sexta-feira, 11 de março de 2011

Dicionário básico do Aquecimento Global


1) Aquecimento global: elevação da temperatura média da Terra. Antes da era industrial a temperatura média era de 14,5ºC e hoje é de aproximadamente 15,0ºC.

2) Mudança climática: toda alteração na temperatura da Terra, seja para menos, seja para mais. A Terra já conheceu períodos mais quentes e eras glaciais. A diferença que muitos cientistas fazem entre um e outro é que o aquecimento é considerado produto da ação humana, enquanto as mudanças climáticas são processos naturais.

3) Efeito estufa: fenômeno natural de retenção de calor do sol produzido por gases que fazem parte da atmosfera da Terra. É o efeito estufa que gera a temperatura média atual da Terra e permite a existência da vida nesse planeta. Mas, essa temperatura média depende do equilíbrio entre os gases que compõem sua atmosfera.

4) Gases de efeito estufa: Os gases do efeito estufa (GEE) ou gases estufa são substâncias gasosas que absorvem parte da radiação infra-vermelha, emitida principalmente pela superfície terrestre, e dificultam seu escape para o espaço.São eles basicamente: dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), Perfluorcarbonetos (PFC’s ) e também o vapor de água.

5) Causa do aquecimento global: injeção desses gases na atmosfera a mais do que já existe. Normalmente essas emissões derivam da queima e derrubada de florestas, queima de combustíveis fósseis, animais, agricultura, etc. Para se ter uma idéia, a atmosfera de Vênus, formada por CO2 em 95%, faz com que a temperatura daquele planeta seja próxima de 484ºC. A presença de CO2 na atmosfera da Terra, não passa de 0,03%.

6) PPM: parte por milhão. Por exemplo, a concentração de CO2 na atmosfera da Terra está em 391 PPM. Isso significa que, de cada milhão de partículas de outros gases, 391 são de CO2.

7) Conseqüências do aquecimento global: a elevação da temperatura média da Terra provoca efeitos como: derretimento dos glaciais, elevação dos oceanos, aumento de água na atmosfera, com conseqüente aumento na pluviosidade. Com isso aumentam os “efeitos extremos” como furacões, nevascas, tempestades que acabam causando enchentes, desmoronamentos, deslizamentos, inundações, prejuízos econômicos, doenças e mortes. Outro efeito extremo pode ser as secas e estiagens prolongadas.

8) IPCC: Intergovernmental Panel on Climate Change ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, estabelecido em 1988 pela Organização Meterológica Mundial e PNUMA, encarregado de estudar as mudanças climáticas em curso.

9) REDD: redução de emissões por desmatamento e degradação. É um mecanismo que prevê atacar as causas do aquecimento global reduzindo os desmatamentos e a degradação ambiental em geral.

10) Crédito carbono: mecanismo econômico que possibilita um poluidor comprar em outro lugar, inclusive em outro país, estoques de carbono para compensar a emissão que ele faz em seu lugar de origem.

11) Mitigação e adaptação: mecanismos que prevêem atacar a causa do aquecimento global e propor adaptações a situações que já não tem mais retorno. Um exemplo de mitigação é a tentativa de diminuir o desmatamento, como na Amazônia. Um exemplo de adaptação é começar a remover as populações que moram em área de risco.

12) COP: Conferência das Partes. São cúpulas mundiais que reúnem países para estabelecer mecanismos de controle do aquecimento global. Já aconteceram 16 COP. Até agora têm fracassado.

13) Para muitos cientistas, como James Lovelock, ou países como a Bolívia, ou para movimentos como a Via Campesina, esses mecanismos pouco adiantam. Teríamos que mudar efetivamente o padrão civilizatório, principalmente a matriz energética do planeta.
O fato concreto é que o aumento dos gases de efeito estufa continua aumentando. Se continuarmos com esse nível de emissão em 2050 atingiremos 500 PPM e em 2090 atingiremos 760 PPM. Dessa forma, a temperatura média da Terra poderá elevar-se até 7ºC a mais. Portanto, um inferno.


Fonte: Ecodebate








O mar sobe, e uma catástrofe espreita




Cientistas avisam que a inação pode inundar cidades costeiras

Com grande risco e apoio reduzido, os cientistas correm para responder a uma das perguntas mais urgentes -e mais amplamente discutidas- que a humanidade enfrenta: com que rapidez o gelo do mundo vai derreter?






Os cientistas há muito acreditavam que o colapso das gigantescas capas de gelo da Groenlândia e da Antártida demoraria milhares de anos, com o nível do mar possivelmente subindo apenas 18 centímetros neste século, mais ou menos a mesma altura que no século 20.
Mas pesquisadores, recentemente, se assustaram ao ver grandes mudanças ocorrerem na Groenlândia e na Antártida.
Em consequência de cálculos complexos que levam em conta essas mudanças, muitos cientistas dizem que o nível do mar provavelmente aumentará 1 metro até 2100 -o que representaria uma ameaça para regiões costeiras do mundo todo.

E cálculos sugerem que a elevação poderá superar 1,80 metro, o que colocaria milhares de hectares do litoral dos Estados Unidos embaixo d'água e, provavelmente, deslocaria dezenas de milhões de pessoas na Ásia.

Os cientistas dizem que um aumento de até 1 metro inundaria terras baixas em muitos países, tornando algumas áreas inabitáveis. Inundações costeiras que ocorrem uma ou duas vezes por século passariam a ser mais frequentes. Esse fenômeno causaria erosão muito mais rápida das praias, ilhas de barreira e pântanos. Contaminaria com sal os suprimentos de água doce.

Algumas das maiores cidades do mundo -Londres, Cairo, Bancoc, Veneza e Xangai entre elas- ficariam criticamente ameaçadas. Nos Estados Unidos, partes da costa leste e da costa do Golfo seriam duramente atingidas. Em Nova York, a inundação litorânea se tornaria rotineira.

Os cientistas climáticos admitem prontamente que a estimativa de 1 metro pode estar errada. Sua compreensão das mudanças ainda é precária, mas eles dizem que poderia facilmente ser uma estimativa modesta.

"Acho que precisamos começar imediatamente a pensar em nossas cidades costeiras -como vamos protegê-las?", disse John A. Church, cientista australiano que é um dos principais especialistas em nível do mar. "Não podemos proteger tudo. Teremos de abandonar algumas áreas."
O aumento do nível do mar tem sido um elemento especialmente polêmico no debate sobre o aquecimento global. Uma estimativa sugeriu que a ameaça era tão terrível que o nível do mar poderia subir até 4,60 metros neste século.

Os céticos do aquecimento global alegam que qualquer mudança que ocorra nas camadas de gelo, provavelmente, se deve à variabilidade natural do clima, e não aos gases do efeito estufa lançados pelos seres humanos.

A grande maioria de cientistas do clima afirma que os gases que retêm o calor são quase certamente um fator decisivo. Eles acrescentam que a falta de políticas para limitar as emissões aumenta o risco de que o gelo entre em um declínio irreversível antes do final deste século.

No entanto, enquantoo aumento do mar poderia ser a conseqüência isolada mais séria do aquecimento global, nenhum país rico tem uma estratégia nacional prioritária para entender as mudanças no gelo. A consequência disso é que os pesquisadores não têm informações elementares, e essa desinformação torna impossível para os cientistas ter certeza da gravidade da situação.


Fugindo dos icebergs
Em um dia do final do verão no sudeste da Groenlândia, o piloto de helicóptero Morgan Goransson desceu em direção à água. Pendurados na lateral da aeronave, cientistas enviaram um equipamento de medição entre os blocos de gelo flutuantes.
As águas gélidas do fiorde Sermilik estavam apenas 9m abaixo, de modo que qualquer problema mecânico faria o helicóptero mergulhar no mar. "É muito perigoso", disse Goransson.
Medir a temperatura da água perto da camada de gelo é essencial para compreender o que está acontecendo na Groenlândia.
Mas é complexo e arriscado.

Os cientistas-Fiammetta Straneo, do Instituto Oceanográfico Woods Hole em Massachusetts, e o doutor Hamilton-fazem parte de uma equipe financiada pela Fundação Nacional de Ciências.
Algumas semanas atrás, eles obtiveram uma leitura de quatro graus centígrados perto do fundo do fiorde, amais alta que já viram lá.A leituras e encaixou em um padrão mais amplo.
Água mais quente que se originou muito ao sul está correndo para os fiordes da Groenlândia.
Cientistas desconfiam que, conforme derrete o gelo por baixo, a água afrouxa a conexão das geleiras como solo. Isso permite que as geleiras se movam mais depressa e despejem mais gelo no oceano.
A perda geral de gelo parece estar se acelerando,um sinal ameaçador, pois a ilha contém gelo suficiente para elevar os níveis globais do marem mais de 6metros.
Falando estritamente, os cientistas não provaram que o aquecimento global induzido pelos seres humanos seja a causa dessas mudanças.

Eles estão cientes de que o clima no Ártico sofre grandes variações naturais.
Mas os cientistas dizem que as mudanças recentes na Groenlândia estão ocorrendo ao mesmo tempo que as temperaturas do ar e do oceano aumentam e o derretimento do gelo se acelera em grande parte do mundo.
A geleira Helheim, que termina no fiorde Sermilik, é uma de um grupo de geleiras no sudeste da Groenlândia que exibiram mudanças especialmente grandes.
Algo fez que a geleira, uma das maiores da Groenlândia,avançasse acentuadamente na metade da última década, e ela despejou tanto gelo no oceano que afinou cerca de 91metrosempoucos anos.
A geleira se comportou de maneira errática desde então, e esse padrão está se repetindo em toda a Groenlândia.


Oceano em elevação
Para a maioria dos cientistas climáticos, a questão não é se o gelo terrestre vai derreter,mas se isso acontecerá depressa demais para que a sociedade se adapte.
Pesquisas recentes sugerem que o volume do oceano pode ter ficado estável durante milhares de anos. Mas ele começou a subir no século 19, mais ou menos na mesma época em que os países avançados começaram a queimar grandes quantidades de carvão e petróleo.
Omar subiu cerca de 20cmdesde então, em média. Esse aumento é insuficiente para causar uma erosão substancial.
Em seu último grande relatório, em2007, o grupo da ONU que avalia a ciência climática, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, disse que o nível do mar aumentaria pelo menos mais 18 cm e poderia chegar a 61 cm no século 21.
Mas o grupo advertiu que essas estimativas não incluem completamente a possibilidade de que as grandes camadas de gelo do mundo comecem a derreter no oceano em um ritmo muito mais rápido do que poderiam derreter na terra.
Evidências de satélite sugerem que o aumento domar acelerou no final do século 20, de modo que o nível hoje está aumentando pouco mais de 2,5cm pordécada, em média.
O aumento do derretimento do gelo terrestre parece ser um fator importante. Outro é que a maior parte do calor adicional retida pelas emissões de gases do efeito estufa está aquecendo o oceano e não a atmosfera, e com o aquecimento a água se expande.
Um consenso que se amplia entre cientistas climáticos situa a estimativa do ritmo do aumento do mar em pouco mais de 1 m entre hoje e 2100.
Cálculos sugerem que isso faria a erosão litorânea se acelerar.Em lugares que antes só eram inundados por um grande furacão, uma tempestade comum poderá ter o mesmore sultado.

Os piores efeitos provavelmente ocorreriam onde a terra está afundando enquanto o mar sobe. Isso se aplica a algumas grandes cidades do mundo. Barreiras podem ser construídas para deter o mar, é claro, como os diques de Nova Orleans e dos Países Baixos.Mas a despesa provavelmente subirá junto como oceano.

Tempestades que açoitam os litorais do mundo a intervalos de alguns anos quase certamente obrigariam as pessoas a fugir para o interior. E os cientistas dizem que, caso suas projeções estejam certas, o mar não vai parar de subir em 2100. Naquela altura, as camadas de gelo poderão estar sofrendo um extenso derretimento.

Sem plano nem informação
Como nenhum país adiantado deu prioridade ao estudo do gelo terrestre, os cientistas não têm as informações elementares de que precisam para compreender o que está acontecendo.

Eles não conhecem a camada de terra embaixo da maioria das geleiras do mundo o suficiente para calcular com que rapidez o gelo poderá recuar. Eles têm apenas leituras aleatórias da profundidade e da temperatura do oceano perto da Groenlândia, necessárias para descobrir por que tanta água quente parece estar atacando a camada de gelo.

Os problemas de informação são ainda mais graves na Antártida.
Descobrir se a Antártida está perdendo gelo como um todo é essencial, porque essa camada de gelo contém água suficiente para elevar o nível do mar global em quase 61 m.

Danie Schrag,um geoquímico e diretor do Centro para o Meio Ambiente da Universidade Harvard, elogiou os cientistas que fazem um trabalho difícil estudando o gelo, mas acrescentou: "A escala do que eles podem fazer, diante dos recursos disponíveis, está completamente fora de sintonia como que é necessário".


Fonte: New York Times para Folha




Mais informação:
Relatório Estado do mundo 2010
Overshoot day: entramos no cheque especial
Antropoceno, a era geológica que desregulou a Terra
O fim da polêmica: O Aquecimento Global existe de fato

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