quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Porto Alegre, a primeira cidade do país com projeto de transporte fluvial em larga escala

As hidrovias, assim como toda a navegação de cabotagem, propõe-se a ser a alternativa ideal de transporte em larga escala no nosso país. O Brasil é o único país do mundo que transporta ferro e aço em caçamba de caminhão. Nossos caminhoneiros, ou carreteiros, trabalham por empreitada, sem carteira assinada, aposentadoria ou plano de saúde. "Dobram" jornadas, a base de estimulante, em estradas esburacadas e veículos muitas vezes não vistoriados.

Uma malha ferroviária tendo os portos costeiros como ponto de partida, seria imensamente interessante para ligar nosso país do Oiapoque ao Chuí, não apenas do ponto da segurança, mas principalmente pela redução no uso de combustíveis fósseis. A navegação de cabotagem e a implantação de um sério programa de hidrovias, contribuiria igualmente para diminuir as distâncias de uma costa com 8.000km de extensão, além de minimizar a dependência do transporte rodoviário em todos os aspectos, incluindo o transporte urbano.

Segunda-feira passada, um professor universitário me informou de um dado alarmante e vergonhoso: de todos os internos no Instituto Psiquiátrico da UFRJ, o Pinel da Praia Vermelha, o primeiro lugar em ocupação profissional dos internos ficou para os motoristas de ônibus urbanos.

Leia melhor abaixo sobre o primeiro projeto piloto de navegação urbana e fluvial.


A melhor utilização do Guaíba pode colocar Porto Alegre em um novo patamar de transporte hidroviário. A alternativa fluvial poderia ligar bairros de Norte a Sul da cidade e ainda conectar a Capital as 30 ilhas e às cidades turísticas nas regiões Central e Norte do Rio Grande do Sul, através do Delta do Jacuí. Além de desafogar o transporte rodoviário, colocar barcos entre os municípios seria bem-vinda ao turismo. As constatações estão em um estudo da Secretaria Municipal de Planejamento que foi apresentado ontem na Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.


Vereadores se reuniram com os representantes da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), Departamento Estadual de Portos Rios e Canais (Deprec), Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), a empresa Ouro e Prata, e secretarias do Planejamento, e do Meio Ambiente do Município para falar sobre viagem do Extremo Sul ao Centro da Capital. No entanto, o assunto foi mais amplo, trazendo outras hipóteses.

Para Alda Raquel Schwartz, arquiteta da Secretaria de Planejamento, a melhor utilização do modal hidroviário poderia estimular também o ecoturismo, alocando estruturas de embarques e desembarques na Orla do Gravataí e na Orla do Taquari. O projeto seria importante para preparar a cidade para a Copa do Mundo de 2014, inclusive com uma possível rota ligando a Arena do Grêmio ao Beira Rio.

“Porto Alegre tem uma condição geográfica rara, muito favorável ao transporte hidroviário, mas que ainda não é utilizada”, disse. O Banco Mundial já teria demonstrado interesse em apoiar a criação de hidrovias a partir de Porto Alegre, por ser uma obra sustentável.


A instituição poderia financiar os custos com dragagem (se necessárias), construção de embarques e desembarques, sinalização entre outras demandas para tirar do papel o projeto. Outra hipótese é que fossem formadas Parcerias Público-Privadas (PPP). O estudo não aponta todos os locais potenciais de atracagem e qual seria o custo das conexões, assim como preços de passagens.

No entanto, a cidade ainda está longe de se tornar um campo fértil ao trânsito de passageiros pelo Guaíba. Além da falta de planejamento urbano neste sentido e da estagnação do projeto de revitalização do Cais do Porto, não existe em Porto Alegre estrutura empresarial em prol do transporte hidroviário.

De acordo com Hugo Flack, presidente da Catsul, empresa do grupo Ouro e Prata que começará em março a operar rota aquática entre Porto Alegre e Guaíba, disse que não há fabricante de barcos em Porto Alegre, ou de estruturas para operação hidroviária, assim como inexiste engenheiros navais. Apontou a saída de estaleiros do Estado como ponto contra o avanço do transporte no Guaíba.

“Tivemos 50 anos de falta de incentivos para o transporte hidroviário em Porto Alegre, e hoje é muito difícil para os empreendedores criarem transportes a um preço competitivo”, completou. Por outro lado, avaliou que se começa a ser criado um ambiente favorável a este tipo de investimento.

Fonte: Portal Marítimo


Mais informação:
O projeto fluvial de Florianópolis e São Paulo
Cabotagem: para parar de transportar ferro e aço em caçamba de caminhão
O mito da autossuficiência em petróleo: No país do pré-sal, a gasolina mais cara do mundo

2 comentários:

Baú da Chica disse...

oi! amei seu blog! estou fazendo um tratamento natural, atraves da alimentacao, cortei açucar, trigo e várias outras coisas. Já mantinha uma alimentação saudável antes, mas tenho dificuldade em preparar coisas gostas em casa e as vezes acabo comento mal na rua. Estou procurando a receita do doce de leite de tahine mas nao encontrei. Onde está? Sua pag com ctza está no meu top 10! =] Bjinhos

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Tereza, tb adorei seu blog, estou seguindo. Sou entusiasta de brechós, sempre sugiro como opção inteligente de compra e qualquer dia desses, posto exclusivamente sobre esse assunto tão bom.

Vou te responder sobre a tahine no post da tapioca, ok.

Voltando à malha fluvial, saiu notícia hoje sobre a possibiliade de SP vir a ter uma... em 20 anos!
http://portalmaritimo.com/2011/02/24/segundo-professor-da-usp-em-20-anos-sao-paulo-tera-transporte-fluvial/
Que absurdo...