.

7. Abandone seus pertences. Salve sua vida, não seus pertences. Irá perder tempo valioso tentando salvar objetos que podem impedir sua fuga. Pegue seu kit de segurança, algo quente, sua família e fuja imediatamente.

8. Fique longe pelo menos 12 horas, se não mais. Um tsunami vem em ondas. Podem haver muitas, muitas ondas durando horas e a próxima onda pode ser ainda maior que a última.

9. Tente se informar com fontes confiáveis. Escute o rádio para se informar. Não confie nos boatos. É melhor esperar que voltar cedo e ser pego por novas ondas.

10. Espere pelo aviso das autoridades. Elas irão lhe informar se é seguro retornar. Descubra como as autoridades irão dar o aviso. Estradas podem estar danificadas pela onda. Um plano de emergência deve prever rotas alternativas.

11. Resultado de um tsunami

Concentre-se em sobreviver depois do tsunami. Depois que ele passar, restarão detritos e estruturas destruídas. Podem haver corpos. Suprimentos de água doce podem ter sido salgados, destruídos ou bloqueados. Comida pode não estar disponível. A possibilidade de doenças, estresse pós-traumático, fome, ferimentos vai fazer o período após o tsunami tão perigoso quanto o próprio. Um plano de emergência deve informar como retomar a vida.

11.1. Planeje o abastecimento emergencial de água.
11.2. Abra edificações intactas aos outros. Ajude as pessoas desabrigadas.
11.3. Veja se geradores de energia e suprimentos de gás permitam cozinhar, higiene e reestabelecimento dos serviços básicos de saúde e transporte.
11.4. Abrigos e alimentação de emergência.
11.5. Socorro médico imediato.
11.6. Apagar incêndios.

Dicas

· Se estiver na práia e ver o mar recuar rapidamente, evacue de imediato. Não tente investigar, fuja na direção oposta.
· Ensine as crianças a reconhecer os sinais de um tsunami. Tilly Smith, de dez anos, salvou sua família e outras vidas no tsunami de 2004 porque ela prestou atenção na aula de geografia:
· Ao fugir do mar, avise o máximo de pessoas. Quando o mar recuar, vai demorar poucos minutos antes do tsunami chegar.
· Se um tsunami em alto mar for detectado, as cidades serão alertadas algumas horas antes do tsunami chegar.

Avisos

· Não espere os avisos. Se achar que um tsunami se aproxima, evacue imediatamente.
· A maior causa de morte no tsunami é afogamento. A segunda é concussão por detritos.

Materiais necessários

· Comida
· Água
· 1 kit de primeiros socorros por família ou grupo.
· Roupas secas e quentes e uma capa a prova d'agua ou ponchos - por pesssoa.
· 1 Lanterna e pilhas por família ou grupo.
· Travesseiro inflável por pessoa.
· Rádio a pilha ou manivela - por família ou grupo.
· Suprimentos emergenciais de comida e água.
· Abridor de latas.
· Dinheiro
· Medicamentos
· Telefone celular





Os humanos podem causar terremotos

Ano passado, uma reportagem mostrou que tremores podem ser impulsionados pela extração de petróleo. Como? Fazendo com que rochas se desloquem para espaços vazios deixados pelos fluidos extraídos.

Recentemente, espalhou-se um boato de que fãs de futebol americano provocaram atividade sísmica em Seattle, EUA. Não queremos saber o que eles estavam fazendo para conseguirem tal façanha, mas não podemos deixar de perguntar: afinal, os humanos podem ou não causar terremotos?

A resposta é sim. A natureza não está sozinha nessa. Segundo especialistas, existem muitas maneiras da atividade humana provocar terremotos.

A principal delas é através do preenchimento de grandes barragens. O peso da água que se acumula em uma represa exerce uma enorme quantidade de estresse sobre a terra abaixo dela. Ocasionalmente, a terra se desloca.

Na década de 1930, por exemplo, a construção da represa de Hoover, no Arizona, EUA, desencadeou uma explosão de atividade sísmica nas proximidades, que atingiu a magnitude 5 na escala de Richter. E em 1963, um grande terremoto de magnitude 7 abalou o reservatório de Koyna Dam, na Índia, logo após sua construção, matando 200 pessoas em uma cidade próxima.

Injetar fluido na crosta do planeta também pode induzir tremores de terra. Por um período de três anos na década de 1960, o governo americano injetou subprodutos (líquidos residuais) em fraturas de rochas nas Montanhas Rochosas, Colorado. Muitos terremotos começaram a ocorrer perto de Denver, e o governo teve que parar.

Da mesma forma, os projetos de energia geotérmica avançada fazem o chão tremer. Este processo envolve o bombeamento de água pressurizada para dentro da Terra para, em seguida, sugar o líquido aquecido para fazer turbinas a vapor que gerem eletricidade. Mas como as pessoas em Basel, na Suíça, descobriram em 2006, por vezes a fase de injeção pode provocar terremotos, especialmente quando o bombeamento está centrado em uma área já geologicamente ativa.

A extração de substâncias a partir do solo é outro fator que colabora para os terremotos. No final dos anos 1970 e 1980, a extração de gás natural em Gazli, Uzbequistão, causou três grandes terremotos de até 7,3 de magnitude, o maior evento sísmico já registrado na Ásia Central.

Só para terminar (mas é claro que não é o fim…) até mesmo arranha-céus podem perturbar a terra. Cinco anos atrás, dois abalos ocorreram em Taipei, Taiwan, logo após a construção do que era então o maior edifício do mundo, o Taipei 101. Os geólogos suspeitaram que o prédio e seu pequeno peso de 700.000 toneladas reabriram uma antiga falha, provocando os tremores


Homem também contribui?

Certamente, algumas atividades humanas aumentam o risco de terremotos, ou diretamente os desencadeiam. As barragens e diques artificiais, por exemplo, geram uma pressão importante sobre a crosta terrestre. O mesmo ocorre com os depósitos de resíduos, já que injetar líquidos no interior da Terra gera pressões adicionais. Para não falar das explosões nucleares subterrâneas...


Sismicidade Induzida

Além das forças naturais, certas ações do homem podem produzir terremotos localizados como as explosões nucleares. A formação de lagos artificiais, com o propósito de gerar energia, também pode gerar tremores de terra e este fenômeno é denominado sismicidade induzida por reservatórios (SIR).

Embora seja um fenômeno raro - são milhares de reservatórios para poucos casos de SIR - ele é considerado um perigo potencial já que existem barragens espalhadas por todo o mundo. Tempos atrás, acreditava-se que os lagos artificiais só podiam gerar sismos de pequena magnitude, associados exclusivamente ao peso da água neles contidas. Constatou-se depois que não se pode descartar a hipótese de uma relação entre terremotos catastróficos e enchimento de reservatórios. Por isso, o estudo da SIR tornou-se um campo de particular importância para as pesquisas sismológicas.

Possível mecanismo para geração de sismos induzidos
A construção da barragem cria um novo lago, que irá alterar as condições estáticas das formações rochosas do ponto de vista mecânico (em virtude do próprio peso da massa d’água), e do ponto de vista hidráulico (em consequência da infiltração do fluido na subsuperfície, que causa pressões internas nas camadas rochosas profundas). A combinação das duas ações pode desencadear distúrbios tectônicos e, eventualmente, gerar sismos, caso as condições locais sejam propícias.

Efeito da presão da águanos poros da rocha
Mesmo que o peso d'água, em reservatórios com mais de cem metros de profundidade, seja insuficiente para fraturar as rochas da base, a coluna d’água exercerá uma pressão hidrostática, empurrando o líquido através dos poros das rochas e de fraturas pré-existentes.

Esse incremento de pressão pode levar meses ou mesmo anos, para avançar distâncias não muito longas, dependendo da permeabilidade do solo e das condições do fraturamento das rochas. No entanto, quando a pressão alcança zonas mais fraturadas, a água é forçada para dentro das rochas, reduzindo o esforço tectônico e facilitando o deslocamento de blocos falhados. Este processo é incrementado pela ação lubrificante da água, que reduz a fricção ao longo dos planos das fraturas e falhas. A água tem ainda o papel de agente químico: ao hidratar certas moléculas, ela enfraquece o material e favorece a formação de novas fissuras, que levam o líquido a penetrar ainda mais profundamente no interior do maciço rochoso.

A SIR é, portanto, um fenômeno dinâmico resultante da interação complexa das novas forças induzidas pelo lago, que passam a interferir sobre o regime de forças naturais previamente existentes. Não se sabe, ao certo, se o reservatório apenas antecipa a ocorrência de terremotos que viriam a ocorrer de qualquer maneira, ou se pode também alterar a magnitude dos sismos.

Exemplos mundiais de SIR
Um dos casos mais espetaculares ocorreu na India, no ano de 1967, no reservatório de Koina, com 103 metros de altura, em região sismicamente estável e geologicamente muito antiga. O sismo atingiu magnitude 6.4 na escala Richter, deixou 177 mortos e 2.300 feridos, além de causar danos estruturais à barragem e outros estragos consideráveis em localidades vizinhas.

Na mesma década de 60, observou-se ainda 3 outros casos de SIR, com magnitudes acima de 6.0, em áreas de barragens com altura superior a 100 metros: Xinfengkiang, 105 m, na China; Kariba, 128 m, na Africa; e Kremasta, 147 m, na Grécia.









Cartilha da SVB sobre carne e sustentabilidade: Um fato emblemático que revela a inconsequência da produção industrial de carne: em 1960, um grande tsunami atingiu a costa de Bangladesh. Apesar dos prejuízos materiais, não houve uma única perda humana. No entanto, vários milhares de pessoas morreram quando um tsunami de magnitude similar arrasou a mesma área, em 1991. Por que a diferença? Neste meio tempo, os imensos manguezais, que davam proteção natural àquela região, foram devastados para dar lugar a inúmeras fazendas industriais de carnicicultura (criação de camarões em cativeiro).

Para armar os tanques e cercados (das fazendas aquáticas de pescados e frutos do mar), já se eliminou metade dos manguezais da Terra, pelo menos um terço dos brasileiros. Incrivelmente, a taxa de destruição do mangues já é maior do que as florestas tropicais. O mangue é um ecossistema tão frágil quanto importante em termos de biodiversidade e segurança contra inundações e tempestades. A falta da barreira natural de mangues que cobria, originalmente grande parte do sudeste asiático e da Indonésia é uma das principais causas do número exorbitante de mortes e prejuízos por ocasião do tsunami de 2004.




Mais informação:
A Revolução dos cocos
Por que Tóquio não alaga?
O fim da polêmica: O Aquecimento Global existe de fato
Como funciona um programa de compensação ambiental
Carta aberta dos bombeiros do Rio de Janeiro à população
Antropoceno, a era geológica em que o homem ‘desregulou’ a Terra
Ressacas marinhas são um fenômeno natural, previsível e contornável

Nenhum comentário: