terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Carnaval sustentável



Segundo Hakim Bey, autor de Zona Autônoma Temporária, livro já citado aqui no blog, grande parte das angústias do homem moderno se devem à falta de lúdico e ócio em suas vidas. Lembra o autor que, até a Idade Média (quando o calendário gregoriano foi implementado), pelo menos um terço do ano era composto de dias livres e festividades diversas, que comemoravam desde a mudança das estações e colheitas à festividades sagradas em geral.
Aproveite esses dias de festa, quando o povo está anonimamente fantasiado na rua e sua cidade vira uma imensa zona autônoma temporária, para se divertir.





No ar, o Guia de Carnaval da Agenda do Samba-Choro com todos os blocos, bandas, ranchos e agremiações. São 2 meses de festa gratuita pelas ruas da cidade, blocos de 07 às 02 da manhã, para todos os gostos. Além dos bailes, festas e todo o circuito das Escolas de Samba na Sapucaí, com seus ensaios o ano todo. Com direito a versão atualizada e comentada diariamente.


Saindo para curtir a festa: protetor solar não testado em animais, barriguinha forrada antes em casa, latinhas de alumínio e lixo em geral nas lixeiras públicas, uso dos banheiros químicos disponíveis e, se for o caso, camisinha sempre. Boné e camiseta protegendo os ombros também são sempre uma boa, principalmente nos blocos antes de 16hrs.


Deixe os animais em casa, eles não gostam das "roupinhas", do barulho, se assustam com a multidão, podem ser pisoteados e pior, se vierem a se perder em locais desconhecidos, não vão reconhecer o caminho de volta para casa.


Bebendo álcool, beba muito líquido, intercale água com a cerveja ou qualquer outra bebida alcoólica.


Se beber, não dirija. Aliás, aproveite para não dirigir, o trânsito fica um caos com as principais vias de acesso interditadas para passagem dos blocos.


Se não bebeu, vá doar sangue, Natal e Carnaval são as épocas campeãs em baixa nos estoques dos hemocentros e justamente, quando mais gente se acidenta.


E não custa lembrar, quanto maior uma festa, mais cara, tudo funciona em escala industrial e com isso, os abusos, crimes ambientais e equívocos em geral potencializam suas chances. O melhor Carnaval é sempre o de rua entre amigos, de bairro, com fantasias simples, improvisadas e reaproveitando o que já se tem.









Atualização de 2014: Os 10 mandamentos do Instituto Akatu para um Carnaval sustentável


1. Mais luxo que lixo
O aumento do turismo e o consumo de bebida e comida no Carnaval geram mais lixo que o normal. O aumento do lixo gera impactos na coleta (que fica sobrecarregada) e no armazenamento nos aterros. Mas o consumidor consciente sabe que um Carnaval bom mesmo tem menos desperdício de comida e de bebida, e tem uso de embalagens retornáveis... Enfim, tem mais luxo que lixo!

2. E viva o lixo no lixo!
Os blocos e desfiles aumentam a concentração de pessoas nas ruas das cidades. Já imaginou o que acontece quando elas jogam seus papéis, copos, embalagens e tudo o mais na própria rua? O lixo acumulado entope os bueiros e aumenta o risco de enchentes. Nas estradas, os detritos jogados nos acostamentos agridem e colocam em risco o meio ambiente e os animais. Nas praias, o lixo se espalha pela orla, vai parar no fundo do mar e, além de contaminar a água e consequentemente fauna e flora que nela vivem, seu recolhimento é muito trabalhoso. O consumidor consciente pode evitar estes impactos se levar consigo um saquinho para guardar as sobras do que consumiu até encontrar uma lata de lixo.

3. Re-fantasie-se
As fantasias de Carnaval são usadas, em geral, apenas por um dia. Para chegar até o consumidor, uma fantasia utiliza matérias primas, água e energia em sua produção, distribuição e transporte. Que tal reutilizá-las, trocá-las com amigos ou reformá-las? Utilizando a mesma fantasia mais de uma vez, o consumidor consciente dilui ao longo do tempo os impactos negativos ocorridos na produção dos materiais que compõem a fantasia. Além disso, evita que ela seja jogada fora e, assim, aumente a quantidade de lixo produzido desnecessariamente.

4. Excesso? Só de alegria
A combinação entre calor, comida comprada na rua, álcool e multidão pode ser indigesta. Também o consumo excessivo de bebidas é responsável pela maioria dos acidentes de automóvel e pelo início de diversas brigas de rua. O limite é definido por cada um. O consumidor consciente aproveita a festa protegendo a sua saúde e a de todos.

5. Pé e consciência na estrada
O turismo aumenta muito nos feriados prolongados. As viagens de carro são bastante comuns e ampliam o tráfego nas estradas, o risco de acidentes e a emissão de poluentes. Mas o consumidor consciente pode se organizar para viajar com o maior número possível de pessoas no carro, diluindo os impactos da viagem. Pode também planejar sua viagem de modo a ter o motor regulado, reduzindo em até 5% o consumo de combustível e emitindo menos gases de efeito estufa. Além disso, pode programar a saída de casa em horários de menos trânsito, reduzindo desta forma o tempo em marcha lenta e emissão maior de carbono. O turismo também pode ter impactos positivos: respeitando os costumes dos lugares visitados e prestigiando a cultura e economia locais, o consumidor consciente contribui para o desenvolvimento da região visitada.

6. Pirataria só na fantasia
Quando o consumidor consciente compra artefatos de festa, CDs e DVDs, ele pode exigir dos fornecedores nota fiscal, evitando a sonegação de impostos e o estímulo à produção ilegal, que alimenta o crime organizado.

7. Desplugue-se
Antes de viajar ou sair de casa por períodos prolongados para se distrair, o consumidor consciente pode tirar os aparelhos elétricos e eletrônicos da tomada, tais como televisão, DVD, micro-ondas, computador e carregador de bateria, a fim de economizar energia. O modo “stand by” – acionado quando o aparelho está desligado, mas conectado à rede elétrica pela tomada – faz com que o aparelho continue consumindo energia, podendo chegar a até 25% do que consumiria se o equipamento estivesse ligado.

8. Mergulhe na folia, mas deixe a água de fora
O Carnaval é uma época em que as cidades turísticas enfrentam sérios problemas de abastecimento de água em função do consumo adicional das pessoas que elas recebem. O consumidor consciente pode evitar tais problemas redobrando os cuidados com a água: brincando sem gerar desperdícios, tomando banhos mais curtos e aproveitando o calor para desligar o chuveiro caso demore ao se ensaboar ou para aplicar cremes nos cabelos.

9. Eu quero sossego
Aqueles que moram em cidades que não são destino de foliões e que não vão viajar podem aproveitar a tranquilidade e o tempo livre em atividades que valorizam o maior convívio com os amigos e com a família. Caminhadas, piqueniques, visitas a parques, museus e centros culturais são algumas sugestões que estimulam o bem-estar e podem ter menos impactos negativos no bolso e no meio ambiente!

10. O bloco do consumo consciente
O consumidor consciente também pode divulgar estas dicas para os amigos e familiares, convidando-os a fazerem parte de um movimento por um Carnaval mais sustentável. Espalhar os princípios que o Akatu apresenta aqui é como puxar um trio elétrico, atrás do qual só não vai quem ainda não entendeu que consumo consciente é o jeito mais fácil e acessível a cada um para fazer do mundo um lugar melhor para todos!





Atualização de 2017: Glitter e purpurina poluem e contaminam mares e oceanos levando à morte espécies marinhas:
Para fazer glitter de sal coloridoGlitter caseiro (não cola no corpo e cabelo, vai precisar de uma base em gel para colar, pode ser gel de cabelo, repelente em gel ou mesmo gel caseiro de linhaça)
Para fazer glitter de purpurina comestível, usada na decoração de docinhos e bolos de festa: No Carnaval das polêmicas, purpurina vira comestível (compre purpurina comestível, mais fina, em lojas de produtos para boleiras e festas e passe direto no corpo todo, não mela nem tem gosto de nada)





Mais informação:
Verão Sustentável
Copa do Mundo sustentável
O mar de lixo do Carnaval baiano
Tapetes de Corpus Christi sustentáveis
Turismo sustentável: 10 pecados naturais
Gari Sorriso, personagem do Carnaval carioca
Então a sobrinha tetraneta do Major Daemon foi puxar samba e trabalhar na Zona Portuária

2 comentários:

Anônimo disse...

Ce post m'a beaucoup aide dans mon positionnement. Merci pour ces informations

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Je vous en prie.
Appelez-moi si restez a Rio.