terça-feira, 18 de maio de 2010

O mundo é o que você come

Bárbara Kingsolver aborda uma questão fundamental: como uma família de 4 pessoas pode se alimentar e viver de forma sustentável, do que é capaz de produzir em equilíbrio com seu entorno. Grandes entusiastas de produtores rurais locais e as feiras que os mesmos proporcionam, a escritora, o marido e 2 filhas menores decidem viver na fazenda da família e colocam a experiência na prática.

Os 4 passam um ano se alimentando com o que plantam e criam — aspargos, abóboras, tomates, acelgas, galinhas, frutas vermelhas, perus, ovos — respeitando sempre a época do ano e o que ela pode oferecer. Diferente de todos os outros livros de memórias, "O mundo é o que você come", nos traz um tema urgente e universal, ao mesmo tempo em que nos dá uma lição de coragem e força de vontade.

Se o livro pudesse ser definido em uma única frase, seria "Não está na época", que não ouvimos mais nos dias de hoje, já que toda a comida do mundo está disponível em qualquer local àqueles que puderem pagar, não importando se determinado vegetal tiver que viajar quilômetros ou ser alterado geneticamente e banhado em pesticidas.

As receitas dessa família que conservou tomates em invernos com geada e campos nevados, está no site  Milagre Vegetal e Animal.

Em tempo, não são vegetarianos, fizeram seus queijos, conservas e salsichas caseiros, deceparam as aves pessoalmente cientes do equilíbrio do rebanho - mas recusam-se veementemente a consumir carne de animais criados confinados, assim como a comprar especiarias que demandem combustível fóssil na logística de transporte ou quaisquer subprodutos industrializados de soja, refrigerantes, balas, biscoitos, enlatados, etc. , principalmente, nos alertam com muita propriedade aos inúmeros equívocos da "indústria da soja", da "alimentação saudável e politicamente correta", além das agroindústrias que se criaram na carona da certificação orgânica, que faliu inúmeros produtores locais como critica igualmente um filme postado aqui, Nação Fast Food - uma rede de corrupção e Food Inc., você nunca mais verá seu jantar da mesma forma Mas não se anime, a maioria das refeições não leva carne alguma e quando leva, é pouca.

No Submarino, o livro está  à venda, acompanhado de shopping bag. Na banca de jornal do meu bairro, estava à venda por R$9,90.


Observe que o mundo é o que você come, mas também o que bebe e inala




Receita de Bárbara Kingsolver, extraída do excelente livro "O mundo é o que você come" e adaptada por mim: souflée de milho verde com queijo de cabra.

Deu certo, ficou com uma carinha ótima, cheiroso, rendeu muito, além de ser uma delícia.
Siga a sugestão da autora e faça a receita dobrada, assim você vai ter o que comer durante mais tempo sem adição de trabalho.



Segue a receita adaptada:
3 xícaras de milho verde orgânico cozido (compre as espigas, cozinhe e debulhe com uma faca)
3 ovos caipiras
1 xícara de leite orgânico ou vegetal (cococastanhas ou pinhão), fiz com o leite de castanhas e não interferiu em nada.
1 xícara de queijo de cabra tipo "bola"
1 colher de sopa de fermento biológico
1 colher de sopa de manjerona seca comprada a granel
sal, pimenta e noz moscada
Bater tudo no liquidificador e assar em pirex untado com azeite.
Acompanha tudo e pode ser feito adicionando azeitonas picadas, palmito de açaí ou pupunha, cogumelos, cenoura ralada, folhas de espinafre e até abóbora em cubos


A sopa fria de pepino com iogurte e hortelã também é divina e facílima, vale tentar e a receita está no link oficial acima do Milagre Vegetal e Animal.



Mais informação:
Soja é desnecessário
Leites Vegetais x Leite animal
O Brasil orgânico que funciona
O mundo é o que você compra
As frutas que ninguém come mais
Orgânicos podem ser mais baratos
Os prós e contras do agave orgânico
10 empresas controlam 85% dos alimentos
Slow Food: tradição, gastronomia, prazer e desmatamento
Farm City: a fazenda urbana para comprar orgânico, local e justo

5 comentários:

Carolina Arêas disse...

Boa dica de leitura, Carol!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Carol,
e saiu hoje na Portos e Navios:

Os produtores de soja decidiram recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra alegadas práticas de "manipulação" e "imposição de regras" adotadas pela multinacional Monsanto no mercado nacional de sementes geneticamente modificadas de soja.
Até então aliados da empresa na luta pela aprovação da soja transgênica no Brasil, os produtores costuram agora uma frente de "resistência global" à Monsanto em conjunto com sojicultores de Argentina e Estados Unidos. Os produtores acusam a multinacional de "cobrança abusiva" de royalties sobre as sementes de soja por meio da adoção de um adicional sobre a produtividade das lavouras.
"Se você produzir acima da média de 55 sacas por hectare, tem que pagar um adicional de 2%.
Se misturar com convencional, também paga. Eles querem fazer papel de governo. Vamos ao Cade conversar sobre isso", afirma o recém-empossado presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Glauber Silveira da Silva.

http://www.portosenavios.com.br/site/noticiario/geral/3143-produtor-de-soja-ameaca-recorrer-ao-cade-contra-a-monsanto

Patrícia disse...

Fiquei muito interessada no livro...em que banca estava a 9,90? Nos sites tem uma diferença incrível de preço vai de 29,90 até 44,90...

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Patrícia, nas bancas do bairro do Flamengo, RJ. Vi novamente outro dia, numa banca da Rua das Laranjeiras em frente à Leite Leal.
Vale a pena, a família não é nada natureba-sectária - são totalmente pé no chão e inclusive deram uma festa para 150 convidados na fazenda quando a autora aniversariou, serviram apenas comida produzida por eles com muito vinho orgânico da região.
boa sorte e volte para contar se encontrou,
Carol

Alexandra disse...

Eu tambem amei esse livro! Me estimulou muito a respeitar mais as estações do ano. O interessante eh que com o tempo isso deixa de parecer um sacrifício - eu por exemplo AMO tomate e aguardo o ano inteiro a estaçao curta dos tomates locais - na minha cesta em agosto e setembro vem tomate de todas as cores e tamanhos. Tão suculentos que os como no cafe da manha, almoço e janta. Mas aí chega o outono, o frio vem, e passa a vonta de comer tomate cru.... E fico com o molho de tomate enlatado ou congelado em casa...