sexta-feira, 2 de julho de 2010

Festas Juninas sustentáveis

É a única festa mais brasileira do que o Carnaval, comemorada de Norte a Sul - caipira, festa no interior para São João.

As bandeirinhas e lanternas em papel de arroz, presas com barbante, tudo reciclável.
A fogueira pode ser feita com material de demolição ou pallets e as barracas idem (reaproveitando até portas quebradas e descarte de obras), decoradas com chita ecotingida e muitas folhas de bananeira, imensas, servem até como toalha de mesa. Mesinhas de reels reutilizados garantem o apoio para os copos e pratos a noite toda.

Os convites e fichas para uso na festa em papel reciclado e reaproveitando o verso de rascunhos.

Copos e pratos em vidro e cerâmica, telhas de barro ou panelas de ferro e pedra servindo como travessa e canecas de ágata para servir um quentão caseiro feito com rapadura e cachaça orgânica.

Guardanapos de pano ou em papel pardo cortado em tiras.
Muitas tochas iluminando o local e um trio pé de serra para animar o pessoal
Forrozeiros e sanfoneiros, promessa para Sto Antonio, barraca do beijo, pescaria, quadrilha e até touro mecânico.

Algumas práticas sustentáveis podem parecer inviáveis para festas de grande porte organizadas por Instituições Assistenciais, como igrejas e orfanatos. Na verdade, é tudo uma questão de adaptação.

Se ficar complicado garantir copos de vidro para todos, use os antigos copos de papelão que estão voltando à moda justamente por serem recicláveis. Até pouco tempo atrás, todos os copos era em papelão, com a logomarca do maior produtor de refrigerante do mundo inclusive.

Deixe as "comidas de panela", que demandam pratos, louças e talheres, para a "barraca-restaurante" (cercada - a cerca pode ser em bambu e chita). Na Feira de São Cristóvão (já citada aqui na postagem sobre compras à granel) é assim, você come baião, vaca atolada e todas as delícias nordestinas nas mesinhas servidas pelos estabelecimentos. Se quiser levantar e sair andando para ver as outras atrações, deve deixar as tijelas e copos (de vidro) na mesa. Alguns estabelecimentos (muitos ainda em barracas de madeira) vendem salgados, sorvetes, tapiocas, espetinhos, pipocas, cocadas, pés-de-moleque e toda sorte de "comidas para beliscar", mas os mesmos estabelecimentos (mais modestos) não dispõe de mesas e os guardanapos são sempre em papel convencional, até para não "melar" - nunca naquele guardanapo acetinado que não recicla. Muitos vendedores de rua adotam esse papel pardo cortado em retângulos como guardanapo justamente pelo custo do guardanapo descartável.

Sobre os brindes, muita gente associa Festa Junina e Quermesses aos brindes. Honestamente, o barato dessas festas é a comemoração, a tradição e o prazer de reunir e ajudar pessoas. Quando lembro das Festas Juninas de minha infância, lembro das brincadeiras, comidas, pessoas e muitas cores, sabores e cheiros (incluindo o cheiro de pólvora dos estalinhos), mas nunca lembrei com carinho de um mini-helicóptero em plástico jogado no lixo pela minha mãe semanas depois. A maioria das barracas pede prendas e brindes, mas já que a idéia central de um evento sustentável é mostrar aos presentes que as melhores coisas da vida não são coisas, nada como usar a imaginação nesse quesito também.

Uma sugestão válida para reduzir a compra de brindes é trocar as prendas por "serviços". Cada vitória na barraca do tiro ao alvo, arco e flecha, pescaria ou na corrida de saco, pau de sebo, dança das cadeiras e afins, garante vales que podem ser trocado por 1 mercadoria na barraca-brechó com roupas, móveis e eletrodomésticos de segunda mão e doados - como um mercado de trocas abastecido por um bazar.
A própria barraca do beijo, sempre popular, pode ser uma forma de gratificação aos vencedores das provas.
A rainha da festa, ou noiva da quadrilha, não precia ser a menina de fantasia mais cara, mas àquela que venceu mais provas nas barracas. As crianças são as primeiras a enxergar o cenário de outra forma.

Cada "peixinho" pescado garante 1 vale, o tiro acertado garante 3 vales, a corrida de saco uns 10, o pau de sebo uns 20...
5 vales = 1 camisa do brechó (ou 1 beijo ou 1 saquinho de pipoca-paçoca-cocada...), 10 vales = 1 calça jeans (ou 1 torradeira-liquidificador doados ou 1 boneca de pano feita localmente), 50 vales = 1 poltrona de segunda mão (ou terno usado ou bolo caseiro).

Festas Juninas normalmente são beneficientes e organizadas por instituições de caridade, igrejas, orfanatos e asilos, os bazares dessas instituições nunca conseguem queimar o estoque. A Festa Junina sem brindes, além de mais barata, é uma forma de transformar esse estoque encalhado em renda.

Caso haja alguma doação de um brinde caro, como uma bicicleta, a mesma não deve ser um prêmio, mas rifada para justamente poder levantar mais fundos.

Se não houver nenhuma doação em estoque, a comunidade pode e deve se envolver para a confecção de brindes em material reciclado, como cataventos de jornal e canudo, porta-lapis de pet, estantes de caixas de feira, luminárias de tetrapack, bolsas de fuxico e até colchas de retalho. A reciclagem apresenta 2 frentes: industrial e artesanal, existem centenas de opções de reaproveitamento.

E soltar balão nem pensar, é crime ambiental.





Seguem as comidas:

Pinhão, já existe orgânico da Taeq nos supermercados e também vende a granel do cultivo convencional
Amendoim, castanha de caju assada sem sal, castanha do Pará e semente de abóbora torrada - todos comprados a granel.
Pipoca de milho comprado a granel ou o orgânico.

Espetinho de legumes, cogumelos e, se for o caso, de carnes orgânicas de animais criados soltos, a Korin faz até linguiça e salsicha orgânicas sem aditivos e aqui há receita de carne de sol feita em casa, fresca, sem glutamato monossódico, que podem igualmente servir ao cachorro quente com molho de tomate caseiro.
Se come carne, use as certificadas, caso contrário: esqueça da soja e faça seus espetinhos com legumes e cogumelos, são ainda mais gostosos. Os que melhor se prestam são: cenoura, pimentões, tomates, cebolas, berinjelas, abóboras, abobrinhas, batatas doce e baroa, dentes de alho inteiros e até mini rodelas de milho da espiga, além de todos os cogumelos frescos, assados com um fio de shoyu e muito alecrim.
Leia melhor sobre carnes certificadas e a listagem dos frigoríficos certificados está no Portal Carne Legal do MPF.

Espiga de milho e aipim cozidos com manteiga orgânica
Sanduíchinhos de pão 100% integral com recheios honestos, frescos, e pastas feitas em casa. Se souber fazer pão integral, Sonia ensina aqui - asse um inteiro em forma comprida e corte horizontalmente, faça aqueles sanduíches recheados tão bonitos e gostosos, servidos às fatias. Com maionese e geleias caseiras e sem açúcar.
Cuscuz paulista de milho, faça em forma de empadinhas para servir individualmente
Pão de queijo caseiro
Polenta frita com as geleias de pimenta, manga com pimenta rosa, gengibre, vinho quente, hortelã e capim limão
Inhame, baroa e taro chips e batata doce frita
Bolinho de Tudo
Bolinho de arroz integral
Kibe, falafel e abará
Caldos variados: até caldo verde pode ser adaptado usando a couve orgânica e a linguiça da Korin; caldinho de feijão (branco, mulatinho e até lentilha, temperados com cheiro verde, coentro, manjericão e alho frito). Para ver todas as receitas das comidas em caldo, como vaca atolada, canjiquinha mineira, dobradinha e bobó, leia a postagem Caldos, a tradição alimentar par muita gente e pouco recurso
Para as sopas tradicionais em vegetais, como creme de cebola ou de milho com cambuquira, veja a postagem Sopas que amamos, para passar longe da comida de doente
Moranga recheada com palmito de pupunha, shiitake ou carne de sol caseira
Baião de 2
Tortillas
Pizzas no forno a lenha
Para assar as batatas sem alumínio, coloque a panela de ferro direto na brasa, ou em cima da grelha, ela aguenta.
Tapioca e crepes integrais com recheios variados: manteiga orgânica, queijo de Minas orgânico, de cabra, azeitonas, milho, tomates orgânicos e nas versões doce: coco ralado a granel, goiabada cascão, doce de abóbora com coco...


Os doces:

Panetone integral de banana com castanha do Pará e coco ralado em calda de chocolate meio amargo. Esse pão-bolo pode e deve ser feito em versão salgada (com inhame, abóbora e mandioquinha) em fubá e até aveia - leia melhor sobre essas possibilidades na postagem Pão de raízes em batata doce com cebola e inhame com coco e chocolate
Cuscuz de tapioca em leite de coco (esqueça do leite condensado)
Cocada mole de abóbora (ou batata doce ou abacaxi) em copinhos
Goiabada cascão em copinhos
Nutella caseira em copinhos
Creme de arroz com rapadura ralada , cacau em pedaços e amendoim moído
Canjica feita com leite de coco caseiro e melado de cana em copinhos (esqueça do leite condensado)
Pé de moleque na rapadura, feito de todas as castanhas e até gergelim
Pamonha caseira, feita com milho orgânico, rapadura e leite de coco caseiro (esqueça o leite condensado)

Bolos de chocolate em todas as versões

Bolo de Frutas da Nigella adaptado

Frutas assadas na panela de barro

Mousses e pudins de chocolate

Para fazer as frutas "do amor", carameladas, use: rapadura, chocolate meio amargo e castanhas compradas a granel

Para fazer paçoca de tudo, rale rapadura e junte às castanhas moídas bem fininhas, amasse tudo na mão e molde no formato desejado.

Para fazer recheios de doce de leite, para tapiocascrepes integrais, use a combinação de tahine com melado. Fica incrível com coco ralado numa tapioca de banana com canela.

Sorvetes da roça, inhame, aipim, batata doce e abóbora com abacate:

Sorvete de Inhame
400g de inhame;
400 ml de creme de arroz
200 ml de melado de cana;
300 ml de creme de leite de coco ou de castanha do Pará 
2 colheres de sobremesa de emulsificante de linhaça
Modo de preparo
Cozinhe e descasque o inhame. Depois, bata tudo no liquidificador.
Importante: quem não tiver inhame em casa pode usar outro tubérculo, como a batata-doce e a macaxeira.

Abóbora com abacate
200g de abóbora
200g de abacate
400ml de leite de coco caseiro
200ml de melado de cana
200ml de creme de arroz
1 colher de sobremesa de emulsificante de linhaça
Cozinhe e descasque a abóbora. Em seguida, bata tudo no liquidificador

Os ingredientes para preparar o gel são duas colheres de grãos de linhaça e um copo de água filtrada (250 ml). Cozinhe os grãos de linhaça por aproximadamente 15 minutos. Vai se formar o gel, que deve ser separado com ajuda de uma concha ou de uma peneira. Há quem use kefir nesse sorvete e diga que fica ótimo, nunca tentei mas acho válido.


As bebidas

Quentes:
Quentão
Chimarrão
Vinho Quente
Chocolate quente
Spiced rice milk drink
Irish e Scottish Coffee
Bebida quente de beterraba
Leite quente de inhame com banana e especiarias
Chá de maçã quente feito na panela com rapadura, gengibre, canela em pau e um cravinho

Frias:
Batida de coco
Poncho e Sangria
Refrigerante caseiro
Batida de maracujá
Refresco de Capim Limão
Piña Colada de "Malibu" de kefir
Cajuína e os fermentados tradicionais de fruta
Mate caseiro gelado com limão galego orgânico

Refrigerante não dá, principalmente para as crianças, refrescos feitos com água gasosa ou os refrescos de gelatina substituem perfeitamente e as cervejas, sempre D.O.C., garantindo boa procedência e sustentabilidade local. Veja também a postagem específica: Refrigerante caseiro

Sobre a cerveja... sim, as cervejarias estão acabando com os mananciais das regiões onde se instalam. Eu adoro cerveja, chope principalmente.

O problema sempre é o processo industrial, que massifica a produção.
A solução é recorrer às cervejas artesanais e caseiras, há muitas de qualidade superior. A Bélgica tem tradição, a Alemanha também, em especial as da região da Bavária, onde a cerveja, por ser feita de trigo, é considerada alimento - pão líquido - e pode ser consumida até em jejum, sem problemas com a polícia.
Cerveja já foi bebida medicinal, por ser fermentada e rica em nutrientes, mulheres que amamentavam deviam consumir logo pela manhã, a fim de aumentar a produção de leite. Foi o processo industrial e massificado que transformou uma tradição num produto cheio de produtos químicos e açúcar. Até hoje, os países europeus com tradição na bebida, são obrigados por leis medievais a seguir a fórmula à risca, para que esses equívocos não aconteçam.

Mais informação sobre o assunto no Flow , Vinhos orgânicos e biodinâmicos e Ypioca seca lagoa de reserva indígena e perde certificação orgânica.



13 comentários:

Mariana M. Thomé disse...

Que boa notícia! Desse arraial eu gostaria de participar

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

A festa julina da SVB é ótima, a "pescaria" não é com peixinhos de plástico, mas legumes ;-)

Lembrei de mais coisas que são tradicionais de festa junina e fáceis de adaptar:
abacaxi orgânico com rapadura na brasa
banana orgânica na brasa
sardinha adulta com pelo menos 20cms, passada na farinha integral e grelhada na brasa (esse último, o pessoal da SVB veta)

Anônimo disse...

It does not approach me. Perhaps there are still variants?

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Many ones, this party can happen everywhere for thousands of reasons. "Festa Junina" is our countryside street parade with informal food market, music and dance.

Anônimo disse...

Great post

BR, Aron
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Anônimo disse...

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Carol, sabe no que eu penso há anos? Nas prendas. A criançada gosta de brincar, e em geral as festas juninas costumam ser usadas também como forma de igrejas, escolas e instituições de caridade angariar fundos para suas obras. Por conta disso, as prendas são aquelas coisas baratinhas que raramente servem para alguma coisa. E, com criança, não tem como ir a festas juninas sem brincadeiras. Elas querem brincar e querem as prendas. Se eu conseguir emplacar uns projetos de sustentabilidade que tenho vontade de fazer, as festas juninas vão precisar de um relatório à parte. ;-)

Outra coisa são os recipientes. Muito descartável, e as bebidas quentes e caldinhos são servidos em recipientes de isopor. Eu fico pra morrer.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Silvia, é só trocar os isopores e plásticos dos caldinhos por um pote de vidro ou cerâmica, cuias de madeira ou coco (como no NO e NE). Sai até mais em conta.

As prendas podem ser brinquedos de madeira reaproveitada dos pallets, customizados com muitas fitas e retalhos de chita, como carrinhos, caminhões, casas moduladas, blocos pré moldados e até animais montáveis, como dinossauros imensos e cheios de costelas... Bonecas de pano lindas e coloridas, peões, pebolins, pipas em papel de arroz (reciclável).
Tanta coisa... já existiam brinquedos antes do plástico -
A humanidade tem uns 10.000 anos, a revolução industrial só 200 ;-)

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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Áurea Andréa disse...

Vou fazer uma assim aqui no acampamento.Adorei!