sábado, 5 de fevereiro de 2011

Shopping dos Antiquários



Um dos lugares mais interessantes do Rio de Janeiro é o Shopping dos Antiquários, em Copacabana.
A localização é ótima, ao lado da estação de metrô Siqueira Campos, num bairro muito central, com a praia mais famosa da cidade e todo tipo de comércio. A arquitetura também é atraente, integrada à rua e naturalmente iluminado - completamente diferente dos shoppings atuais e há uma exposição permanente de fotografias antigas do bairro.

Como eu morei em frente ao shopping há alguns anos, tive o prazer de passar alguns meses indo todos os dias após o trabalho. O primeiro andar é mais popular, apesar de ter antiquariato e sebos, mas também com lan houses, lanchonetes e até um supermercado 24hrs. Já o segundo andar é inteiramente composto de galerias, lojas de decoração e antiguidades, além do melhor brechó da cidade, o Brechó de Salto Alto, e a moderna e luxuosa chapelaria de Denis Linhares, um gênio.

Mas, o Shopping dos Antiquários é bacana, aberto para a rua, perto da praia, com arquitetura modernista e uma sessão permanente de fotografias antigas do Rio em exposição. Localizado exatamente em frente ao melhor botequim do mundo, a Adega Pérola e colado a uma estação de metrô. Obviamente cheio de antiquários e lojas de móveis de segunda mão e ítens de colecionador, além de um brechó totalmente kitsch que mais parece um cenário de filme do Almodóvar, o Brechó de Salto Alto, onde comprei vestidos Lacoste vintage por menos de R$100,00. 
Enfim, não é um shopping, é a felicidade. 


Já mencionei aqui em outras ocasiões que, quando montei minha casa, comprei todos os móveis nas Feiras da Rua do Lavradio e da Pça XV, feiras ao ar livre de móveis antigos restaurados.
Recomendo a prática e estendo a indicação ao Shopping dos Antiquários, mesmo móveis de madeira certificada e oriunda de áreas de reflorestamento são um equívoco, o reflorestamento de eucalipto é um dos muitos mitos acerca da sustentabilidade: o eucalipto, além de não ser sequer nativo do Brasil, devasta as poucas áreas remanescentes de Mata Atlântica, expulsando a fauna original.
Da mesma forma que a monocultura da soja devasta o Cerrado e a pecuária, a Amazônia, a monocultura latifundiária do eucalipto para reflorestamento é um crime ambiental.





Reciclagem é um conceito apoiado em um tripé: recusar, reutilizar e só então, reciclar.
Comprar um móvel de segunda mão significa que você recusou um móvel novo, produzido a partir de madeira certificada, que devastou a área nativa até então preservada e principalmente, que um móvel já produzido está sendo reutilizado.
Esse móvel antigo, além de já ter devastado sua cota, também consumiu verniz sintético, combustível fóssil no transporte, metal para as ferragens, além do fator hora x homem de trabalho executado.
Os custos indiretos de qualquer commoditie são invisíveis ao consumidor comum e normalmente não repassados no curto prazo, veja quantos litros de água consome o processo de produção de cada calça jeans nova e repense se a gente precisa de tanta quinquilharia.

Nós vivemos num país com cultura de desperdício, inclusive confundimos fartura e modernidade com desperdício. Quando adolescente, morei em uma casa construída com muito material de demolição, madeiras de lei que virariam entulho de construção civil não fossem reaproveitadas - falo melhor sobre a experiência em Comendo a ração que vende - parte 11: dos móveis que eu catei, restaurei e pintei

Atente que móveis de antiquariato têm uma vida útil muito maior do que os móveis modernos, pois são feitos em madeiras mais resistentes do que MDF. Os móveis antigos em madeira de lei duram mais de 300 anos, alguns foram adquiridos em leilões de fazendas do Ciclo do Café e do Ouro e há igualmente uma grande oferta em móveis de design contemporâneo, da década de 40 em diante, o que pode inclusive vir a ser a única oportunidade de ter um móvel assinado por um custo acessível. Para quem gosta de Bauhaus e Le Corbusier, pode ser a chance de realizar um sonho de consumo.

Comprar móveis de segunda mão, roupas em brechó e livros em sebos embalados em furikoshi ou jornal  são exemplos diretos de consumo consciente e inteligente. Observe também o contrasenso atual que tentam nos vender: nenhum móvel descartável em MDF, independente da certificação, deveria ser considerado sustentável.


O shopping oferece também um sebo, tão bom, que mereceu fotos e comentários exclusivos abaixo e um teatro, onde antes funcionava uma Igreja Evangélica, na postagem exclusiva: Teatro Tereza Rachel






O Shopping dos Antiquários de Copacabana  é o único shopping que eu vou.
Nos outros, os "normais", só apareço 1 vez por ano e se precisar muito. Caso contrário, nem isso.
Shopping é um saco, vamos combinar.








Hoje, feriado chuvoso, fui lá.
Estava tudo fechado, mas o sebo estava aberto. Era só o que eu precisava. 
Entrei e uma criatura boníssima me atendeu, S. Marco Antonio.
Comentei que sentia falta de ler um bom cronista e me divertir com um livro, como são os livros do Veríssimo (filho) ou do Stanislaw Ponte Preta e ele prontamente sacou uns 20 livros de autores variados, até do Chico Anísio.


Disse que eu não precisava levar nada, que podia sentar na antiga poltrona de couro e ficar lendo se quisesse (!!!), aproveitou para se desculpar pelo ar condicionado estar desligado e me mostrar no computador dele um site que agrega quase todos os livreiros e sebos do país, o Estante Virtual, para que eu possa comprar meus livros usados sem sair de casa ou só fazer pesquisa de preços antes de ir à campo garimpar.







Não sentei nem 1 minuto, fotografei aquelas estantes onde antigos LP´s foram mergulhados em água quente e retorcidos para virar apoiador.
Acabei levando 5 livros justamente do Veríssimo (2) e do Stanislaw Ponte Preta (3, ilustrados pelo Laerte). Ao custo total de R$25,00 sem derrubar uma única árvore ou usar esse papel "certificado" de reflorestamento com eucalipto.
Não falei que era a felicidade?






Para que a felicidade perdure, é expresso que a associação de lojistas fique de olho aberto para a descaracterização do primeiro andar, onde lan houses e lojas de gosto duvidoso estão tomando terreno. Uma pena.

Endereço do sebo: Rua Siqueira Campos 143, sobreloja 43 (telefone: 21 2267-1309)   

Site oficial: Shopping Cidade Copacabana

5 comentários:

Isabel disse...

Carol, esses mitos acerca da sustentabilidade me deixam espumando de raiva! Sobretudo quando a gente percebe que tem muitos por aí ganhando em cima dessa ideia sem acreditar nela. Puro marketing. Quanto aos móveis de mdf, outro engodo. Não têm qualidade e não são duráveis. Com certeza é melhor comprar móveis antigos. Parabéns pelas postagens tão esclarecedoras! Aprendo muito com o seu blog! =)

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Olá Isabel,
MDF e reflorestamente de eucalipto são casos claros de greenwashing.
Dê uma lida:
http://caroldaemon.blogspot.com/2011/01/greenwashing-mentira-verde.html
abs,
Carol

MARCOS KAOY disse...

Oi muito bom o comentário,com poucas palavras resumiu muita coisa,abraço.

Anônimo disse...

Muito Bom post!

Sou um Verdadeiro fã de antiguidades e do estilo retro!

Acho ainda que encontrei ai alguma informação muito útil! Se Voces quiserem ver, podem sempre dar ai um salto pois tem o calendario nacional das feiras onde se podem encontrar alguns achados! e ainda como vender ou comprar arte e velharias e antiguidadesComo ganhaar dinheiro com a venda de artigos velhos, antiguidades ou até velharias indiscriminadas. Saiba como, onde e quando vender os seus artigos em desuso, e claro, fazer dinheiro!
www.vendervelharias.blogspot.com/

Abraço!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi,
valeu pela dica. Não deixa de votar no blog no TOPBLOG.

abs,
Carol