quinta-feira, 22 de julho de 2010

Bolos integrais e sem açúcar 02: chocolate

Seguem mais bolos, de chocolate!
Com dicas de caldas, recheios e coberturas para todos os gostos.
Há receitas de bolo sem farinha, sem ovos e até em versão Floresta Negra.

Atente que já existem muitas marcas orgânicas e certificadas de cacau, farinha integral, manteiga, ovos, rapadura e demais ingredientes. Veja como comprar e reconhecer produtos orgânicos.
Lembre sempre também que os chocolates industrializados, especialmente de grandes distribuidores, usam o óleo de palma extraído do dendê e essa extração descontrolada está devastando florestas inteiras no mundo todo. E lembre também que o cacau não é a única fonte de chocolate, a alfarroba, a amarula e o cupulate também são opções deliciosas, leia melhor sobre a monocultura do cacau na postagem Páscoa em paz com o resto do mundo.

As dicas para adaptação das receitas familiares são as mesmas dos bolos de iogurte e pão de Ló:

Para adaptar as receitas tradicionais de família, ou mesmo encontradas na internet, troco o açúcar refinado por rapadura ralada (ou melado, mas bolos tendem a responder melhor à rapadura) na mesma proporção, os ovos convencionais por ovos caipiras, margarina por manteiga orgânica e os óleos de milho e girassol, pelos de nozes, amendoim, gergelim ou qualquer óleo extra-virgem de boa procedência. Se o óleo, além de extra-virgem, estiver aromatizado com canela, cardamono ou baunilha fresca, ainda melhor, veja como é fácil fazer um huile de noix aromatizado. Nunca use óleo de soja, além de insalubre, transgênico e insustentável, deixa um gosto medonho.

A farinha integral costuma substituir sem risco o dobro da quantidade em farinha branca. Por exemplo, num bolo originalmente com 2 xícaras de farinha de trigo branca, use apenas 1 xícara de farinha de trigo integral. Pode dar certo, como sair um fiasco, mas geralmente funciona e felizmente já existem muitos bolos e tortas combinando múltiplos grãos ao trigo integral, como fubá, aveia, quínua e até amaranto, ou mesmo substituindo quaisquer farináceos por coco ralado, tapioca e até aipim ralado – essas receitas “alternativas” sempre dão certo. Leia sobre as farinhas alternativas na postagem da tapioca de coco com banana e canela em doce de leite de tahine com melado de cana.

Alguns veganos podem querer trocar os ovos por bananas amassadas ou linhaça hidratada, costuma ficar ótimo, mas como a maioria dos bolos não leva ovo, então não é o caso de se aprofundar. A manteiga orgânica NUNCA deve ser substituída por margarina, muito pelo contrário. Se for o caso de intolerância à lactose, substitua em partes iguais pelo óleos vegetais extra-virgens de boa procedência, as quantidade são pequenas. Não sugiro leite de soja tampouco pela toxidade do mesmo, tente com leites vegetais caseiros, como leite de coco, castanhas ou pinhão.

E só bato bolo na batedeira, com fermento biológico (quando sugerem bicarbonato, coloco os 2 sem pena) e usando a técnica tradicional: primeiro os “secos” (farinhas, fermentos, pitada de sal, etc) e só então vou juntando os “úmidos” paulatinamente, começando pelo ovos quando é o caso. E asso em pirex untado e enfarinhado, já que joguei fora minhas formas de teflon, cancerígenas.
O melhor fermento é sempre o biológico, siga as instruções da embalagem, que não há risco algum.




Bolo Prestígio, adaptado de receita tradicional disponível em diversos sites (veja aqui, aqui e aqui tb!) - foi o favorito na minha infância, não existe bolo mais cheiroso!
(esse também não sola, não leva leite nem farinha)
100gr de manteiga orgânica (pode trocar a metade por óleo vegetal de boa procedência)
8 ovos caipiras, claras em neve
1 pacote de coco ralado, se comprar a granel (que, além de mais barato, não vem adoçado) use 100gr
5 col. de sopa de cacau em pó (pode ser 4, eu é que adoro bem pretinho)
10 a 12 col de sopa de rapadura ralada (já fiz com metade em melado e também deu certo - tudo em melado, ficou sem graça, não tente)
1 col de sobremesa cheia de fermento
Bater a manteiga, a rapadura e as gemas
Juntar os outros ingredientes, bater bem
Acrescentar as claras, misturar com colher de pau ou garfo
Assar em forma untada, forno pré-aquecido por 45 minutos.



Bolo de chocolate vegano básico sem leite vegetal
3 xíc. de farinha de trigo integral
1 xic. de rapadura ralada
1/2 xic. de óleo vegetal de boa procedência
1 3/4 xic. de água (ou qualquer líquido)
2 col. sopa de cacau em pó
3 col. chá de bicarbonato
1 col. sopa rasa de fermento biológico
Peneire a farinha, o fermento e o cacau. Bata na batedeira o óleo com a rapadura, até ficar um creme homogêneo. Junte os ingredientes secos e o leite aos poucos.
Bata até ficar homogêneo. Asse por 30 minutos em forma enfarinhada.
Sirva com uma calda de chocolate básica, leia melhor no final da postagem.



Bolo de chocolate vegano básico com leite vegetal
(extraída e adaptada do livro “Lar Vegetariano”)
3 xícaras de farinha de trigo integral
1 1\2 xícara de rapadura ralada
4 col de sopa de óleo vegetal de boa procedência
250ml de leite vegetal caseiro (coco, castanhas e até pinhão) ou suco de laranja
2 col de chá de fermento biológico
1 col de sopa de cacau em pó
Peneire a farinha, o fermento e o cacau. Bata na batedeira o óleo com a rapadura, até ficar um creme homogêneo. Junte os ingredientes secos e o leite aos poucos.
Bata até ficar homogêneo. Asse por 30 minutos em forma enfarinhada.
Sirva com uma calda de chocolate básica, leia melhor no final da postagem.




Torta Floresta Negra
(extraída e adaptada da Vegan Society)
250gr farinha integral
250gr rapadura ralada
3 col sopa cacau em pó
125 ml óleo vegetal de boa procedência
200ml leite vegetal caseiro (coco, castanhas e até pinhão) ou suco de laranja
1 col sobremesa suco de limão ou vinagre de cidra
1 col sopa rasa de fermento biológico
Para a cobertura:
4 col sopa cheias de chocolate branco em barra dissolvido em 4 col sopa de leite vegetal (ou mesmo iogurte em chantilly, caso tenha a garrafa de pressão apropriada – veja melhor em Fraise aux créme)
raspa de 1 limão
4 col de sopa de geleia de frutas vermelhas (que pode ser feita inteiramente em cereja fresca)
À parte, em molheira ou rechaud aquecido:
1 barra de chocolate meio amargo
1 copo de leite vegetal (coco, castanhas e até pinhão) ou suco de laranja
1 cálice de qualquer bebida destilada orgânica
Misture todos os ingredientes do bolo e asse em forno baixo pré-aquecido
Misture a raspa do limão com o chocolate branco amolecido
Assim que assar, cubra com o creme, junte a geleia por cima e sirva a calda quente de chocolate à parte.



Bolo de chocolate com abóbora,
(extraída e adaptada de revista da FMO)
400gr (3 copos de 200ml) de abóbora picada
350gr (2 xíc chá) rapadura ralada
350gr nozes moídas
4 ovos caipiras
200gr cacau em pó
200g farinha integral
2 col chá fermento biológico
2 col chá canela em pó
Descascar, picar e cozinhar a abóbora
Bater no liquidificador com os ovos, rapadura ralada, óleo e canela. Reservar.
Em vasilha à parte, juntar a farinha, as nozes e o fermento
Acrescentar o líquido batido e mexer bem
Assar em forma untada e enfarinhada no forno pré-aquecido por 45min.



Bolo de cacau com toque de café
(extraída e adaptada do livro “Sem açúcar, com afeto”)
1 xíc farinha integral
3 col sopa cacau em pó
1 ovo caipira
1\2 xíc de melado
1\2 xíc de leite vegetal caseiro (coco, castanhas e até pinhão) ou suco de laranja
1 col de sopa de óleo vegetal de boa procedência
1 col de chá de fermento biológico
1\2 col de chá de bicarbonato de sódio
1\2 col de sal
1\4 xíc de café instantâneo orgânico
1 col de chá de essência de baunilha
Misture os secos. Bata o ovo e acrescente todos os outros ingredientes. Mexa bem. Unte uma fôrma de papel manteiga e forre a forma. Despeje a massa, ponha tudo dentro de um tabuleiro com água e asse em forno médio por meia hora.



Bolo de cacau com castanhas e passas, Carla Saboya
(extraída e adaptada do livro “Sem açúcar, com afeto”)
6 copos de água
6 copos de farinha de trigo integral
6 col sopa cacau em pó
1\2 xíc rapadura ralada
1 xíc castanhas picadas
1 xíc passas deixadas de molho
3\4 xíc óleo vegetal de boa procedência
1 col sobremesa de bicarbonato de sódio
1 col sobremesa de sementes aromáticas (pode ser cardamomo, erva doce, ou qualquer outra especiaria, como canela, noz moscada, cravo e gengibre em pó, etc)
1 col sobremesa de raspas de casca de limão
Misturar tudo, sem mistério, assar por 15 minutos em forno alto, 40 em forno médio e mais 5 minutos em forno baixo.



Bolo de chocolate com farinha de milho e recheado de geleia caseira de damasco, Natalia Chede
(extraída e adaptada do livro “Festa Vegetariana”)
2 xíc. de farinha de trigo integral fina
1 xíc. farinha de milho
2 xíc rapadura ralada
2 xíc água filtrada fria
4 col sopa cacau em pó
1\2 xíc óleo vegetal de boa procedência
2 col chá bicarbonato de sódio
1 col chá de sal marinho
Baunilha
Misture todos os ingredientes secos
Junte o óleo e a baunilha
Acrescente a água e misture até ficar homogêneo
Asse em forno baixo pré aquecido, forma untada com óleo
Recheie com a geleia caseira de damasco.



Bolo de cacau com iogurte
(extraída e adaptada do livro “Mãe Terra, Livro de Receitas 1”)



O Panetone integral de Banana pode ser feito com muitos ingredientes úmidos, como bagaços de castanhas e coco obtidos após extração de seus leites, e até levar 1 copinho de leite vegetal ou suco de laranja, rendendo um bolo mais firme que nunca sola e ainda adaptado a raízes como inhame, batata doce e abóbora - leia melhor sobre essas possibilidades na postagem Pão de Raízes em batata doce com cebola e inhame com coco e chocolate.
Para fazer de chocolate, junte 2 colheres de sopa cheias de cacau em pó às receitas básicas sem qualquer outra alteração.


A panqueca integral de café da manhã pode virar um pão de ló, de chocolate inclusive, aumente e a receita e acrescente cacau em pó orgânico. Nunca sola e é muito leve.






Os bolos de Natal da Nigella Lawson, adaptados para farinha integral e açúcares não refinados: 


Xmas Chocolate Fruitcake de Nigella Lawson



Clementine cake
4 a 5 clementinas (+ou- 375g totais)
6 ovos caipiras
250g rapadura ralada
250g amêndoas moídas
1 colher de chá (cheia) de fermento biológico
Coloque as clementinas numa panela com água fria, espere levantar fervura e cozinhe por 2 hs. Escorra e, depois de mornas, corte-as pela metade e remova as sementes. Jogue tudo no processador e dê uma batida rápida. Vá pondo os outros ingredientes e bata até homogeneizar.
Pré-aqueça o forno em 190°C (alto). Unte e enfarinhe com farinha integral uma forma redonda de 21cm.
Asse por 1h, até que você enfie um palitinho na massa e esse saia limpo. Talvez seja necessário cobrir com papel manteiga (ou similar) depois de 40min, para evitar que queime por cima. Deixe esfriar na forma e só depois desenforme.
OBS.: A "clementine" é praticamente uma tangerina, mas não tem sementes (no máximo 1 ou 2 por fruta! Se não encontrarem as "clementines", vale bergamota (tangerina, mexerica) ou laranja.
A amêndoa tem que ser super moída, quase uma farinha grossa! Se ela ficar em pedacinhos não absorve os líquidos e o bolo mela.
Outra maneira de fazer:
4 tangerinas (murgote) / 6 ovos caipiras / 250g rapadura ralada / 250 gramas de farinha de amêndoas / 1 colher (chá) de fermento biológico
Preparo: Coloque as tangerinas em uma panela com água fria, espere levantar fervura e cozinhe-as por 2 horas. Escorra-as e, depois de mornas, corte-as pela metade e remova todas as sementes. Coloque no processador (as cascas inclusive) e bata até formar um purê. Acrescente os ovos, o açúcar a farinha de amêndoas e o fermento e bata novamente. Leve para assar em uma forma de 24cm. untada com manteiga (forno a 180°C) por aproximadamente 1 hora, ou até que se espetando um palito ele saia limpo. Deixe esfriar e desenforme.



Bolo Abelhinha
Massa:
2 ovos caipiras
1 colher de sopa de cacau em pó
1 xícara de farinha de trigo integral
1 1/2 de xícara de rapadura ralada
225 gr de manteiga orgânica molinha
125 ml de mel-melado
1 colher de chá de bicarbonato
115 gr de chocolate meio amargo derretido
Bata todos os ingredientes no processador e aos poucos despeje 1 xícara de água quente.
Forma com diâmetro 22 - Forno pré aquecido 180º
A Nigella recomenda depois de uma hora assando tampar com papel alumínio (para não ressecar em cima).
Como é uma massa líquida, demora aproximadamente. 1:30 h. Mas ficar de olho.
Cobertura:
Ferver 1/4 de xícara de água. Despeje 1/2 xícara de mel. Apague o fogo e misture 175 gr de chocolate amargo picado. Espere derreter e misture.
Decore com amêndoas em lascas
Dica da Nigella: Desenforme o bolo em cima de quatro tiras de papel. Assim quando jogar a cobertura não escorre no prato. Depois é só tirar.





Qualquer calda de chocolate pode ser feita de forma bem simples, sem medidas, usando as dicas dadas na Torta Floresta Negra. As receitas de Nutella caseira, são excelentes como cobertura e recheio e combinam muito com a geleias caseiras de damasco e cupuaçu.
A Torta Floresta Negra também traz uma sugestão de cobertura branca a base de chocolate branco, muito simples e adaptável.
A receita de mousse de cacau com abacate, adoçada com tâmaras rende uma maravilhosa cobertura para bolo, o ponto é cremoso e consistente, toda crua e bem simples de ser feita, é a opção mais simples.

Se for o caso de cobrir o bolo com suspiro, como são os grandes bolos de aniversário e festas, bata claras de ovos caipiras em neve. Junte gotas de limão para deixar mais durinha, as raspas da casca do limão para quebrar o gosto e cubra, já arrumado no bolo, com fios de melado ou geleias caseiras, já que a ideia é a cobertura branquinha e nevada e, adicionando melado e rapadura ao preparo, a mesma vai ficar escura.
Para fazer suspiros coloridos, junte às claras em neve, geleias caseiras da cor escolhida, até em verde se usar a geleia de hortelã ou de chocolate, se juntar cacau em pó com melado. Esses suspiros coloridos e doces, são boa dica até para um bombom estilo "Nhá Benta", veja melhor na Páscoa em paz com o resto do mundo


Chantilly pode e deve ser preparado com iogurte natural orgânico no lugar de qualquer creme. Claude Troigrois recebeu em seu programa o chef responsável pelo melhor restaurante do mundo, El Bullí, e ambos fizeram uma espuma de iogurte assim, servida como sobremesa.
Toigrois serviu uma tapioca com queijo de Minas, enquanto o chef dava as respostas da entrevista e o gringo amou a tapioquinha, é claro. Veja melhor em  chantilly de iogurte


A geleia de damasco, apenas no açúcar natural da fruta, rende um ótimo recheio para todos os bolos e pode ser feita com qualquer fruta seca polpuda, assim como as Geleias de frutas vermelhas e as
Geleias para adulto: pimenta, manga com pimenta rosa, gengibre, vinho quente, hortelã e capim limão, assim como a de cupuaçu, todas feitas com rapadura.

Há alguns meses, fiz uma calda de chocolate usando uma barra de chocolate meio amargo com creme de leite fresco e orgânico (ou iogurte natural orgânico), adoçado com pouca rapadura e, honestamente, ficou muito bom. Essa calda endurece depois que esfria, e pode ser feita com qualquer leite vegetal na metade da quantidade sugerida para o creme de leite, adoçando com melado inclusive. Sempre dá certo, pode substituir por chocolate branco e serve até para fazer os bombons de frutas secas, sugeridos na Páscoa em paz com o resto do mundo
Basta dar um banho em qualquer fruta seca ou morango orgânico fresco com essa calda, passar em castanhas moídas ou coco ralado e esperar esfriar.
Banana passa, morango fresco, damasco, abacaxi, figo e pêssego secos são os melhores.


Calda de chocolate muito simples que acompanha qualquer bolo básico
1 xic. água ou qualquer líquido
1 xíc. de rapadura ralada (deixe dissolver no líquido)
3 col. sopa cacau
1 col. sopa óleo vegetal de boa procedência
Levar ao fogo até ferver e engrossar um pouco

A cobertura branca da Torta Floresta Negra
4 col sopa cheias de chocolate branco em barra dissolvido em 4 col sopa de leite vegetal caseiro (coco, castanhas e até pinhão) ou suco de laranja
Raspa de 1 limão

A calda quente da Torta Floresta Negra, que deve ficar em molheira à parte:
1 barra de chocolate meio amargo
1 copo de leite vegetal caseiro (coco, castanhas e até pinhão) ou suco de laranja
1 cálice de qualquer bebida destilada de cultivo orgânico

Recheio com morango no melado de cana e cobertura negra de abacate para bolos de chocolate, Tatiana Cardoso
(extraídas integralmente do livro “Festa Vegetariana”)
Recheio:
3 xíc morango orgânico
3 col sopa melado
Corte em fatias o morango e misture ao melado, guarde na geladeira até a hr de usar
Cobertura:
400gr de abacate maduro
3\4 xíc de cacau em pó
1\2 xíc melado
cacau em pó para enfeitar
Bata todos os ingredientes no liquidificador ou processador e leve à geladeira por 2 hrs antes de usar

Cobertura caribenha (de cacau com rum em leite de coco)
(extraída e adaptada do livro “Lar Vegetariano”)
2 tabletes de chocolate meio amargo sem leite
3 col de leite de coco caseiro (ou qualquer leite vegetal caseiro e suco de laranja)
3 col sopa de rum de origem controlada, as Feiras de Orgânicos já vendem bebidas alcoólicas certificadas
1 col sopa de óleo vegetal de boa procedência ou manteiga orgânica (tente huile de noix aromatizado e caseiro)
4 col sopa de rapadura ralada
Derreter tudo em banho-maria.


Se (quase) tudo der errado e o bolo ficar seco mesmo com calda e recheio, apele para um caldinho. O Bolo Chorão em Pão de Ló leva suco de laranja adoçado por cima. Faça o mesmo, usando 1 copo de água morna com melado ou rapadura dissolvida, um cálice de vinho do Porto (ou Marsala e licores em geral) também dá um sabor incrível a esse caldo.


Os ovos e laticínios, assim como as frutas frescas, sempre devem ser orgânicos e os secos, como farinhas, frutas secas, castanhas, cacau e especiarias podem ser sempre encontrados a granel. Já existem lojas de produtos naturais vendendo grãos integrais e suas respectivas farinhas a granel e oriundas de cultivo orgânico.
Comprando castanhas e frutas secas, dê preferência às orgânicas, não são pulverizadas com inseticida.


As fotos são do site da Nigella



Mais receitas:
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Mousses e pudins de chocolate
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Bolos integrais e sem açúcar 01: bolos de iogurte e pão de ló
Bolos integrais e sem açúcar 03: não contém glúten, os bolos da vovó
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Cheesecake em 12 versões: ricota, coalhada, macadâmia, amêndoas, pecans, castanhas, abacate e cacau

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Bolos integrais e sem açúcar 01: bolos de iogurte e pão de ló


As pessoas em geral não fazem ideia, mas as coisas mais difíceis na cozinha são: arroz soltinho, feijão grosso e bolo (ou pão) fofinhos. Parece simples, tem em qualquer lugar, mas é muito mais fácil fazer um risoto al fungui do que uma panela grande de arroz soltinho, a natureza do arroz é de colar por causa do amido, do feijão de virar um caldo ralo com grãos boiando e a do bolo é de virar uma massa seca, ou “solada”. Um bolo branco e simples é mais difícil de sair bem sucedido do que um sorvete de frutas vermelhas, ou uma mousse de cupuaçu  e afins... receitas, onde a cozinheira pode ver o que está acontecendo ao longo do processo de cozimento e refazer tudo se algo der errado.

Daí o sucesso das padarias, nos poupam de muita humilhação, pão é ainda mais difícil.
Em tempo, as padarias são os primos pobres portugueses e italianos das pâtisseries francesas. Alguns estabelecimentos faziam questão de intitular-se confeitaria, justamente para mostrar que eram diferentes, ofereciam “bolos e confeitos”, não apenas pão. Pâtisserie, na França, é uma ciência, o sujeito que sai formado de uma escola de Pâtisserie é considerado “mestre”, Mâitre Patisseur, e tem tanto status quanto um grande Chef de Cuisine. São anos de estudo, tanto para ser apto a abrir um restaurante e responder pelo seu cardápio e administração, quanto para preparar as sobremesas na confeitaria do outro lado da rua.
Ambos têm a mesma importância cultural e social dos médicos formados pela Univesidade de Medicina.
Por isso, os grandes chefs ficam fulos da vida quando um reles mortal pede para trocar um item do prato. A gente pensa “que diferença faz... mas sou eu quem está pagando mesmo”, mas o chef que estudou nutrição e é degustador com índice de acerto de 100% mesmo vendado, pensa que ele é quem deve nos ensinar o que comer, qual alimento combina com outro, tanto do ponto de vista nutricional, quanto cultural.

Fazer bolo tem ciência, “sola” mesmo e só o cachorro consegue comer depois. É de partir o coração, até porque não tem como voltar à panela e salvar. Pior, você só descobre quando corta o infeliz ao meio, o que pode te render um vexame em festas e comemorações.
Algumas receitas podem feitas em liquidificador, outras só na batedeira. Algumas pedem bicarbonato de sódio, outras pedem fermento e algumas, ambos.

Por via das dúvidas, só bato bolo na batedeira, com fermento biológico (quando sugerem bicarbonato, coloco os 2 sem pena) e usando a técnica tradicional: primeiro os “secos” (farinhas, fermentos, pitada de sal, etc) e só então vou juntando os “úmidos” paulatinamente, começando pelo ovos quando é o caso. E asso em pirex, já que joguei fora minhas formas de teflon, cancerígenas.
O melhor fermento é sempre o biológico, siga as instruções da embalagem, que não há risco algum. 



Para adaptar as receitas tradicionais de família, ou mesmo encontradas na internet, troco o açúcar refinado por rapadura ralada (ou melado, mas bolos tendem a responder melhor à rapadura) na mesma proporção, os ovos convencionais por ovos caipiras, margarina por manteiga orgânica e os óleos de milho e girassol, pelos de nozes, amendoim, gergelim e qualquer óleo extra-virgem de boa procedência. Se o óleo, além de extra-virgem, estiver aromatizado com canela em pau, cardamomo ou baunilha em favas, ainda melhor, veja como é fácil fazer um huile de noix aromatizado. Não use óleo de soja, além de insalubre, deixa um sabor medonho.

A farinha integral costuma substituir sem risco o dobro da quantidade em farinha branca. Por exemplo, num bolo originalmente com 2 xícaras de farinha de trigo branca, use apenas 1 xícara de farinha de trigo integral. Pode dar certo, como sair um fiasco, mas geralmente funciona e felizmente já existem muitos bolos e tortas combinando múltiplos grãos ao trigo integral, como fubá, aveia, quinua e até amaranto, ou mesmo substituindo quaisquer farináceos por coco ralado, tapioca e até aipim ralado  – essas receitas “alternativas” sempre dão certo. Leia sobre as farinhas alternativas na postagem da tapioca de coco com banana e canela em doce de leite de tahine com melado de cana.

Alguns veganos podem querer trocar os ovos por bananas amassadas ou linhaça hidratada, costuma ficar ótimo, mas como a maioria dos bolos não leva ovo, então não é o caso de se aprofundar. A manteiga orgânica NUNCA deve ser substituída por margarina, muito pelo contrário. Se for o caso de intolerância à lactose, substitua em partes iguais pelo óleos vegetais extra-virgens de boa procedência, as quantidade são pequenas. Não sugiro leite de soja tampouco pela toxidade do mesmo, tente com leites vegetais caseiros, como leite de coco, castanhas ou pinhão.


A falecida mãe do meu pai (minha avó paterna), mulata paraense dona de braços fortes e ombros largos, que eu herdei, só batia bolo à mão, achava mais fácil do que montar a batedeira - a dela era modelo antigo, imensa e pesadíssima. Quando perguntei a minha mãe, mignonzinha de 47kgs, o que ela preferia, a resposta foi ótima: uma batedeira portátil pendurada na parede da cozinha bem acima da pia...
Ainda me ensinou a priorizar pão-de-ló, tipo de bolo de origem portuguesa (como ela) que não leva manteiga e leite, nunca sola e todo mundo adora por ser levinho e ideal para servir de sobremesa, principalmente recheado.
A mãe dela, minha avó materna, já citada aqui, por ter sido uma figura rara quando viva, tinha a boa mania de trocar o leite de vaca por suco de laranja em seus bolos, mesmo àqueles tradicionais com manteiga, ela gostava mais - achava que ficava mais molhadinho e dourado. A verdade é que fica mais leve sim, mesmo em bolos pesados com manteiga, farinha branca e açúcar refinado, o suco de laranja funciona melhor. Há muitas receitas de bolo, incluindo os integrais e sugar-free, que não especificam o líquido, sugerem chás com especiarias, sucos diluídos ou leites vegetais (normalmente leite de coco, mas pode ser em castanhas e até pinhão), mas não especificam exatamente o quê daria o ponto.

Se você decidiu partir para a aventura de bater um bolo à mão com colher de pau e garfo, prepare-se para não poder parar de bater até o bolo estar em consistência uniforme e devidamente disposto no tabuleiro enfarinhado.
Caso decidia optar pela batedeira, faça como minha mãe, coloque a travessa com os ingredientes, dentro da pia, se voarem com o movimento das hélices, não respingam até o teto.

Atente que já existem muitas marcas orgânicas e certificadas de cacau, farinha integral, manteiga, ovos, rapadura e demais ingredientes. Veja como comprar e reconhecer produtos orgânicos.

Seguem as receitas de bolos com iogurte e Pão de Ló, todos integrais e sugar-free:

Pão de Ló com abacaxi fresco
(adaptado de receita da minha família)
1\2 abacaxi orgânico fresco cortado em rodelas sem o miolo
1\2 xíc. de melado de cana
1\2 xícara de ameixas secas descaroçadas (opcional)
3 ovos caipiras, claras em neve
1 xíc. de rapadura ralada
1\2 de xícara de farinha integral
1 col de sobremesa de fermento biológico em pó
Junte às gemas, as claras em neve e bata bem na batedeira. Adicione a rapadura, o fermento e a farinha paulatinamente. Bata tudo muito bem, a massa vai ficar líquida.
Untar uma forma redonda sem furo com o melado, arrumar o abacaxi cortado em rodelas sem o miolo. No lugar do miolo, colocar ameixas secas descaroçadas.
Distribuir a massa por cima e assar por 20 minutos.


Bolo Chorão ou Pão de Ló de laranja com calda da fruta fresca
(adaptado de receita da minha família)
6 ovos caipiras, claras em neve
2 xícaras de rapadura ralada
1\2 de xícara de farinha integral
1 col de sopa de fermento biológico em pó
Raspas da casca de 1 laranja orgânica
Para a calda: 3\4 de xícara de melado ou rapadura dissolvidos em 1 litro de suco de laranja
Junte às gemas, as claras em neve e bata bem na batedeira. Adicione a rapadura, o fermento, as raspas da casca da laranja e a farinha paulatinamente. Bata tudo muito bem, a massa vai ficar líquida.
Asse em tabuleiro untado
Para fazer calda de laranja, junte 3\4 de xíc de rapadura ou melado em 1litro de suco de laranja, espere dissolver bem. Fure o topo do bolo ainda quente com garfo, faça muitos furinhos e então, despeje a calda. O bolo vai ficar molhado por igual.


Pão de Ló de laranja
(extraída e adaptada do livro “Lar Vegetariano”)
1 1\2 xíc de farinha de trigo integral
1 xíc rasa de rapadura ralada
150 ml de suco de laranja orgânica
1 col de chá de fermento biológico em pó
2 col de sopa de óleo vegetal de boa procedência
Raspa da casca de 1 laranja
Peneire a farinha, o fermento e as raspas da casca da laranja. Bata na batedeira o óleo com a rapadura, até ficar um creme homogêneo. Junte os ingredientes secos e alterne com o suco.
Bata até ficar homogêneo. Asse por 30 minutos em forma untada e enfarinhada.


Gateaux au citron et yaourt (bolo de limão e iogurte), adaptada da receita de família de Laure Catherine Marguerite - minha vizinha francesa
2 copos de iogurte orgânico (400ml)
2 ovos caipiras
2 copos de farinha integral
sumo de 1 limão (casca ralada antes)
2 copos de rapadura ralada
1 col de sobremesa cheia de fermento biológico em pó
1\2 copo de óleo vegetal de boa procedência
Misture os secos, junte os ovos, o suco de limão, o óleo e o iogurte paulatinamente, enquanto bate na batedeira. Adicione sementes de papoula se gostar, enfeite a parte de cima com rodelas de limão antes de assar e salpique mais raspa de limão e sementes de papoula depois de pronto.
Assar em forma untada e enfarinhada.


Bolo Lima Ohsawa: com iogurte, fubá, aveia, suco de laranja, frutas secas, castanhas e um mundo de especiarias
(extraída e adaptada do livro “Sem açúcar, com afeto”)
500gr de fubá
250grs de aveia em floco finos
1 xícara de iogurte caseiro (opcional)
3 xíc de suco de laranja doce
1 xícara de frutas secas (deixadas de molho e picadinhas)
1\2 xícara de castanhas
1 punhado de passas (deixadas de molho e picadinhas)
1 col de sopa de raspas da casca do limão
1 col de sopa de canela em pó
1 col de chá de cravo em pó (ou gengibre em pó)
1\2 col de chá de noz moscada em pó
1\2 col chá de sal
2 col de sopa cheias de melado
1 colher de chá (cheia) de fermento biológico em pó
Misturar bem até virar uma papa grossa, bater em batedeira.
Assar em forma untada e enfarinhada por 1 hr, forno médio e pré-aquecido


Bolo de iogurte com leite de coco, gergelim e gérmen de trigo
(extraída e adaptada do livro “Mãe Terra, Livro de Receitas 1”)
1\2 xíc de gérmen de trigo
2 xíc de farinha integral
200ml iogurte natural ou coalhada
1\2 copo de leite de coco caseiro
100gr de manteiga orgânica
1 1\2 xícara de rapadura ralada
2 ovos caipiras separados
1 col de sopa de fermento biológico em pó
4 col de sopa de gergelim branco
Bata em creme as gemas, rapadura e manteiga. Adicione alternadamente a farinha, a coalhada e o gérmen de trigo. Por fim, misture delicadamente o leite de coco, o fermento e as claras em neve.
Despejar em forma untada e enfarinhada, polvilhar o gergelim e assar em forno pré-aquecido até dourar.


Bolo de chocolate com iogurte
(extraída e adaptada do livro “Mãe Terra, Livro de Receitas 1”)
2 xícaras de farinha integral
1 1\4 xícara de rapadura ralada
1\2 xícara de manteiga orgânica
200ml de iogurte natural orgânico
2 ovos caipiras
1 1\4 bicarbonato de sódio
1\3 xícara de água
1\2 xícara de cacau em pó
Bata bem a manteiga, adicione a rapadura até formar um creme. Junte os ovos, batendo sempre. Acrescente alternadamente o cacau com iogurte, e a água por último, misturada ao bicarbonato. Levar ao forno quente em forma untada e enfarinhada por 30min.


Panetone integral de banana também pode ser feito com muitos ingredientes úmidos, como bagaços de castanhas e coco obtidos após extração de seus leites, e até levar 1 copinho de leite vegetal ou suco de laranja, rendendo um bolo mais firme que nunca sola e ainda adaptado a raízes como inhame, batata doce e abóbora - leia melhor sobre essas possibilidades na postagem Pão de Raízes em batata doce com cebola e inhame com coco e chocolate.

panqueca integral para café da manhã pode ser feita em receita dobrada e assada inteira em pirex redondo, rendendo um bolo rápido e leve que não sola de jeito nenhum e fica um pão de ló sofisticado com as sementes de lavanda por cima, antes de assar.

O Xmas Chocolate Fruitcake adaptado de receita da Nigella, que pode ser feito apenas em frutas, suprimindo o chocolate, além do tradicional e deliciosamente simples Bolo Português Natalino de maçã e amêndoas.

Qualquer calda de chocolate pode ser feita de forma bem simples, sem medidas, usando as dicas dadas na Torta Floresta Negra. As receitas de Nutella caseira, são excelentes como cobertura e recheio e combinam muito com a geleias caseiras de damasco e cupuaçu.
A Torta Floresta Negra também traz uma sugestão de cobertura branca a base de chocolate branco, muito simples e adaptável.

Se for o caso de cobrir o bolo com suspiro, como são os grandes bolos de aniversário e festas, bata claras de ovos caipiras em neve. Junte gotas de limão para deixar mais durinha, as raspas da casca do limão para quebrar o gosto e cubra, já arrumado no bolo, com fios de melado ou geleias caseiras, já que a ideia é a cobertura branquinha e nevada e, adicionando melado e rapadura ao preparo, a mesma vai ficar escura.

Para fazer suspiros coloridos, junte às claras em neve, geleias caseiras da cor escolhida, até em verde se usar a geleia de hortelã ou de chocolate, se juntar cacau em pó com melado. Esses suspiros coloridos e doces, são boa dica até para um bombom estilo "Nhá Benta", veja melhor na Páscoa em paz com o resto do mundo

Chantilly pode e deve ser preparado com iogurte natural orgânico no lugar de qualquer creme. Claude Troigrois recebeu em seu programa o chef responsável pelo melhor restaurante do mundo, El Bullí, e ambos fizeram uma espuma de iogurte assim, servida como sobremesa.
Toigrois serviu uma tapioca com queijo de Minas, enquanto o chef dava as respostas da entrevista e o gringo amou a tapioquinha, é claro. Leia melhor em Chantilly de iogurte.

A geleia de damasco, apenas no açúcar natural da fruta, rende um ótimo recheio para todos os bolos e pode ser feita com qualquer fruta seca polpuda, assim como as  Geleias de frutas vermelhas e as
Geleias para adulto: pimenta, manga com pimenta rosa, gengibre, vinho quente, hortelã e capim limão, assim como a de cupuaçu, todas feitas com rapadura.


Exceto pelos ingredientes frescos, todas as farinhas, castanhas, frutas secas, além da rapadura e melado, podem ser encontrados a granel muito mais em conta e até em versões orgânicas.
Os ovos e laticínios, assim como as frutas frescas, sempre devem ser orgânicos e os secos, como farinhas, frutas secas, castanhas, cacau e especiarias podem ser sempre encontrados a granel. Já existem lojas de produtos naturais vendendo grãos integrais e suas respectivas farinhas a granel e oriundas de cultivo orgânico.
Comprando castanhas e frutas secas, dê preferência às orgânicas, não são pulverizadas com inseticida.


As imagens são aleatórias e estão presentes em outros sites via Google Images, aparecendo seus autores, damos os créditos imediatamente.


Mais informação:
Leites Vegetais x Leite animal
Mel de abelhas x melado de cana
O pudim de coco de D. Cora Coralina
Bolos integrais e sem açúcar 02: chocolate
Bolos integrais e sem açúcar 03: não contém glúten, os bolos da vovó
Crumble de banana com castanha do caju e de morango com castanha do Pará
Cheesecake em 12 versões: ricota, coalhada, macadâmia, coco, amêndoas, pecans, figos, abacate, abóbora...

domingo, 18 de julho de 2010

Artigos de couro vegetal em lojas convencionais


No marcador consumo consciente há muitas dicas de sapatos e bolsas em material alternativo (ou couro vegetal) de produtores específicos. Os frigoríficos são apontados como os grandes vilões do desmatamento da Amazônia, mas os curtumes e madeireiras também têm sua parcela considerável de responsabilidade direta nesse problema. Leia mais sobre o assunto no relatório do Greenpeace em Farra do Boi na Floresta Amazônica.

A maioria das pessoas, pensa que esses sapatos são mais caros, ortopédicos ou de fabricação exclusiva de meia dúzia de fabricantes. Não são, sapatos em "couro vegetal" são mais comuns do que a gente imagina, até pelo custo do couro tradicional (de origem animal).

As minhas botas em couro vegetal, postadas "Verde é sexy" ,"Verde é muito sexy" e "Verde", além de sexy, é country e impermeável, são um bom exemplo, todos os pares foram comprados em sapatarias populares e não traziam fabricante específico.

Lojas mais sofisticadas, como a Uncle KAlicedisseMr.Cat e Victor Hugo fabricam a maior parte de suas coleções em material alternativo, o mesmo bom senso da sapataria popular, aplica-se à boutique: pergunte aos vendedores o que não é em couro, ele vai mostrar simpaticamente. As lojas de grife podem não divulgar que fabricam calçados e bolsas em couro vegetal, até por terem que defender a qualidade de seus produtos exclusivos, mas o fazem e não enganam o cliente quando o mesmo pede para ver a diferença entre os "alternativos" e convencionais.

Pastas masculinas e para notebooks em materiais sintéticos, podem ser encontradas em papelarias com tradição de presentes assinados como a Papel CraftPapel Picado e Imaginarium, além das muitas papelarias convencionais que já estão oferecendo pastas em PVC e até de PET reciclado.
A Converse All Star é sempre uma opção, à exceção dos modelos especiais em couro, tudo deles é sintético há 50 anos, em lona e solado de borracha. E, para quem pode usar um calçado mais informal, a Gooc Eco Sandals e a Crocs são declaradamente em sintético como opção de design moderno.

A C&A, já citada aqui como exemplo de boa prática ambiental ao adotar sacolas de plástico oxi-biodegradável, é a maior rede de varejo do mundo e trabalha igualmente com diversos fornecedores, alguns em couro animal e outros em material alternativo, ficam dispostos sem distinção, lado a lado em seus displays. Os vendedores, por incrível que pareça, são extremamente atenciosos quando o cliente pede para ver apenas os calçados em couro vegetal e não tentam "empurrar" os produtos em couro animal tampouco.

Uma recepcionista do meu trabalho vende produtos Avon e deixou o catálogo comigo por algumas horas, qual não foi minha surpresa ao ver que a Avon revende sapatos, inclusive sandálias de salto alto para festa, em couro vegetal dos seguintes fabricantes: Via Scarpa, Giorgio Almeida e Frisina.

Beira Rio, produz sapatos em material alternativo como a Picadilly e podem ser igualmente encontrados em qualquer sapataria. Outra sapataria bastante popular é a Paquetá, que trabalha com diversos fornecedores e, apesar de etiquetar seus calçados, oferece muitas alternativas em couro vegetal, basta perguntar aos vendedores. Observe que marcas mais populares como Moleca Azaleia são 100% sintéticas justamente por serem baratas, o couro animal é um produto mais caro, que não atende ao público alvo dessas marcas.


Se você pensou que alguém bem que poderia aproveitar material reciclado, como outdoors, para fazer bolsas incríveis usando mão de obra penitenciária para isso, que depois de cumprir a pena retorna à sociedade capacitada, a Temquemqueira, citada aqui numa postagem exclusiva e linkada, pensou também e desenvolve uma linha incrível 100% ambiental e socialmente correta.



Mais compras que não agridem o meio ambiente de marcas que se orgulham em ser animal friendly:
Melissas
Ana Capri
Comparsaria
Arteira Brasil
Loulouxshoes
Joana Pegado
Tamancaria Santista (em Peruíbe, SP)
Alpargatas, tênis em lona e demais calçados das Havaianas


A foto é promocional do trabalho de Gilson Martins, famoso no mundo todo pelo estilo inconfundível e por trabalhar apenas com materiais sintéticos - eu tenho uma dessas bolsas com a bandeira do Brasil, é o acessório perfeito para um terninho preto ou marfim.


Para saber o que fazer com tênis velhos, conheça a iniciativa da Nike de reciclagem para transformação em piso antiderrapante de academia de ginástica, na postagem Nike reuse a shoe.


Mais informação:
Lenços 
Tricô e crochê
A Libertação Animal
Piñatex: biocouro de abacaxi
A coleção "Pelemania" da Arezzo
Cosméticos biodegradáveis não testados em animais
Bolsas, sandálias e cintos em pneus e cintos de segurança reciclados
Neurocientistas de todo mundo assinam manifesto reconhecendo consciência em animais   

Chutneys de manga, abacaxi, mamão, maracujá com carambola, flores...


Eu adoro chutney, acho o substituto perfeito do ketchup e molho barbecue - é gostoso, sofisticado e pode ser feito inteiramente com ingredientes orgânicos.
Chutneys seguem uma receita básica e podem ser feitos com inúmeras frutas, como pêssegos e todas as frutas vermelhas, além de tomates, cenouras e abóbora.
As versões industrializadas levam açúcar e conservantes, fazendo em casa, além de fácil, você pode controlar a procedência dos ingredientes e comprar a maioria das especiarias a granel.
A foto acima exibe uma degustação de chutneys acompanhados de chapati, pão indiano sem fermentação.


Chutneys ficam incríveis em qualquer sanduíche de frios com carnes orgânicas, patês de castanhas, queijo de pinhão, coalhada seca e polvilhados com massalas caseiros.

As Geleias para adulto  (pimenta, manga com pimenta rosa, gengibre, vinho quente e hortelã e capim limão) e os Ketchup, mostarda e maionese caseiros (+ uma receita de salada de maionese sem maionese) também substituem bem molhos prontos e açucarados.




Seguem as receitas:

CHUTNEY DE MANGA
2 ½ mangas / 4 xícaras (chá) de manga picada
2 xícaras (chá) de cebola, picada
1 xícara (chá) de pimentão picado
1 xícara (chá) de nozes picadas
1 ¼ xícara (chá) de vinagre de vinho branco
½ xícara (chá) de melado de cana
1 ¼ xícara (chá) de uvas-passa
½ xícara (chá) de rapadura ralada
2 ½ colheres (sopa) de gengibre bem picado
1 colher (sopa) de sal
1 ½ colher (chá) de molho de pimenta
5 cravos
1 ½ pau de canela
1. Descasque as mangas e corte em pequenos pedaços.
2. Pique todos os outros ingredientes pedidos na receita.
3. Coloque todos os ingredientes numa panela grande de aço inoxidável (ou pedra e barro). Leve ao fogo alto e mexa de vez em quando. Espere ferver.
4. Após a fervura, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 10 minutos.
5. Retire a mistura do fogo e coloque num recipiente com tampa. Leve à geladeira por no mínimo 6 horas.
6. Retire a mistura da geladeira e volte para a panela. Leve ao fogo baixo por mais 30 minutos, mexendo de vez em quando.
7. Retire o chutney do fogo e coloque dentro de vidros esterilizados
Guarde em geladeira por até 1 mês.


CHUTNEY DE PAPAIA
4 xícaras (chá) de papaia, em cubinhos
¼ xícara (chá) de cebola, ralada
2 xícaras (chá) de maçã descascadas e picadas
½ xícara (chá) de uvas-passa
¾ xícara (chá) de vinagre de vinho branco
1 xícara (chá) de rapadura ralada
3 colheres (sopa) de suco de limão
½ xícara (chá) de água
2 colheres (sopa) de pimentão picado
1 colher (sopa) de gengibre ralado
2 dentes de alho amassados
1 colher (chá) de sal
¼ xícara (chá) de amêndoas torradas e picadas
Faça todo o pré-preparo e separe os ingredientes nas medidas corretas.
2. Coloque todos os ingredientes, salvo as amêndoas, numa panela e tampe. Leve ao fogo baixo por 30 minutos e mexa de vez em quando.
3. Acrescente as amêndoas e deixe cozinhar por mais 30 minutos, sempre mexendo. Amasse grosseiramente e deixe esfriar.


CHUTNEY DE ABACAXI
1 colher (sopa) de manteiga orgânica
½ cebola roxa picada
1 dente de alho picado
½ colher (café) de pimenta vermelha picada
1 colher (chá) de gengibre ralado
½ colher (chá) de curry em pó
suco de 1 limão grande
½ pimentão vermelho picado
½ pimentão amarelo picado
2 maçãs sem casca em cubinhos
1 abacaxi em cubinhos
¾ de xícara (chá) de rapadura ralada
½ xícara (chá) de uvas-passa
uma pitada de sal
1. Faça o pré-preparo: pique a cebola roxa, o dente de alho, a pimenta vermelha, rale o gengibre, esprema o limão, pique os pimentões, descasque e pique as maçãs e o abacaxi, e separe os outros ingredientes nas quantidades necessárias.
2. Numa panela com manteiga, doure a cebola, o alho, a pimenta e o gengibre. Acrescente o curry e o suco de limão.
3. Junte os pimentões, as maçãs, o abacaxi e o açúcar mascavo.
4. Misture muito bem e continue cozinhando com a panela tampada (em fogo baixo) por uns 5 minutos.
5. Junte as passas, o sal e continue cozinhando, mexendo de vez em quando, até que todo o líquido tenha evaporado. Retire do fogo e sirva em temperatura ambiente.

Aproveite as cascas do abacaxi, se for orgânico, e faça um refresco levinho aproveitando as sobras.


Outros chutneys:

Maracujá com carambola
Chutney de maracujá e carambola. Receita de Fernando Goldeinstein 
3 maracujás grandes
10 carambolas médias
1 xícara de damasco picado
1 xícara de figo seco picado (podem ser substituídos por outras frutas secas)
1 cebola grande
2 xícaras de rapadura ralada (ou açúcar mascavo)
1 xícara de vinagre de maçã
1 xícara de água para ferver a casca dura do maracujá
½ a 1 xícara de gengibre ralado (dependendo o quanto você gosta)
Pimentas dedo de moça (ou mais, dependendo do quanto você aguenta)
Sal (a gosto)

Descasque e ferva em água a casca dura do maracujá. Junte a cebola cortada em rodelas com vinagre, pimentas inteiras, rapadura, gengibre ralado, polpa e casca branca do maracujá, sal. Deixar ferver de 5 a 10 minutos até para perder um pouco a força do vinagre. Filtre e junte a água da casca do maracujá com a carambola, damasco e figos secos e cozinhar até ficar com consistência de chutney.


Mango chutney caseiro de Neide Rigo
4 colheres (sopa) de óleo
1 colher (chá) de cominho
1 colher (chá) de grãos de mostarda marrom
1 colher (chá) de grãos de coentro
2 pauzinhos de canela
4 grãos de pimenta-do-reino preta
3 pimentas malaguetas picadas
1 colher (chá) de sal
3 colheres (sopa) de açúcar demerara ou mascavo
2 colheres (sopa) de suco de limão
1 kg de polpa de manga picada ou fatiada fina
1/2 colher (chá) de flocos de pimenta calabresa (usei 1 colher e gostei, mas talvez você ache muito)
3 colheres (sopa) de vinagre branco
Coloque numa frigideira o óleo, o cominho, a mostarda, o coentro, a canela e a pimenta malagueta. Leve ao fogo e mexa. Quando as especiarias começarem a pipocar, junte o sal, o açúcar e o suco de limão. Em seguida, junte a manga e os outros ingredientes. Mexa, abaixe o fogo, tampe a frigideira e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos ou até a manga ficar bem cremosa. Prove e corrija o tempero se achar necessário. Coloque ainda quente num vidro aferventado e também ainda quente. Deixe esfriar com a tampa aberta. Tampe e guarde na geladeira por até 1 semana, para comer com carne assada - de porco, principalmente. Ou no recheio de sanduíches com defumados.
Rende: cerca de 800 gramas




CHUTNEY DE HIBISCO DA KENIA BAHR
(ou vinagreira, flor de umê, flor da jamaica...)
3 xic de flores de hibisco (agora é época! encontrei nas lojinhas da Liberdade)
2 maçãs
1 cebola média
1/2 xic de damascos secos

1/2 xic de figos secos
3 col sopa de rapadura ralada
3 col sopa de óleo
3 col sopa de vinagre de maçã (ou outro bom vinagre)
Especiarias a gosto (usei pimenta do reino, pimenta síria, grãos de mostarda amarela, sementes de coentro)
Sal a gosto
Pimenta dedo de moça (veja o quanto aguenta)

Picar tudo miudinho ou no processador (retirar os frutos do hibisco antes, só se usam as sépalas).
Fritar as especiarias no óleo, até começarem a pipocar.
Misturar tudo em uma panela e colocar água aos poucos para cozinhar, até ficar cremoso, na consistência de chutney.

sábado, 10 de julho de 2010

Nestlé mata Água Mineral em São Lourenço - a PureLife é uma água química

Recebi o texto abaixo de pessoa mais do que querida, Sonia.
Hidropirataria é assunto recorrente neste blog modesto, mas que anda esquecido há algum tempo e, graças à amiga, volta à carga.

Caso ainda não tenha assistido ao documentário Flow, que retrata a situação dramática de uma região após a saída de indústria de bebidas, desertificando os solos da região após desgate dos mananciais, assista - é imprescindível entender que para cada litro de bebida pronta (refrigerante, chá, suco e cerveja), são consumidos em média 5lts de água. O custo indireto desse desperdício não pode ser repassado ao consumidor final, 1 lt de mate (ou guaraná) não pode custar R$10,00, é inviável comercialmente - mas a longo prazo, a população do entorno das fábricas paga um preço muito mais alto.
Para se aprofundar ainda mais na questão, assista também ao filme Ouro Azul: A guerra mundial pela água.

Em São Lourenço, nossa mais tradicional estância hidromineral, o problema também ocorre à despeito dos protestos (e processos judiciais) da população local. Veja melhor no link.
Leia também o email de moradora da região reportando esse roubo debaixo dos nossos narizes.

E no Ceará, a Ypioca, cacharia tradicional e outrora certificada, secou uma lagoa de reserva indígena.

Em tempo, todo processo industrial polui e usa conservantes prejudiciais à saúde e embalagens plásticas ou não-recicláveis, como long neck e tetrapack, além de incluir metais pesados danosos à saúde e exigir emissão de CO2 no transporte dos produtos que, no Brasil, ainda se acentua, pois praticamente toda nossa logística industrial é feita em caçamba de caminhão, não vistoriado, por uma estrada esburacada e com motorista "virado" e movido a "rebite". O Brasil é o único país do mundo que transporta ferro em aço por rodovia, já que não aproveitamos nossa costa para a navegação de cabotagem ou mesmo ampliamos a malha ferroviária, que é da época do império.

Informe-se e faça seus chás quentes e gelados; refrescos e bebidinhas de festa; lassis ou recorra à boa e velha água de coco, deliciosa e isotônico natural, sem contra indicações.

Sobre o mercado da água e toda hidropirataria por trás, leia a postagem Beber água pura não deveria ser caro e assista os vídeos do Wateraid, water and sanitation for all, premiados em Cannes.

Estatística: 40% da população mundial vive sem saneamento básico e 1 pessoa em 8 sem acesso à água potável, em consequência 4.000 crianças morrem diariamente por falta de saneamento básico.

Saneamento básico é o primeiro passo na direção contrária à miséria.




Segue o texto abaixo:

As águas turvas da Nestlé, Carla Klein

Há alguns anos a Nestlé vem utilizando os poços de água mineral de São Lourenço para fabricar água marca PureLife. Diversas organizações da cidade vêm combatendo a prática, por muitas razões.

As águas minerais, de propriedades medicinais, e baixo custo, eram um eficiente e barato tratamento médico para diversas doenças, que entrou em desuso, a partir dos anos 50, pela maciça campanha dos laboratórios farmacêuticos para vender suas fórmulas químicas através dos médicos. Mas o poder dessas águas permanece. Médicos da região, por exemplo, curam a anemia das crianças de baixa renda apenas com água ferruginosa.

Para fabricar a PureLife, a Nestlé, sem estudos sérios de riscos à saúde,desmineraliza a água e acrescenta sais minerais de sua patente.

A desmineralização de água é proibida pela Constituição.

Cientistas europeus afirmam que nesse processo a Nestlé desestabiliza a água e acrescenta sais minerais para fechar a reação.

Em outras palavras, a PureLife é uma água química.

A Nestlé está faturando em cima de um bem comum, a água, além de o estar esgotando por não obedecer às normas de restrição de impacto ambiental, expondo a saúde da população a riscos desconhecidos. O ritmo de bombeamentoda Nestlé está acima do permitido.

Troca de dutos, pra extração mais profunda, na presença de fiscais é rotina. O terreno do Parque das Águas de São Lourenço está afundando devido ao comprometimento dos lençóis subterrâneos. A extração em níveis além do aceito está comprometendo os poços minerais, cujas águas têm um lento processo de formação, está ficando cada vez mais lento.

Dois poços já secaram. Toda a região do sul de Minas está sendo afetada, inclusive estâncias minerais de outras localidades.

Durante anos a Nestlé vinha operando, sem licença estadual. E finalmente obteve essa licença no início de 2004.

Um dos brasileiros atuantes no movimento de defesa das águas de São Lourenço, Franklin Frederick, após anos de tentativas frustradas junto ao governo e imprensa para combater o problema, conseguiu apoio, na Suíça, para interpelar a empresa criminosa. A Igreja Reformista, a Igreja Católica, Grupos Socialistas e a ong verde ATTAC uniram esforços contra a Nestlé, que já havia tentado a mesma prática na Suíça.
 
Em janeiro deste ano, graças ao apoio desses grupos, Franklin conseguiu interpelar pessoalmente, e em público, o presidente mundial do Grupo Nestlé. Este, irritado, respondeu que mandaria fechar imediatamente a fábrica da Nestlé em São Lourenço.

No dia seguinte, o governo de Minas (PSDB), baixou portaria que regulamentava a atividade da Nestlé. Ao invés de multas, uma autorização, mesmo ferindo a legislação federal. Sem aproveitar o apoio internacional para o caso, apoiou uma corporação privada de histórico duvidoso. Se a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente vem ignorando o caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto foi publicado em jornais de vários países, além de duas matérias de meia hora na televisão.

Em uma dessas matérias, o vereador Cássio Mendes, do PT de São Lourenço, envolvido na batalha contra a criminosa Nestlé, reclama que sofreu pressões do Governo Federal (PT), para calar a boca.

Teria sido avisado de que o pessoal da Nestlé apóia o Programa Fome Zero e não está gostando do barulho em São Lourenço. Diga-se também que a relação espúria da Nestlé com o Fome Zero é outro caso sinistro.

A empresa, como estratégia de marketing, incentiva os consumidores a comprar seus produtos, alegando que reverte lucros para o Fome Zero. E qual é a real participação da Nestlé no programa? A contratação de agentes e, parece, também fornecendo o treinamento. Sim, a famosa Nestlé, que tem sido há décadas alvo internacional de denúncias de propaganda mentirosa, enganando mães pobres e educadores para a substituição de leite materno por produtos Nestlé, em um dos maiores crimes contra a humanidade.

A vendedora de leites e papinhas "substitutos" estaria envolvida com o treinamento dos agentes brasileiros do Fome Zero, recolhendo informações e gerando lucros e publicidade nas duas pontas do programa: compradores desejosos de colaborar e famintos carentes de comida e informação. Mais preocupante: o Governo Federal anuncia que irá alterar a legislação, permitindo a desmineralização "parcial" das águas. O que é isso? Como será regulamentado?

Se a Nestlé vinha bombeando água além do permitido e a fiscalização nada fez, como irão fiscalizar a tal desmineralização "parcial"? Além do que, "parcial" ou "integral", a desmineralização é combatida por cientistas e pesquisadores de todo o mundo. E por que alterar a legislação em um item que apenas interessa à Nestlé? O que nós cidadãos ganhamos com isso?

Sabemos que outras empresas, como a Coca-Cola, estão no mesmo caminho da Nestlé, adquirindo terrenos em importantes áreas de fontes de água.

É para essas empresas que o governo governa?


Mais informações sobre o caso Nestlé em Cidadania pelas águas



O comércio de água engarrafada é um dos maiores crimes ambientais do nosso tempo, além do excesso de lixo pelas garrafinhas plásticas, a água mineral comercializada é quase um produto artificial em função dos minerais serem adicionados sinteticamente, já que as fontes minerais originais terem secado tamanha a demanda. Some a tudo isso o crime de hidropirataria, que ninguém rastreia, afinal a fábrica instala-se em área de concessão pública, conta com isenção de impostos porque gera empregos, seca as fontes de água locais, puxa mais água dos lençóis freáticos do entorno para nos vender a mesma água com minerais adicionados sinteticamente e embalada em plástico que será transportado em caçamba de caminhão. Pior, quando as fontes secarem, os donos da mesma fábrica (ou acionistas majoritários e CEO´s) simplesmente abandonam aquelas instalações fabris, a essa altura obsoletas, para instalar-se em outro local, com isenção de impostos, é claro. Às populações locais, sobram instalações fabris abandonadas, desemprego estrutural, exército reserva de mão de obra super capacitado, solos desertificados e fontes secas.

Pense ainda que uma empresa que vende um produto engarrafado em plástico deveria ser responsável pela logística reversa da reciclagem dessas garrafinhas, de acordo com a própria Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Estou deixando abaixo muitos links sobre todos os assuntos abordados, sugestões de filmes, outros casos de hidropirataria com processos judiciais movidos em Ação Popular pela própria população e sugestões para países com problemas de potabilidade, como o Brasil.

Mais do que nunca, é imprescindível entender que para cada litro de bebida pronta (refrigerante, chá, suco e cerveja), são consumidos em média 5lts de água. O custo indireto desse desperdício não pode ser repassado ao consumidor, afinal 1lt de mate (ou guaraná) não pode custar R$10,00, é inviável comercialmente - mas a longo prazo, a população do entorno das fábricas paga um preço muito mais alto. Hidropirataria é o crime ambiental que ninguém rastreia.

Lembre sempre que cada garrafinha de água mineral consome 8 vezes o seu peso em petróleo para ser produzida e que muitos restaurantes já aderiram ao movimento Água na Jarra, cedendo ou cobrando barato por uma jarra de água potável. Leia sobre o movimento e estabelecimentos que aderiram, na postagem "Água na jarra: estabelecimentos e receitas de águas aromatizadas".

Garantir água potável a todos é um direito constitucional e inalienável - é inaceitável desenvolvermos tecnologia nuclear antes de erradicar a mortalidade infantil.
Uma sociedade que empurra as próprias fezes com água doce, mas que em contrapartida compra água mineralizada quimicamente, tem problemas muito maiores e mais prementes do que autossuficiência em petróleo e urânio.




Mais infrmação:
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Imagem cedida do site da Universidade de Barcelona